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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Cemitério visigótico de Alcoitão

Arqueologia / Necrópole

Designação
Designação Atual
Cemitério visigótico de Alcoitão
Outras Designações
Cemitério do Alto da Peça / Cemitério Visigótico de Alcoitão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Necrópole
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O município de Cascais evidencia uma activa ocupação humana desde a mais Alta Antiguidade, tendo sido especialmente explorado durante o período romano, como atestarão os complexos industriais aí identificados e as uillas exumadas, certamente graças à grande proximidade geográfica com a grande urbe de Olisipo (Cf. CABRAL, J., 1987; CARDOSO, G., 1991; Id., ENCARNAÇÃO, J. d', 1990).

À semelhança do que sucedeu com parte significativa dos vestígios de comunidades humanas na zona, foi o conhecido geólogo Francisco de Paula Oliveira, da Commissão dos Serviços Geológicos, quem, entre finais dos anos oitenta e inícios dos anos noventa do século XIX, estudou o "Cemitério Visigótico de Alcoitão" (também conhecido por "Cemitério do Alto da Peça"). Foram, então, encontradas 34 sepulturas (OLIVEIRA, F. de P. e, 1889, vol. II, pp. 82-108), "[...] estruturadas e cobertas por lajes, orientadas poente-nascente, integravam sete filas, a mais extensa das quais com sete sepulturas." (GOMES, M. V., 2002, p. 373), contendo, por vezes, mais de uma inumação, não deixando de ser significativo que estas mesmas características (de par com medições variáveis entre 1.80m e 2.2 m de comprimento) fossem reencontradas numa segunda necrópole datada do mesmo período, entretanto identificada a Norte da povoação de Abuxarda, nas suas proximidades.

A descoberta da necrópole de Alcoitão não poderia deixar de chamar a atenção de todos quantos, entre os séculos XIX e XX, se dedicaram ao estudo do passado, nomeadamente dos investigadores que, residindo em Lisboa, teriam maior facilidade em se deslocar a esta estação arqueológica, muitas vezes apoiados pelas ainda escassas instituições integralmente consagradas à preservação dos legados de antanho, numa altura em que a legislação portuguesa decretava a existência de um valor archeologico (Cf. MARTINS, A. C., 2005) e o Muzeu Ethnographico Portuguez aumentava substancialmente as suas actividades graças ao empenho do seu carismático director, José Leite de Vasconcellos (1858-1941), a quem se deve, na verdade, a primeira classificação daquele testemunho funerário, atribuindo-o a uma origem germânica e visigótica (GOMES, M. V., Idem, p. 373).

Um interesse arqueológico que não mais desapareceria. Pelo contrário, o interesse pela estação mereceu uma atenção acrescida, já na década de trinta, altura em que alcançou visibilidade internacional, especialmente pela análise osteológica dos inumados. O estudo da necrópole foi retomado logo no decénio subsequente, num momento em que se uniam esforços - designadamente com o apoio da "Junta de Turismo do Estoril" - de modo a conhecer com maior profundidade o passado do termo de Cascais, dessa feita, por mão de nomes tão incontornáveis (quanto, por vezes, polémicos) da historiografia arqueológica nacional, como os do militar Afonso do Paço (1895-1968) e do clérigo Eugène Jalhay (1891-1950) (Cf. PAÇO, A. do, 1959 e MARTINS, A. C., Idem.), muitos anos antes de terem sido realizados trabalhos de emergência n cemitério, já em meados dos anos noventa, em vista do acentuado risco de destruição dos elementos remanescentes (CARDOSO, G., ENCARNAÇÃO, J. d', TRINDADE, L., 2001, p. 192).

Os estudos osteológicos revelaram, ainda, que, à semelhança do que ocorre noutras necrópoles visigóticas (designadamente nas de Abuxarda e de Silveirona, esta última nos arredores de Estremoz) "As estaturas observadas são, em média, algo inferiores às da população portuguesa actual." (GOMES, M. V., Idem., p. 383), concluindo-se, a par de outros dados, "[...] ter existido, para o período em questão, continuidade racial, embora sob influência nórdica ou centro-europeia, tratando-se, pois, de populações não estritamente visigóticas mas, sobretudo, "visigotizadas"." (Ibid.), como parece constatar-se no caso de Silveirona (vide supra)
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Edital de 22-01-1997 da CM de Cascais
Despacho de homologação e classificação de 7-10-1997 do Ministro da Cultura
Parecer de 16-07-1993 da 2.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Despacho de abertura de 11-01-1991 do vice-presidente do IPPC
Proposta de 11-01-1991 do IPPC para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 21-12-1990 da CM de Cascais
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Cascais / Alcabideche
Estrada de Alcoitão para Sintra
Alcoitão -
Polícia:
LATITUDE
38.730226
LONGITUDE
-9.398239
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1858
1858-1941), a quem se deve, na verdade, a primeira classificação daquele testemunho funerário, atribuindo-o a uma ori...
1889
1889, vol.
1891
1891-1950) (Cf.
1895
1895-1968) e do clérigo Eugène Jalhay (1891-1950) (Cf. P
1941
1941), a quem se deve, na verdade, a primeira classificação daquele testemunho funerário, atribuindo-o a uma origem g...
1950
1950) (Cf.
1959
1959 e MARTINS, A.
1968
1968) e do clérigo Eugène Jalhay (1891-1950) (Cf. P
1987
1987; CARDOSO, G., 1991; Id., ENCARNAÇÃO, J. d
1990
1990 da CM de Cascais O município de Cascais evidencia uma activa ocupação humana desde a mais Alta Antiguidade, tend...
1991
1991 do vice-presidente do IPPC Proposta de 11-01-1991 do IPPC para a abertura da instrução de processo de classifica...
1993
1993 da 2.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP Despacho de abertura de 11-01-19...
1997
1997 (ver Decreto) Edital de 22-01-1997 da CM de Cascais Despacho de homologação e classificação de 7-10-1997 do Mini...
2001
2001, p.
2002
2002, p.
2005
2005) e o Muzeu Ethnographico Portuguez aumentava substancialmente as suas actividades graças ao empenho do seu caris...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Esboço arqueológico do concelho de Cascais", Boletim do Museu Biblioteca dos Condes de Castro Guimarães FIGUEIREDO, Fausto J. A. de, PAÇO, Manuel Afonso do Edição 1943 Cascais
Cascais no tempo dos Romanos CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d' Edição 1986 Cascais
Carta arqueológica do Concelho de Cascais CARDOSO, Guilherme Edição 1991 Cascais
"Cascais no tempo dos romanos", Revista de Arqueologia CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d' Edição 1990 Lisboa
"Cemitério visigótico de Alcoitão", Al-madan CARDOSO, Guilherme, ENCARNAÇÃO, José d', TRINDADE, Lurdes Edição 2001 Almada
"Vestígios de influência germânica no concelho de Cascais", Bracara Augusta PAÇO, Manuel Afonso do Edição 1959 Braga
"A necrópole visigótica do Poço dos Mouros (Silves)", Revista Portuguesa de Arqueologia GOMES, Mário Varela Edição 2002 Lisboa
"Antiquités préhistóriques et romaines des environs de Cascaes", Comunicações da Comissão de Trabalhos Geológicos OLIVEIRA, Francisco de Paula e Edição 1889 Lisboa
Roman Portugal ALARCÃO, Jorge Manuel N. L. Edição 1988 Warminster
A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras. MARTINS, Ana Cristina Edição 2005 Lisboa
"O índice cnémico nas tíbias humanas das estações romanas da Alcoutão e Fonte do Padre Pedro", Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal SOEIRO, M. B. Barbosa, FERNANDES, A. M. Viana Edição 1933 Lisboa
"Características de uma população romana (?) de Cascais", Contribuições para o estudo da Antropologia Portuguesa ROCHA, Maria Augusta de Almeida Tavares da Edição 1970 Coimbra
"Património histórico cultural de Cascais - novas perspectivas", Arquivo de Cascais CABRAL, João Edição 1987 Cascais

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