Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Originalmente integrado no ambiente rural da Quinta de São Martinho, hoje o moinho de armação de Alcabideche surge rodeado de urbanizações, situação que veio subverter o tipo de envolvente mais adequada a um imóvel desta natureza, sobretudo por ser o único exemplar em funcionamento em Portugal.
O moinho de Alcabideche integra-se num conjunto de estruturas de moagem mais vasto e que funcionavam em regime de complementaridade nomeadamente a Azenha da Atrozela, imóvel em vias de classificação como de Interesse Municipal e dois moinhos de vento da Quinta dos Cinco Ventos, classificados como Conjunto de Interesse Municipal, todos eles situados na mesma freguesia.
Integrando-se na tradição da arquitetura vernácula da região, o moinho foi construído em alvenaria de pedra devidamente rebocada e caiada de branco. A estrutura metálica que se eleva a sete metros de altura e que possui asas de chapa de três metros, encontra-se bem fixada na cobertura, zona onde se localizam os tanques de água outrora destinada à rega dos campos que se situavam em redor.
O interior encontra-se dividido em dois pisos, separados por estrado de madeira. O piso térreo é composto por duas dependências, sendo o espaço de maiores dimensões destinado à moagem onde estão instalados os dois cais de mós e a máquina de seleção de cereal. Possui mós e engenho singulares destinados aos diferentes tipos de cereal. O casal de mós para milho é "de pedra rala ou saibrenta", no dizer dos moleiros (arenito), enquanto o casal de mós para o trigo e centeio é de "pedra branca ou bastarda" (calcário). No interior do moinho subsiste ainda uma peça que se julga única em Portugal designada como " macaco da mó". Segundo informação recolhida, esta peça que terá sido criada por José Roquete, construtor do moinho, possui dois braços circulares em aço e um veio roscado que permite levantar as mós com vista à sua substituição ou picagem. A grande vantagem desta peça residia na possibilidade de reduzir a taxa de esforço para a deslocação da mó, aliada à sua durabilidade.
No piso abaixo da cota da soleira, localiza-se o "Inferno", espaço onde se situa toda a engrenagem interna de ligação do veio principal aos carretos dos olhais das mós. Situado ao mesmo nível deste espaço, localiza-se um pequeno armazém para a guarda do cereal que, neste caso, poderia ser milho, trigo, centeio ou cevada, sendo o acesso feito através de um alçapão localizado junto da máquina de seleção dos respetivos grãos.
O moinho sofreu alterações nos anos 50 do século XX quando se pretendeu competir com a moagem industrial implantada no concelho, nomeadamente em Carcavelos, tendo sido então introduzido um motor a gasóleo de marca Lister, tornando-o assim o moinho autónomo relativamente às condições de vento. Para a colocação deste motor foi necessário construir um anexo adossado ao edifício principal.
Após 2007 o moinho foi restaurado, funcionando hoje como espaço museológico e onde se promovem diferentes atividades educativas.
História
Os moinhos de armação tipo americano surgem em Portugal nas primeiras décadas do século XX, especialmente na Estremadura e Beira Litoral. Alcabideche corresponde a uma região do concelho de Cascais que é conhecida pelas ótimas condições de vento que oferece à implantação de moinhos.
O moinho de Alcabideche correspondia a uma pequena exploração fabril, cuja construção ocorreu durante a primeira década do século XX por iniciativa de José Roquete, natural de Alcabideche e serralheiro de profissão que, em 1893, teve a oportunidade de visitar a exposição Mundial de Chicago de onde retirou ensinamentos suficientes para o fabrico de moinhos idênticos em Portugal. Roquete introduziu algumas alterações significativas, relativamente ao modelo original, nomeadamente ao nível da roda de pás, adaptando o seu formato em saco, resultando assim num melhor aproveitamento da energia produzida pelo vento.
M.Ramalho/DGPC/2015 e Sónia Sousa/CMCascais
Diploma de Classificação
Aviso de 19-10-2011 da CM de Cascais, publicado no Boletim Municipal de 2-11-2011
Despacho de homologação de 19-09-2011 da CM de Cascais
Em 22-11-2010 foi dado conhecimento do despacho à CM de Cascais
Despacho de arquivamento de 11-02-2010 do director do IGESPAR, I.P.
Informação favorável de 12-01-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo, por não ter valor nacional
Pedido de parecer de 23-03-2009 da CM de Cascais sobre a classificação como IM
Deliberação de 9-02-2009 da CM de Cascais a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível