Nota Histórico-Artistica
A antiquíssima povoação de Alcabideche terá sido fundada durante o domínio islâmico, que deixou marca evidente na toponímia local. Desde então, e até às décadas de 60-70 do século XX, a paisagem esteve marcada por grande quantidade de moinhos de vento, quase todos destruídos nos anos seguintes. Os dois moinhos da Quinta dos Cinco Ventos são o último testemunho da importância económica da moagem em Alcabideche, e verdadeiros ex-libris da freguesia. Levantam-se a cerca de 90 m entre si, no cimo de uma pequena colina enquadrada pela Serra de Sintra, e na vizinhança de um nó rodoviário do IC 16.
Os moinhos possuem torre de planta circular, em alvenaria de pedra e argamassa. O exemplar que se presume mais antigo, a Nascente do conjunto, é constituído por piso térreo e um andar de sobrado, e foi restaurado em 1997, por iniciativa da Junta de Freguesia. No piso inferior existem apenas alguns armários, em vãos escavados nas grossas paredes de 1,30 m de espessura, tendo desaparecido todos os componentes do mecanismo de moagem. No piso superior, acessível por uma escada de pedra em caracol, resta o mastro do velame, de madeira, e os elementos adjacentes. A cobertura, ou capelo, é formada por uma estrutura cónica em madeira, assente num aro, e forrada no exterior por folha de zinco. O mastro, de secção oitavada a partir da abertura, conserva as oito varas de suporte do velame, que não existe actualmente. Nada resta igualmente do mecanismo de moagem propriamente dito, nem sequer as mós.
O segundo moinho não foi sujeito a qualquer restauro, encontrando-se nitidamente degradado. É muito idêntico ao anterior, mas estrutura-se em três pisos, sendo os dois superiores de sobrado, quase totalmente destruídos. Em cada andar existem duas mós, as do piso intermédio destinadas à moagem de cevada e centeio, e as do terceiro piso, de grão mais fino, destinadas apenas ao trigo. Esta diferenciação, possível pelo acrescento tardio do piso superior, ocorreu entre os séculos XVIII e XIX. Sob o capelo conserva-se ainda o mastro, bem como alguns elementos do mecanismo e do travamento.
A alguma distância do conjunto dos moinhos levanta-se um singelo monumento ao poeta árabe do século XI Abu Zayd ' Abd ar-Rahmãn ibn Muqana, natural de Alcabideche, então Al-Qabdaq. Pertencem a Ibn Muqana as primeiras referências conhecidas aos moinhos de vento na região, se não mesmo em toda a Península Ibérica, na forma de poemas, dos quais um significativo trecho se encontra reproduzido na lápide comemorativa. As obras do nó rodoviário de Alcabideche, para além de quebrarem a ligação entre as moendas e desvirtuarem o seu enquadramento, vieram afectar em muito a legibilidade do conjunto formado por estas e pela lápide, cujo principal valor patrimonial residia na relação com os moinhos a que os versos aludem.
Sílvia Leite /DIDA/IGESPAR, I.P./19-10-2007
Diploma de Classificação
Aviso de 24-10-2011 da CM de Cascais, publicado no Boletim Municipal de 2-11-2011
Despacho de 12-10-2011 da Vereadora da Cultura e Educação da CM de Cascais a homologar a classificação como CIM dos dois moinhos de vento da Quinta dos Cinco Ventos e o Monumento ao poeta Árabe
Em 28-10-2008 foi dado conhecimento do despacho aos interessados
Despacho de revogação de 4-09-2008 da subdirectora do IGESPAR, I.P.
Proposta de 8-08-2008 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a revogação do despacho de abertura
Em 30-06-2008 foi promovida a audiência dos interessados
Despacho de 23-06-2008 da subdirectora do IGESPAR, I.P. a determinar que se promovesse a audiência dos interessados
Proposta de 13-05-2008 da DRC de Lisboa e Vae do Tejo para a revogação do despacho de abertura, por os moinhos não terem um valor patrimonial de âmbito nacional
Despacho de abertura de 6-03-1997 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 6-03-1997 do Departamento de Arqueologia do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta da JF de Alcabideche para a classificação de dois moinhos de ventos situados junto ao chamado monumento ao Árabe
Número do Processo
Não disponível