Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O edifício do século XIX, onde se encontra instalada a Biblioteca Municipal de Dom Dinis, localiza-se na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, próximo do Mosteiro de São Dinis, em Odivelas. Esta construção integrou outrora a quinta agrícola e de recreio de Nossa Senhora do Monte do Carmo, tendo sido adquirida no último quartel do século XIX por um beirão, José Rodrigues Mendes.
A quinta era constituída por um núcleo habitacional, um mirante e um lago, bem como por áreas de recreio e produção agrícola. Das construções que compunham esta grande unidade agrícola, subsistem atualmente os edifícios das antigas casas dos serviçais (em ruínas), o edifício residencial (atual biblioteca), parte da capela e o mirante.
A biblioteca encontra-se instalada no edifício nobre que servia para residência dos proprietários da quinta. De planta quadrangular, compõe-se por fachadas percorridas por soco e rematadas por friso e cornija, sobre os quais correm platibandas plenas ornadas por estrias que centram empenas mais altas a marcar o segundo piso, recortadas e ornadas igualmente por frisos em azulejo polícromo e cornijas. A cobertura é feita por telhados de três águas inscritas em cada um dos quatro tramos.
Toda a compartimentação habitacional do interior da antiga casa desapareceu por completo após um grave incêndio ocorrido em 1992. Com o objetivo de instalar a biblioteca municipal realizou-se uma profunda campanha de obras que se prolongou até 1997.
Separada do edifício principal por um pátio, a antiga capela, de planta retangular, foi transformada em receção da biblioteca, conservando como património integrado de interesse cultural evidente o retábulo em talha dourada, o púlpito com bacia setecentista e a lápide tumular de Gil Vaz Lobo.
História
As primeiras referências aos edifícios que compunham a quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo datam da segunda metade do século XVII. O seu primeiro proprietário (conhecido) foi D. Gil Vaz Lobo, um dos conjurados que em 1640 restauraram a independência de Portugal, tendo sido Governador de Armas da Província da Beira, o que o obrigou a fixar residência em Castelo Branco.
A capela foi edificada, também, por Gil Vaz Lobo, resultando, eventualmente, da ampliação do edificado Seiscentista pré-existente, o que nos leva a presumir a existência da casa principal de habitação (embora não com a dimensão que viria a ter no século XIX), bem como de vários cómodos agrícolas.
A quinta incluía jardins e terrenos agrícolas, pomar, vinha, eira, lago e mirante, entre outros, e estendia-se, a sul, até ao Mosteiro de São Dinis, e, a norte, muito para lá do grande lago e mirante. Esteve na posse de diversos proprietários, até ser doada em 1953, pelo então proprietário, Dr. Abreu Lopes, à Câmara Municipal de Loures. A parte agrícola e de recreio da quinta foi sendo sucessivamente aforada e loteada, conservando-se a sua memória apenas na designação "Quinta de Nossa Senhora do Monte do Carmo".
Após o incêndio de 1992, a antiga casa da quinta foi recuperada pela Câmara Municipal de Loures, com o intuito de a transformar num espaço público de cultura e educação. A Biblioteca Municipal foi inaugurada a 22 de novembro de 1997.
Paulo Martins
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Em 28-07-2014 foi dado conhecimento do despacho à CM de Odivelas, informando que a DGPC aguardava a correção da categoria de classificação
Despacho de arquivamento de 4-06-2014 do diretor-geral da DGPC
Proposta de arquivamento de 30-05-2014 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC, por não ter valor nacional
Pedido de parecer de 10-12-2013 da CM de Odivelas sobre a classificação como de IM, informando que caso fosse favorável a CM retificaria a categoria aprovada para MIM
Edital n.º 804/2013, DR, 2.ª série, n.º 153 de 9-08-2013 (ver Edital)
Deliberação camarária de 24-04-2013 para a classificação como de IIM
Número do Processo
Não disponível