Nota Histórico-Artistica
A fundação da vila rural de Leomil datará de finais do século IX, embora a história da municipalidade principie no estabelecimento do couto de Leomil, que veio a constituir um dos maiores e mais importantes coutos medievais, no início do século XII. D. Dinis ter-lhe-á outorgado o primeiro foral em 1283, e em 1292 a igreja foi doada ao Mosteiro de Salzedas. O concelho foi extinto em 1855, mas a memória deste prestígio histórico encontra-se em grande medida sustentada pela qualidade, exemplaridade e integridade do seu património arquitetónico.
O atual conjunto arquitetónico de Leomil inclui exemplares de arquitetura religiosa, como a Igreja Matriz e a Capela do Mártir, diversas casas nobres de raiz medieval, como o antigo Solar dos Mergulhões, solares setecentistas e oitocentistas de feição erudita, como a Casa dos Viscondes de Balsemão, muitos edifícios de tradição vernacular, conservando elevado grau de integridade, e o pelourinho manuelino. Integra ainda vários edifícios habitacionais de grande porte e qualidade construtiva, que articulam soluções populares com pormenores estruturais e decorativos eruditos, ilustrativos de um tipo de arquitetura abastada muito representativa da paisagem urbana portuguesa ao longo dos séculos XVI a XX.
Do ponto de vista urbanístico, o espaço organiza-se em torno de praças e largos que constituem espaços públicos de referência e se desenvolveram, na sua maioria, sem planificação formal, exceção feita para o Largo Doutor António Ferreira Seves, de conceção moderna, contrastando com a vizinha Praça do Pelourinho, ainda de matriz medieval.
Apesar de algumas dissonâncias, a povoação conserva unidade e equilíbrio volumétrico, bem como a generalidade das formas, materiais e técnicas construtivas da arquitetura pré-industrial. Estes fatores, aliados à convivência harmoniosa de diversas tendências e cronologias arquitetónicas e à articulação de linguagens eruditas e vernaculares, fazem do conjunto um testemunho exemplar da arquitetura e do urbanismo beirão pré-moderno.
Sílvia Leite / 2013
Diploma de Classificação
Portaria n.º 209/2013, DR, 2.ª série, n.º 71, de 11-04-2013 (com restrição) (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13680/2012, DR, 2.ª série , n.º 219, de 13-11-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 22-10-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 19-10-2012 da DRC do Norte para a classificação como CIP
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 24-04-2008 do director do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 23-04-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 10-01-2006 da DR do Porto
Número do Processo
Não disponível