Nota Histórico-Artistica
O convento de Arroios foi fundado em 1705, com o objectivo de ser um colégio jesuítico destinado a formar padres da congregação que embarcavam para a Índia. Os trabalhos contaram com o apoio mecenático da rainha D. Catarina de Bragança, viúva do rei Carlos II de Inglaterra. A partir de 1755, os Jesuítas abandonaram progressivamente o monumento, o que culminou, no ano seguinte, com a substituição da comunidade por um grupo de freiras concepcionistas. O convento, até então designado por Nossa Senhora da Nazaré, passou a ser da invocação de Nossa Senhora da Conceição da Luz de Arroios.
O conjunto remanescente data, genericamente, da primeira metade do século XVIII e corresponde à edificação realizada pelos Jesuítas. Do lado esquerdo situa-se a igreja, de planta cruciforme com cruzeiro coberto por cúpula. À direita, em redor de um claustro de dois andares, localiza-se a área conventual, actualmente bastante adulterada. A fachada principal do templo é a principal peça estilística, com três andares e relativa monumentalidade. O portal é de verga recta, moldurada, dotado de arquitrave sobre a qual repousa grupo escultórico composto por brasão com as armas de Portugal e Inglaterra, amparadas por animais fantásticos. O alçado é relativamente amplo, coroado por estrutura tripartida de frontão axial com nicho contendo a imagem de Nossa Senhora da Conceição, ladeado por duas torres sineiras.
Extinta a comunidade em 1834, o espaço só ficou verdadeiramente devoluto em 1890, quando faleceu a última freira. Dois anos depois, o convento foi anexado ao Hospital de São José, para transformação das suas instalações em enfermarias especializadas em varíola e doenças tísicas. Baptizado Hospital de Arroios, a sua história, ao longo do século XX, é a da constante reconversão das antigas dependências conventuais a funções hospitalares. O período de maior importância ocorreu entre as décadas de 30 e de 50, o que determinou a quase total adulteração de numerosas dependências, mas decaiu progressivamente, até ao encerramento definitivo, em 1992. A partir dessa data, as vastas instalações serviram como depósito e arquivo dos Hospitais Civis de Lisboa. Nos últimos dois anos deram-se passos decisivos para a reconversão e restauro do conjunto. A igreja foi afecta ao culto ortodoxo (a cargo da Comunidade Ucraniana de Arroios) e a área conventual foi adquirida por promotores imobiliários que pretendem transformá-la em condomínio privado.
PAF
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-M/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento elaborado em 8-08-2012
Anúncio n.º 11818/2012, DR, 2.ª série, n.º 104, de 29-05-2012 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 29-01-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 11-01-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 14-12-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13021/2011, DR, 2.ª série, n.º 180, de 19-11-2011 (ver Anúncio)
Edital de 1-08-2011 da CM de Lisboa
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 20-07-2005 do presidente do IPPAR
Parecer de 4-05-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação da Igreja do Antigo Convento de Arroios como IIP
Proposta de 23-02-2004 da CNP do ICOMOS para a classificação do Convento de Arroios
Em 26-03-2003 foi dado conhecimento do despacho à requerente e à CM de Lisboa
Despacho de encerramento de 15-05-2002 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 11-12-2001 da DR de Lisboa para encerramento do processo de classificação de âmbito nacional, por não ter valor nacional, e envio de cópia do processo à CM de Lisboa para pondração de classificação como de IM
Proposta de 25-01-2000 da JF de São Jorge de Arroios para a classificação da Ermida de Arroios
Número do Processo
Não disponível