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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Estação Arqueológica de São Gens

/

Designação
Designação Atual
Estação Arqueológica de São Gens
Outras Designações
Necrópole de São Gens (proposta inicial) / Necrópole de São Gens / Conjunto de túmulos escavados na rocha (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Sítio
Localizado a cerca de 2 km de Celorico da Beira, o sítio arqueológico de S. Gens implanta-se num território plano, a meia encosta de um vale definido pela confluência da ribeira dos Tamanhos com o rio Mondego, sendo por isso uma área onde os solos possuem uma notável aptidão agrícola, favorecendo a fixação das comunidades humanas ao longo dos séculos. Neste contexto, são identificáveis dois grandes períodos de ocupação do espaço: período romano - séculos I a IV - e alto medieval - séculos IX-X.
Apesar de se tratar de uma estação arqueológica conhecida desde finais do século XIX, somente a partir da primeira década do século XXI, foi possível iniciar um conjunto de intervenções arqueológicas sistemáticas que puseram em evidência a relevância científica e patrimonial deste complexo.
De facto, como resultado da prospeção inicial dos terrenos, foram detetadas diversas manchas de vestígios de época romana, nomeadamente cerâmica de construção, verificando-se, após a realização de trabalhos arqueológicos, que o local foi ocupado por um pequeno aglomerado populacional formado por diversas habitações de construção modesta (núcleos unifamiliares), que integravam também alguns anexos agrícolas. Relativamente a estes vestígios, foi estudada apenas uma das diversas unidades que terão sido erguidas no local, um edifico de vários compartimentos com uma fundação em blocos de granito de talhe irregular, com cerca de 50 cm de largura. Quanto aos materiais detetados é de destacar um conjunto de fragmentos de cerâmica comum de fabrico regional existindo, no entanto, alguns vestígios de objetos importados, nomeadamente ânforas e vidros, para além de uma expressiva presença de numismas.
Após o abandono do edifício no século IV, apenas se volta a detetar presença humana em níveis arqueológicos já dos séculos IX-X, tendo sido identificada uma aldeia medieval dotada de uma estrutura delimitadora de planta ovalada, com entrada única sobre o vale da ribeira e cuja fundação, com um máximo de dois metros de largura, por um metro de altura, foi elaborada com recurso a seixos de rio e pedra miúda. Sobre esta estrutura assentaria uma paliçada formada por troncos de carvalho negral e azinheira. Relativamente às habitações, verificou-se que se tratavam de estruturas construídas apenas com elementos vegetais, do tipo cabana, apresentando um espaço de lareira delimitada por pedras. As populações, para além de se dedicarem à agricultura, criação de gado, caça e recoleção, trabalhavam a lã e o barro, produzindo assim o essencial para a sua própria subsistência. Será na sequência de um grande incêndio que a aldeia é abandonada na segunda metade do século X, sem que depois dessa data existam vestígios de nova ocupação do local.
Muito provavelmente associada a este núcleo habitacional, encontra-se uma necrópole cristã distribuída por duas áreas principais, subsistindo também algumas sepulturas dispersas. Do que foi possível estudar até ao momento, foram identificados cinquenta e quatro sepulcros com diversas orientações, número muito expressivo dentro dos conjuntos identificados na região, podendo estes ser agrupados em quatro tipos: sepulturas não antropomórficas (a maioria); sepulturas antropomórficas; sepulturas com duplo antropomorfismo e sepulturas com antropomorfismo parcial. Como resultado dos estudos efetuados, e apesar de não se terem conservado as ossadas, foi possível concluir que a maioria dos sepulcros, cobertos por lajes de pedra, se destinava a adultos. Até ao momento não foi identificado qualquer edifício de caráter religioso que, de alguma forma, poderia estar associado a esta necrópole.
História
Desde os finais do século XIX que o Sítio Arqueológico de S. Gens é referenciado, sobretudo pelo número invulgar de sepulturas que, originalmente, teria sido mais elevado mas que, devido à extração de pedra no local, foram sendo destruídas.
Maria Ramalho/DGPC/2015.
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 214/2015, DR, 2.ª série, n.º 178, de 11-09-2015 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 23-07-2015 do diretor-geral da DGPC
Nova proposta de abertura de 24-06-2015 da DRC do Centro
Devolvido à DRC do Centro por despacho de 24-03-2014 do diretor-geral da DGPC para juntar antecedentes
Proposta de 18-03-2014 da DRC do Centro para a abertura do procedimento de classificação da Estação Arqueológica de São Gens
Em 14-01-2015 a CM de Celorico da Beira enviou levantamento topográfico para instrução do processo
Procedimento indevidamente prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010, uma vez que não estava em vias de classificação (ver Despacho)
Requerimento de 13-10-2013 da CM de Celorico da Beira para a classificação da Necrópole de São Gens
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Em Vias de Classificação
Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

ZEP Anúncio n.º 214/2015, DR, 2.ª série, n.º 178, de 11-09-2015 (fixou a ZEPP) (ver Anúncio)
Despacho de 23-07-2015 do diretor-geral da DGPC a fixar uma ZEPP
Proposta de 26-06-2015 da DRC do Centro para a fixação de uma ZEP provisória (ZEPP) para proteção de uma área com elevado potencial arqueológico, cuja investigação ainda se encontra em curso
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Celorico da Beira / Celorico (São Pedro e Santa Maria) e Vila Boa do Mondego
- -
São Gens -
Polícia:
LATITUDE
40.655658
LONGITUDE
-7.395861
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
2010
2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010, uma vez que não estava em vias de classificação (ver Despacho) Requerime...
2013
2013 da CM de Celorico da Beira para a classificação da Necrópole de São Gens SítioLocalizado a cerca de 2 km de Celo...
2014
2014 do diretor-geral da DGPC para juntar antecedentes Proposta de 18-03-2014 da DRC do Centro para a abertura do pro...
2015
2015, DR, 2.ª série, n.º 178, de 11-09-2015 (ver Anúncio) Despacho de abertura de 23-07-2015 do diretor-geral da DGPC...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Celorico da Beira e Linhares RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1979 Celorico da Beira
Celorico da Beira e Linhares - Monografia Histórica e Artística RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1992 Celorico da Beira
S. Gens ao longo do Tempo e da História TENTE, Catarina, MARQUES, António Carlos Edição 2013 Celorico da Beira
O Sítio Arqueológico de S. Gens (Santa Maria, Celorico da Beira) - Notícia preliminar da campanha de trabalhos arqueológicos realizada em 2008 TENTE, Catarina, MARQUES, António Carlos Edição 2011 Casal de Cambra
Arqueologia Medieval Cristã no Alto Mondego - Ocupação e Exploração do Território nos Séculos V a XI. TENTE, Catarina Edição 2010 Lisboa
"Património arqueológico do concelho de Celorico da Beira: subsídios para o seu inventário e estudo", Praça Velha, nº19, pp.14-37 LOBÃO, João Carlos, MARQUES, António Carlos, NEVES, Dário Edição 2006 Guarda
A ocupação romana na bacia de Celorico MARQUES, António Carlos Edição 2011 Coimbra

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