Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A mina de água situada junto da Avenida dos Combatentes da Grande Guerra na Amadora, encontra-se inserida no designado "Jardim da Mina", hoje rodeado por prédios. No entanto, antes da explosão demográfica do concelho, ocorrida após a construção da linha de caminho-de-ferro que ligava Lisboa a Sintra em 1887, este local correspondia a uma zona agrícola. Esta mina é apenas uma das muitas que existiam ao longo do percurso do Aqueduto das Águas Livres e que serviam para a sua alimentação natural. Hoje, o depósito de água que existe fica no interior de uma estrutura composta por blocos de pedra mal aparelhados que simulam uma gruta, algo muito comum nos arranjos paisagísticos de finais do século XIX, inícios do XX. Para se aceder à água é necessário transpor uma porta com gradeamento que depois dá acesso a uma escadaria com vinte e dois degraus escavados na rocha, sendo que a ligação ao aqueduto era feita por uma galeria com cerca de 200 m de comprimento. Em redor da gruta que mantém o aspeto conferido em 1913, época do projeto definitivo, ainda existe um pequeno espaço ajardinado, o já referido "Jardim da Mina", magro vestígio da zona arborizada de outrora, destacando-se ainda, em frente da entrada, um pavimento em calçada preta e branca.
História
No século XIX era pouca a utilização que se fazia da mina existente neste local, à exceção do uso de um tanque para lavagem da roupa construído nessa época e que era alugado às lavadeiras. No entanto, no início do século XX, António Cardoso Lopes, empresário da construção civil e dono da empresa "Bairro Parque Lda" solicitou a concessão desta água que se encontrava na sua propriedade, a qual lhe foi conferida em 1910. Cardoso Lopes, conhecido a partir de então como Lopes da Mina, foi o promotor da urbanização do "Bairro-Parque da Mina" e mais tarde vereador da Câmara Municipal de Oeiras à qual pertencia a Amadora. Foi também ele que encarregou, em 1910, o arquiteto Jesuíno Ganhado, responsável também pela nova urbanização, de executar um arranjo especial para mina de água, projeto este que implicaria a extensão da galeria já existente por mais oito metros, fazendo-se a junção de ambas por um átrio circular iluminado por uma claraboia. Apesar de este arranjo nunca ter sido executado, em 1911 tiveram início obras de reabilitação da nascente, cuja água foi então enviada para análise e a sua qualidade confirmada. Foi nessa data também que se procedeu à limpeza e desentulhamento do local, construindo-se uma porta que pudesse assegurar a manutenção do espaço. Aquando da festiva inauguração do novo bairro, em 1913, pelo Presidente Manuel de Arriaga, foi colocada sobre a entrada da mina uma placa alusiva ao acontecimento, entretanto retirada e substituída por outra idêntica. Devido às supostas qualidades medicinais da água o próprio bairro chegou a ser chamado de "Bairro da Saúde".
Sílvia Leite/IGESPAR/2010. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016 com a colaboração de Gisela Encarnação/C. M. Amadora.
Diploma de Classificação
Deliberação de 5-04-2017 da CM da Amadora a aprovar a classificação como SIM (aguarda correção da categoria de classificação)
Em 31-05-2011 foi dado conhecimento à CM da Amadora do despacho de arquivamento
Despacho de arquivamento de 23-02-2010 do director do IGESPAR, I.P.
Proposta de 19-02-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para arquivamento do procedimento de âmbito nacional
Pedido de parecer de 6-11-2008 da CM da Amadora sobre a classificação como de IM
Deliberação de 15-10-2008 da CM da Amadora a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível