Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situados no bairro de Marvila, em Lisboa, uma "área marcada por forte implantação industrial e pela tradição das tanoarias e pela contentorização de vinhos" (Folgado, Custódio: 1999, p. 158), os Armazéns Vinícolas Abel Pereira da Fonseca implantam-se na Praça David Leandro da Silva, ocupando o gaveto com a Rua Amorim. O edifício foi construído em 1910. No ano de 1917 foram executadas as obras que deram ao edifício principal as feições atuais, e em 1924 foi ampliado no tardoz, até à Av. Infante D. Henrique.
O imóvel é composto por três corpos justapostos de planta retangular. O edifício principal, com dois pisos, apresenta fachada de gosto eclético marcada pela abertura de dois grandes janelões circulares, destacando-se a simetria dos volumes, estabelecida pela divisão do frontispício em três panos, dois laterais exatamente iguais e um central, de menores dimensões, que confere harmonia ao conjunto.
Os volumes laterais da fachada são delimitados por duas bases de pilastras rusticadas, apresentando três portas de ferro e vidro em arco de volta perfeita no piso térreo, a do centro de maiores dimensões. No piso superior, uma grande janela circular de estrutura em ferro precedida por varandim em ferro forjado é enquadrada por cartela semi-circular identificando a firma proprietária, ABEL PEREIRA DA FONSECA SARL, e um festão com parras e uvas esculpidas em alto-relevo. O corpo central do frontispício, de cércea mais baixa, possui no piso inferior um grande portão de ferro e vidro integrado num arco rebaixado com moldura rusticada e a inscrição ARMAZÉM no fecho. O piso superior divide-se em três janelas de peito com guarda de ferro encimadas por friso em forma de arco rebaixado. Este conjunto central é rematado por frontão geométrico interrompido por medalhão com o símbolo da firma.
Na fachada lateral, também demarcada por pilares rusticados, abrem-se no piso térreo três portas de ferro e vidro, com moldura de volta perfeita, encimadas por três janelas de peito com guarda de ferro. O conjunto é rematado por cornija com enrolamentos decorativos nas extremidades.
História
Fundada em 1907, a firma Abel Pereira da Fonseca e Cª, ligada à produção e comércio de vinhos, instalou-se inicialmente nuns armazéns na Rua da Manutenção do Estado, a Xabregas, instalando-se em Marvila em 1910. A mudança para a zona oriental de Lisboa deveu-se não só ao facto de esta ser então o centro da indústria e do comércio vinícola da capital, mas também de os novos armazéns da APF se localizarem encostados ao rio Tejo, a via de circulação por excelência para as mercadorias e produtos que à época abasteciam a cidade. Originalmente o armazém tinha "a fachada principal sobranceira ao Tejo e assentava numa infra-estrutura em arco na qual entrava a água", junto ao qual estava instalado o cais privativo da APF (Idem).
No ano de 1917 Abel Pereira da Fonseca contratou Manuel Joaquim Norte Júnior para desenhar o projeto de um novo armazém de que resta o edifício principal descrito. O arquiteto, então já vencedor de quatro prémios Valmor, demonstra a sua excelência enquanto projetista, desenhando um espaço onde as "formas e a volumetria da fachada principal aludem às actividades de transporte, armazenamento e comércio" do vinho (Idem, p. 159). Ao mesmo tempo, Norte Júnior imprimiu aos armazéns APF a sua marca eclética e reconhecidamente ornamental, transformando um espaço que se pretendia utilitário e de cariz industrial numa estrutura onde o cuidado estético e a harmonia das formas são dominantes. Aqui irá aprimorar elementos decorativos utilizados em projetos anteriores, como os janelões circulares da fachada, uma ampliação do modelo que se encontra na fachada lateral do palacete da Praça Duque de Saldanha, edificado em 1910, ou os recortes de gosto vincadamente Arte Nova das portas de ferro, muito semelhantes aos dos empregues nos palacetes das avenidas de Berna e Fontes Pereira de Melo.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018
Diploma de Classificação
(Aguarda alteração da categoria de classificação de IIM para MIM ou IM para se registar a classificação)
Edital n.º 8/2012 de 20-01-2012 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 936 de 26-01-2012
Deliberação de 6-04-2011 da CM de Lisboa a aprovar a classificação como IIM
Edital n.º 64/2007 de 18-07-2007 da CM de Lisboa, publicado no Boletim Municipal n.º 701 de 26-07-2007
Despacho de 9-04-2007 do Diretor Municipal de Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível