Nota Histórico-Artistica
Sítio
A Cividade de Âncora implanta-se no Monte da Suvidade que se ergue junto à margem esquerda do Rio Âncora. Na envolvente, em redor da elevação, encontram-se terras férteis, com abundância de água e de recursos.
Constitui um povoado fortificado de altura, erigido ex novo, na Idade do Ferro (século II a.C.), e persistindo até à Época Romana (finais do século I d.C.). Parcialmente intervencionado, foram identificados, até à data, troços de três linhas de muralhas em pedra, com uma largura média de 1,5 m e diversas estruturas em pedra. O troço interno apresenta um caminho conexo. Os núcleos habitacionais comportam diversas edificações organizadas em redor de um pátio murado, alguns podendo dispor de uma fonte de mergulho ou cisterna. As estruturas apresentam planta circular, circular alongada, quadrada com ca ntos arredondados e retangular. Dispunham de cobertura em tegulae ou materiais perecíveis, como colmo, e algumas encontravam-se equipadas com bancos de pedra colocados em redor das paredes e lareiras centrais ou laterais. A instalação de equipamentos como fornos e forjas permite, em diversos casos, determinar a sua funcionalidade. Destaca-se uma estrutura singular, presumivelmente de uso comunitário, de lareira central e cerca de cinquenta bancos instalados junto às paredes. O recinto funerário estava inserido no núcleo habitacional. Identificaram-se espaços destinados ao armazenamento de bens e outros para a acomodação de animais. Apesar dos trabalhos realizados até à data não terem revelado contextos posteriores à ocupação romana, verifica-se a existência de duas estelas funerárias Medievais, recolhidas por Martins Sarmento nos finais do século XIX, neste local. A continuação dos trabalhos de escavação poderá, no futuro, esclarecer as diversas ocupações deste espaço, uma vez que a área sondada ainda é bastante limitada face à dimensão expectável do arqueossítio.
História
A mais antiga referência documental conhecida relativa à Cividade de Âncora remonta ao início do século XVIII, quando mereceu uma alusão na Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso Reyno de Portugal, com as noticias das fundações das cidades, villas, & lugares, que contem; varões illustres, gealogias das familias nobres, fundações de conventos, catalogos dos Bispos, antiguidades, maravilhas da natureza, edificios, & outras curiosas observaçoens, de António Carvalho da Costa que informa Santa Maria de Ancora chamouse antigamente de Villar de Ancora , por hum Castello, que teve de Mouros, de que se vem vestigios. Mais tarde, em 1880, é referida no artigo de Francisco Martins Sarmento, Observações acerca do Vale do Âncora, publicado na revista O Pantheon. Este investigador terá executado escavações no local, que terão resultado na recolha de espólio, nomeadamente elementos arquitetónicos com decoração. Realizaram-se sondagens arqueológicas em 1959, por Christopher Hawkes, da Universidade de Oxford. Seguiram-se, entre 1960 e 1961, duas campanhas de escavação sob a orientação científica de Abel Viana. Armando Coelho Ferreira da Silva, efectou diversos trabalhos arqueológicos no local, designadamente entre 1978 e 1984.
Ana Vale
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
(A alteração da designação para Cividade de Âncora/Afife apenas se verificará aquando da publicação do diploma de classificação)
(Projetos de diplomas enviados à tutela para publicação)
Anúncio n.º 147/2020, DR, 2.ª série, n.º 130, de 7-07-2020 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 30-01-2020 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 16-10-2019 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 6-02-2019 da DRC do Norte para a classificação como SIN/MN
Em 24-08-2018 a CM de Caminha manifestou total concordância com a proposta
Em 10-08-2018 a CM de Viana do Castelo informou nada ter a opor
Em 26-07-2018 foi a DRC do Norte enviou a proposta de classificação como SIN/MN e as restrições a fixar à CM de Viana do Castelo e à CM de Caminha, solicitando a emissão de parecer
Anúncio n.º 66/2018, DR, 2.ª série, n.º 85, de 3-05-2018 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 21-02-2018 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 2-10-2017 da DRC do Norte para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Requerimento de classificação de 18-03-2015 da CM de Caminha
Despacho de concordância de 5-04-1979 do Secretário de Estado da Cultura
Proposta de 23-03-1979 da COISPCN para que seja desencadeado o mais rapidamente possível o processo de classificação desta estação como MN
Número do Processo
Não disponível