Nota Histórico-Artistica
A vila de Portel nasceu em meados do século XIII, quando em 1257 D. Afonso III doou várias terras pertencentes aos domínios concelhios de Évora, Monsaraz e Beja a D. João Peres de Aboim, fidalgo oriundo das terras da Nóbrega e homem de confiança do rei, que veio a ser nomeado Mordomo-mor e Tenente do Alentejo (MATA, Maria Rosa, História de Portel, www.cm-portel.pt).
No ano de 1261 o monarca deu autorização a D. João para edificar na povoação um castelo (SOUSA, C., 2003, p. 35), o que permitiu que o fidalgo se instalasse definitivamente na vila. Terá sido nesta época que foi fundada a albergaria do Espírito Santo, o primeiro hospital local cujos estatutos foram aprovados em 1263, um ano depois de D. João de Aboim ter concedido carta de foral a Portel.
Com a morte de D. João de Aboim o termo de Portel, bem como o padroado do hospital do Espírito Santo, ficariam entregues a D. Maria Eanes, filha do fidalgo, e ao seu marido. Em 1301 os donatários trocaram a vila por outras terras, e o senhorio da povoação passou então para D. Dinis, que em 1318 doou o castelo de Portel à rainha D. Isabel (MATA, Maria Rosa, História de Portel, www.cm-portel.pt).
A vila passou a integrar os bens da Coroa durante os reinados seguintes, e depois da crise sucessória de 1383-1385 este termo foi doado a D. Nuno Álvares Pereira. O hospital da vila havia funcionado durante toda a centúria, e em 1396 o Condestável confirmou os seus estatutos.
No século XV Portel passou para os domínios dos Duques de Bragança, e foi D. Teodósio I que em 1541 patrocinou grandes obras de ampliação do espaço do Hospital do Espírito Santo, tendo sido possivelmente nesta época que foi edificada a igreja que lhe está anexa.
Nesta época a administração do hospital foi entregue ao Convento dos Lóios de Évora, que ficou responsável pela sua provedoria até à extinção da ordem, no século XIX. Na segunda metade do século XVI esta albergaria, juntamente com os bens da irmandade do Corpo de Deus, foram anexados à Misericórdia de Portel, fundada no início da centúria de Quinhentos. No ano de 1631 a Coroa concedia ao Hospital do Espírito Santo de Portel o privilégio de Hospital Real.
A igreja do Espírito Santo é um edifício de planta rectangular, composto por nave única com coro-alto e uma cabeceira dividida em dois registos, destinados a diferentes altares. À semelhança de muitos templos portugueses, apresenta uma marcada diferença programática entre os volumes exteriores e os interiores. A fachada foi edificada segundo as linhas austeras e depuradas do Maneirismo chão , precedida por escadaria e enquadrando ao centro um portal rectangular ladeado por pilastras jónicas e encimado por frontão semicircular. Do lado direito foi edificada a torre sineira, onde no piso térreo foi aberto um portal de moldura em arco perfeito, encimado por janela.
O interior do templo, modificado por uma campanha decorativa executada no século XVIII, é marcado pela diferenciação dos espaços da nave e da cabeceira, separados por gradeamento de ferro, e pela edificação de dois altares distintos e sobrepostos na capela-mor. A nave é coberta pela abóbada de nervuras quinhentista, não ostentando qualquer decoração nas paredes laterais. Este espaço é precedido pelo coro-alto, através do qual se tinha acesso ao interior do hospital.
A capela-mor apresenta dois altares sobrepostos, executados em talha dourada e policromada, o do registo inferior em estilo rococó, o do registo superior em modelo joanino. Esta sobreposição de elementos tinha como objectivo servir os diferentes fiéis que utilizavam o templo, o do piso inferior destinava-se à população, o superior era dirigido aos doentes internados no hospital.
Catarina Oliveira
GIF/ IPPAR/ 2005
Diploma de Classificação
Portaria n.º 446/2012, DR, 2.ª série, n.º 181, de 18-09-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 16-07-2012 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 8776/2012, DR, 2.ª série, n.º 79, de 20-04-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 8-07-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 3-03-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 1-10-2008 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Edital de 6-08-2003 da CM de Portel
Despacho de abertura de 15-05-2003 do presidente do IPPAR
Parecer de 7-05-1993 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 14-01-2003 da DR de Évora
Proposta de classificação de 6-02-1998 da Santa Casa da Misericórdia de Portel
Número do Processo
Não disponível