Nota Histórico-Artistica
Sabrosa foi terra de grandes tradições nobiliárquicas desde a Idade Média, tendo a nobreza local ganho poder e prestígio crescentes, a partir do século XV. Porém, é no século XVIII, e no seguimento da instituição da Companhia da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro e da Região Demarcada do Douro pelo Marquês de Pombal, em 1756, e da prosperidade económica derivada da produção e comércio do Vinho do Porto, que o concelho começa a ver erguerem-se muitos solares e casas brasonadas, marcas mais visíveis das classes privilegiadas. Entre os mais magníficos e bem conservados solares de Sabrosa conta-se a Casa dos Barros, ou dos Canavarros de Barros. O imóvel está implantado no centro de Sabrosa, junto da Igreja paroquial e do edifício dos Paços do Concelho e do Tribunal, de resto oferecido pela família Canavarros de Barros ao município. A sua localização privilegiada é testemunho desta importância da família na história local.
A Casa dos Barros é um edifício de traça barroca, cuja construção terá começado em finais do século XVII e prosseguido até meados do século XVIII. Respeitando os padrões da época, a fachada desenvolve-se horizontalmente, contando apenas com dois pisos em altura. Distribui-se na típica planta em U, que constituíra a grande novidade e o principal tipo de casa nobre do século XVII, estando a ala norte em ruínas. Da mesma época é a capela, da invocação de São José, que remata a ala sul, de acordo com a inovação seiscentista consistindo na integração da capela privada na habitação.
Na fachada principal, enquadrada por cunhais apilastrados rematados por elevados pináculos, destaca-se a entrada principal e a janela de sacada a eixo com esta, no piso nobre. Este piso é perfeitamente simétrico, com quatro janelas de cantaria de cada lado do balcão, com janelão rematado por frontão barroco e encimado por uma monumental pedra de armas, exibindo o brasão esquartelado dos Lobo Correia Teixeira Taveira, parcialmente destruído pela antiga proprietária aquando da execução de uma hipoteca, por divida, no primeiro quartel do século XX. Como acontece frequentemente nestas casas, as fachadas voltadas para o interior são muito mais simples e sóbrias, sem pilastras, cornijas ou molduras, revelando mesmo alguma monotonia.
A porta principal deita para um átrio, de onde se acede ao piso superior, através de uma escadaria em pedra, e igualmente ao jardim interior, por meio de um corredor coberto por abóbada de berço. No piso térreo situa-se a biblioteca, e no piso nobre ficam os quartos, e igualmente vários salões amplos, com tectos de masseira de castanho, tipicamente barrocos.
O jardim interior aproveita o núcleo da planta em U, e dá acesso aos lagares, sobre os quais estão os quartos de dormir, e à capela. Tal como a fachada principal da casa, a fachada da capela é enquadrada por cunhais apilastrados prolongados por pináculos. Nela se destaca o frontão de volutas, sob o qual se rasga um óculo polilobado, num conjunto que revela alguma erudição, e igualmente a relativa austeridade das capelas privativas barrocas, que ainda assim concentram a grande maioria do esforço decorativo das habitações solarengas (Carlos de AZEVEDO, 1988, p. 74). No interior do templo, de planta longitudinal, destaca-se o magnífico retábulo em talha dourada e policromada do século XVIII, obra de transição entre o Maneirismo e o Barroco, e diversa estatutária sacra da mesma época.
A propriedade inclui ainda belos jardins de concepção barroca, e uma larga eira onde hoje se situa uma piscina, e a partir da qual correm vinhedos.
O solar foi adquirido pelo município há alguns anos, funcionando hoje como unidade hoteleira. O interior sofreu diversas obras de adaptação, mas as intervenções não afectaram a estrutura nem a organização espacial fundamental.
Sílvia Leite / DIDA / IGESPAR, I.P. / 22-08-2007
Diploma de Classificação
Portaria n.º 582/2011, DR, 2.ª Série, n.º 113, de 14-06-2011 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 2-09-2009 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 28-06-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 6-03-2006 da DR do Porto para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 15-04-2005 do presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 31-03-2005 da DR do Porto
Pedido de parecer de 22-06-2004 da CM de Sabrosa sobre a eventual classificação como de IM