Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Implantada na zona florestal do pinhal do Banzão, junto da avenida principal de Colares - Avenida do Atlântico - e na proximidade de duas das praias mais importantes da região - Praia Grande e Praia das Maças - a Colónia de Férias da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, foi criada como equipamento lúdico-desportivo e assistencial infantil destinado aos filhos dos operários e funcionários da referida companhia. Este equipamento, fundado nos anos 40 do século XX, disponibilizava um grande conjunto de atividades às crianças e aos jovens, tais como: leitura, jardinagem, trabalhos manuais, teatro, desporto, ginástica, passeios no campo e estadias na praia. Na base deste projeto, como em tantos outros edificados neste período, encontravam-se os pressupostos ideológicos, político e sociais do regime corporativo do Estado Novo que, neste caso, procurava associar os preceitos mais modernos ligados à saúde (usufruto dos ares da serra e do mar), com a educação e a instrução baseadas na tradição.
O projeto, edificado entre 1942-43, insere-se na arquitetura nacional modernista do Estado Novo, sendo o seu autor o arquiteto José Ângelo Cottinelli Telmo que, habitualmente, trabalhava para a CP. O autor pretendeu neste programa harmonizar a área livre ajardinada e florestada com a zona construída procurando, também, preservar ao máximo o relevo natural do terreno e a vegetação local. A construção de alguns equipamentos funcionais sobretudo as cozinhas, refeitórios, área de lavagens, fogões e chaminés demonstram, igualmente, uma preocupação acrescida com as questões da saúde, higiene e segurança dos utilizadores.
Relativamente ao complexo arquitetónico, é possível observar o uso da alvenaria de pedra rústica e a traça vernacular, sendo que o edifício principal possuiu uma planta longitudinal com cobertura de telha sobre asnas de madeira, verificando-se a aplicação extensiva da pedra calcária não aparelhada e de formatos irregulares. Era neste local que se concentravam as principais atividades de grupo, encontrando-se aí o refeitório, a sala de jantar e um recreio coberto, para além dos serviços de cozinha, anexos, cave fresca para armazenamento de víveres, cais de descarga de transporte, antecâmara de receção e despensa. Em redor do edifício principal e distribuídos pelo jardim-parque encontravam-se as instalações do pessoal auxiliar, os oito pavilhões-dormitórios para os jovens e crianças, os pavilhões de apoio (antiga enfermaria, lavabos e rouparia) e a casa do regente, único edifício que apresentava dois pisos, e que foi construído mais tarde, já em 1946.
História
Em 1937, logo após a extinção da Colónia de Férias da Costa da Caparica que se destinava aos aprendizes das oficinas da Companhia dos Caminhos de Ferro, foram implantadas, na propriedade de Colares, uma série de estruturas de madeira entre as quais dormitórios, refeitório, cozinha e enfermarias, sendo de alvenaria apenas a residência do responsável, o reservatório de água, a fossa moura, as retretes e os lavatórios.
Finalmente, em 1943, é inaugurado um novo e moderno estabelecimento que apenas interromperá o seu funcionamento como colónia de férias no verão de 2004. Hoje, todo este importante conjunto arquitetónico e paisagístico encontra-se desafortunadamente devoluto, tendo em 2013 a atual empresa "CP-Comboios de Portugal", colocado à venda a propriedade.
Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração do Departamento de Cultura, Juventude e Desporto-da C.M. Sintra.
Diploma de Classificação
Edital n.º 932/2013, DR, 2.ª série, n.º 189, de 1-10-2013 (ver Edital)
Despacho de 28-08-2013 do presidente da CM de Sintra a aprovar a classificação como MIM
Edital n.º 523/2013, DR, 2.ª série, n.º 99, de 23-05-2013 (ver Edital)
Despacho de 30-04-2013 do presidente da CM de Sintra a sujeitar a audiência prévia dos interessadosr a classificação como MIM
Edital n.º 12/2013 de 21-01-2012 da CM de Sintra
Despacho de 21-01-2013 do presidente da CM de Sintra a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Em 9-10-2012 foi dado conhecimento do despacho à CM de Sintra
Despacho de arquivamento de 22-08-2012 da subdiretora-geral da DGPC
Proposta de 3-08-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para o arquivamento do procedimento de âmbito nacional, por o bem em causa não ter valor nacional
Novo requerimento de classificação de 6-12-201o de particular
Despacho de 6-05-2008 do director do IGESPAR, I.P. a confirmar o encerramento
Parecer de 23-04-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. a propor a confirmação do despacho de encerramento
Despacho de 11-04-2006 da vice-presidente do IPPAR a determinar que o conjunto não possui características arquitectónicas de singularidade ou excepcionaridade para obter uma classificação de valor nacional (MN ou IIP)
Devolvido em 19-09-2005 pelo Gabinte da Ministra da Cultura para juntar proposta de ZEP
Parecer favorável de 7-07-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 23-04-2004 da DR de Lisboa para a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de 21-06-2001 da CM de Sintra para a classificação como IIP