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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Monumento pré-histórico da Praia das Maçãs

Arqueologia / Tholos

Designação
Designação Atual
Monumento pré-histórico da Praia das Maçãs
Outras Designações
Tholos do Outeiro das Mós / Tholos da Praia das Maçãs (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Tholos
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Os estudos desenvolvidos na península de Lisboa têm demonstrado, depois da actividade precursora do engenheiro militar e geólogo Carlos Ribeiro (1813-1882), a riqueza arqueológica das suas regiões, com realce para a sintrense, como comprova o número de arqueosítios já identificado e escavado. Uma presença humana bem patente nos diferentes testemunhos megalíticos aí existentes, acentuados por um marcado poliformismo denunciador da diversidade de influências culturais diacrónicas e sincrónicas observadas na actual península de Lisboa. Tipologia esta que, também, na região de Sintra, se encontra bem representada por alguns exemplares, como no caso dos tholoi, essencialmente destinados a inumações colectivas.

Data de 1929 a primeira referência ao "Monumento pré-histórico da Praia das Maçãs", descoberto no decorrer de trabalhos agrícolas. Mas apesar da sua importância, parece não ter despertado a atenção dos responsáveis pelos destinos da Arqueologia no país. Foi necessário esperar para que, já no início dos anos sessenta, os arqueólogos Vera Leisner, pelo Instituto Arqueológico Alemão, Georges Zbyszewski (1909-1998) e Octávio da Veiga Ferreira (1917-?), em representação dos Serviços Geológicos de Portugal, localizassem, no âmbito de um projecto centrado nos sepulcros pré-históricos dos arredores de Lisboa, os artefactos recolhidos por um particular ainda na década de trinta (GONÇALVES, J. L. M., 1988, pp. 29-33). A sua análise despertou-lhes de imediato o maior interesse, acabando por visitar o sítio e decidir escavá-lo nos anos seguintes, num esforço retomado já em finais dos anos setenta, dessa feita sob orientação de João Ludgero Marques Gonçalves.

Em termos estruturais, estamos em presença de um tholos, "[...] cujas afinidades morfológicas mediterrânicas são bastante incisivas [...]." (JORGE, S. de O., 1990, p. 126).

Escavado na rocha durante o Calcolítico (Id., Idem, p. 186), este monumento megalítico apresenta uma estrutura bastante complexa. Era a partir de uma câmara situada a Ocidente de planta subcircular com cerca de dois metros de diâmetro máximo e eventualmente revestida, na origem, por esteios pétreos, que se acedia, através de um pequeno corredor, a uma estrutura de igual modo escavada na rocha, embora disposta transversalmente e dividida em três sectores funcionais: "[...] um sector central, com abertura para a tholos, e duas câmaras laterais revestidas de esteios." (GONÇALVES, J. L. M., Idem, p. 33). Uma distribuição espacial assaz peculiar que parece acentuar o seu carácter híbrido, possivelmente decorrente do reaproveitamente de um hipogeu erguido entre o Neolítico Médio e o Neolítico Recente, numa clara demonstração de reutilização e reapropriação de lugares simbólicos por parte de comunidades apartadas entre si no tempo.

Quanto à tholos, propriamente dita, composta de câmara circular com um diâmetro de aproximadamente cinco metros e meio, ela destaca-se pelo facto de as paredes terem sido construídas com muros formados por lajes calcárias colocadas horizontalmente. E é no centro do seu solo argiloso aplanado que se anotou a presença de uma cavidade para colocação de um pilar de sustentação da cobertura, de "falsa cúpula", tipo "clarabóia". No lado oposto à entrada da câmara ocidental abre-se o corredor de acesso ao exterior da tholos, com cerca de três metros e meio de comprimento, que conduzia a um átrio (Id., Idem, pp. 33-35).

Do espólio, destacam-se os materiais filiados no horizonte da cultura megalítica. São disso exemplo os micrólitos geométricos, lâminas (com ou sem retoque) pontas de seta de base rectangular ou pedunculada, enxós e machados polidos, alfinetes em osso de cabeça segmentada, além das características placas de xisto gravadas e dos "ídolos cilindricos". Em relação aos recipientes cerâmicos, distinguem-se os lisos de forma esférica, taças em calote e carenadas.

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 22-11-1971 do Secretário de Estado da Administração Escolar
Novo parecer de 12-11-19871 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE Edital N.º 45/71 da CM de Sintra
Despacho de homologação de 27-10-1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Parecer de 16-10-1970 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como MN
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 49/2014, DR, 2.ª série, n.º 14, de 21-01-2014 (com ZNA) (ver Portaria)
Edital N.º 185 de 30-05-1996 da CM de Sintra
Despacho de homologação de 7-09-1995 do Subsecretário de Estado da Cultura
Parecer de 3-07-1995 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a fixação de uma ZEP
Despacho de concordância de 22-07-1993 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 22-07-1993 do IPPAR para a fixação de uma ZEP
Afectação 181502
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Sintra / Colares
- -
Outeiro das Mós -
Polícia:
LATITUDE
38.826382
LONGITUDE
-9.46634
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1813
1813-1882), a riqueza arqueológica das suas regiões, com realce para a sintrense, como comprova o número de arqueosít...
1882
1882), a riqueza arqueológica das suas regiões, com realce para a sintrense, como comprova o número de arqueosítios j...
1909
1909-1998) e Octávio da Veiga Ferreira (1917-?), em representação dos Serviços Geológicos de Portugal, localizassem, ...
1917
1917-?), em representação dos Serviços Geológicos de Portugal, localizassem, no âmbito de um projecto centrado nos se...
1929
1929 a primeira referência ao "Monumento pré-histórico da Praia das Maçãs", descoberto no decorrer de trabalhos agríc...
1970
1970 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Parecer de 16-10-1970 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE ...
1971
1971 do Secretário de Estado da Administração Escolar Novo parecer de 12-11-19871 da 1.ª Subsecção da 2.ª Secção da J...
1974
1974 (ver Decreto) Despacho de homologação de 22-11-1971 do Secretário de Estado da Administração Escolar Novo parece...
1988
1988, pp.
1990
1990, p.
1998
1998) e Octávio da Veiga Ferreira (1917-?), em representação dos Serviços Geológicos de Portugal, localizassem, no âm...
4
IMAGENS
8
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Les monuments préhistoriques de Praia das Maçãs et de Casainhos", Memórias dos Serviços Geológicos de Portugal LEISNER, Vera, FERREIRA, Octávio da Veiga, ZBYSZEWSKI, Georges Edição 1969 Lisboa
"Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios", Nova História de Portugal JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"Sobre a cronologia absoluta das grutas artificiais da Estremadura portuguesa", Al-madan CARDOSO, João, SOARES, António Manuel Monge Edição 1995 Almada
"Desenvolvimento da hierarquização social e da metalurgia", Nova História de Portugal JORGE, Susana de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"A consolidação do sistema agro-pastoril", Nova História de Portugal JORGE, Susana de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"Manifestações do sagrado na Pré-História do Ocidente peninsular1: 4. A "síndrome das placas loucas", Revista Portuguesa de Arqueologia GONCALVES, Victor Manuel dos Santos Edição 2003 Lisboa
"Manifestações do sagrado na Pré-história do Ocidente Peninsular: 4. A "síndrome das placas loucas", Revista Portuguesa de Arqueologia GONCALVES, Victor Manuel dos Santos Edição 2003 Lisboa
"Monumento pré-histórico da Praia das Maçãs (Sintra). Notícia preliminar", Sintria GONÇALVES, João Ludgero Marques Edição 1988 Sintra

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