Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado no lugar da Gelfa, num maciço rochoso a sul de Vila Praia de Âncora, o Forte do Cão é uma estrutura defensiva de planta estrelada composta por quatro ângulos, ou redentes. Na face virada a terra os ângulos apresentam guaritas, unindo-se através de uma cortina de alvenaria de pedra onde foi rasgada a porta de acesso, de arco de volta perfeita. Na face virada ao mar os redentes, mais pequenos, flanqueiam a bateria com plataforma a barbete, em forma de meia lua. O parapeito dos paramentos pétreos possui merlões e canhoeiras.
No espaço interior erguem-se dois edifícios retangulares de um piso, com portas e janelas com grades, que flanqueiam o espaço central da praça de armas. Junto à porta ergue-se, a cada lado, uma escada de pedra de acesso à plataforma.
História
O Forte do Cão, também conhecido por Forte da Gelfa, foi edificado cerca de 1690, por ordem do rei D. Pedro II. O objetivo da construção desta pequena fortaleza era reforçar o sistema defensivo já então estabelecido na zona fronteiriça do Minho.
Sabe-se que em 1683 é referida numa sessão da Câmara de Viana da Foz do Lima a necessidade de se fazerem redutos e plataformas na foz do rio Âncora e no lugar de Montedor, para que aí se pudessem colocar vigias e depositar peças de artilharia. Este pedido denota que as populações costeiras sentiam, à época, a necessidade de reforçar a defesa da costa atlântica face não só às incursões de pirataria como também às ameaças da armada espanhola.
Na realidade, o conjunto de fortificações semelhantes construídas entre as zonas de Vila Praia de Âncora e Esposende num período já posterior à Guerra da Restauração permite considerar que no último quartel do século XVII foi elaborado um plano construtivo de novas estruturas militares que iriam reforçar a linha de fogo das fortalezas já existentes no litoral minhoto.
Embora de pequenas dimensões, a estrutura e a capacidade defensiva do Forte do Cão permitem que seja classificado como uma verdadeira fortaleza (e não como um fortim ou bateria). A planimetria da estrutura apresenta a mesma concepção geral que duas outras fortificações da região limítrofe de Viana, os fortes da Areosa e de Montedor, sendo possível que tenham sido desenhadas pelo mesmo engenheiro.
No entanto, e apesar da importância da sua implantação num local estratégico na defesa costeira da região do Lima, esta fortaleza foi desactivada em 1716 por ordem da Junta dos Três Estados, perdendo a sua guarnição permanente.
Em 1967 o Forte do Cão foi classificado como de interesse público.
Catarina Oliveira
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (voltou a ser classificado como IIP, com a designação de "Forte do Cão") (ver Decreto)
Retificação publicada no DG, I Série, n.º 59, de 10-03-1967 (localização corrigida para o concelho de Caminha) (ver Retificação)
Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (classificado com a designação de "Fortim do Cão (Gelfa)", sendo indicado o concelho de Viana do Castelo) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível