Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado na principal avenida da cidade (Avenida Luísa Todi), para onde se encontra voltada a sua fachada principal, o antigo edifício do Banco de Portugal corresponde a um projeto da autoria do arquiteto Arnaldo Adães Bermudes (1864-1948). Nele se pode observar uma linguagem eclética e decorativa, de desenho neoclássico revivalista, carregado de um elevado conjunto de elementos de "sabor afrancesado" ... assumindo um protagonismo particular na história e cultura setubalense ... objeto de referência no panorama arquitetónico da cidade. (Processo de Classificação, C.M.S, 2011).
O edifício é composto por planta quadrangular desenvolvendo-se em dois volumes distintos: o principal, virado a Norte que corresponde à antiga sede do banco com dois pisos, e um volume secundário, virado a Sul, com quatro pisos sendo o último amansardado.
A fachada principal organiza-se em três panos com duas ordens de vãos destacando-se as colunas adossadas com capiteis de inspiração jónica mas com motivos revivalistas manuelinos e um frontão entrecortado de volutas e acrotérios suportando por urnas decoradas em cantaria onde surge também o escudo da República Portuguesa.
Os vãos centrais da fachada principal possuem verga curva de volta perfeita mas os laterais são de sacada com balaustrada em cantaria. No registo superior, por sua vez, os vãos que estão alinhados com os inferiores, possuem igual balaustrada.
Infelizmente em 2013, quando se procedeu à adaptação do edifício a Galeria Municipal, foi desenhado um novo acesso que acabou por ocultar o elegante embasamento original em pedra desta fachada prejudicando assim a sua visibilidade.
A fachada posterior, por sua vez, foi reconstruída nos anos 60, observando-se que os vãos apresentam uma linguagem mais moderna e sem qualquer moldura.
No interior ainda é possível observar o átrio de entrada original com ligação aos restantes espaços, bem como os vãos que são encimados por frontões curvos. De destacar ainda os armários de madeira desenhados por Adães Bermudes e as decorações do teto, na zona do átrio, com motivos florais e pequenos cachorros com volutas. O piso superior, por sua vez, apresenta poucos elementos de interesse dadas as alterações que foi sofrendo ao longo dos tempos.
História
Na primeira metade do século XIX a administração municipal procede à realização dos aterros que estão na base da construção e arborização da Rua da Praia como era conhecida inicialmente a Avenida Luísa Todi. A fama deste passeio público relacionava-se com a frequência da praia considerada uma das melhores de Portugal (ORTIGÃO, Ramalho). No entanto, no dealbar do século XX, a cidade de Setúbal assistiu a um grande incremento da atividade pesqueira e da indústria de conservas, levando a que a qualidade das praias tivesse decrescido.
O edifício albergou a primeira da Agência do Banco de Portugal em Setúbal pois em 1926 a cidade tinha sido elevada a capital de Distrito. O início da construção data de 1923 terminando em 1928. O projeto inicial integrava uma cave onde se situavam as casas fortes e as arrecadações, correspondendo o piso térreo ao vestíbulo e às várias dependências de uso mais público que se prolongavam igualmente pelo primeiro andar.
No ano de 1966 implementou-se um projeto da responsabilidade do Engº Augusto Morais Jalles integrando alterações do corpo Sul com a construção de um piso amansardado e um piso intermédio destinado às residências dos funcionários, provocando uma alteração profunda dos vãos.
Em 1994 a agência fecha as suas portas tendo o imóvel sido vendido, em 1999, à Sociedade Empresarial da Região de Setúbal. Depois de várias tentativas de reformular os interiores do imóvel, colocando assim em perigo a sua arquitetura original, acabou o edifício por passar para a Câmara Municipal correspondendo hoje à Galeria Municipal.
Maria Ramalho/DGPC/2018
Diploma de Classificação
Edital N.º 10/2015 da CM de Setúbal
Deliberação N.º 328/15, de 18 e 21-12-2015 da AM de Setúbal, após proposta de 28-10-2015 da CM de Setúbal, a aprovar a classificação como MIM
Anúncio n.º 170/2015, DR, 2.ª série, n.º 122, de 25-06-2015 (ver Anúncio)
Em 19-06-2015 foi dado conhecimento à CM do despacho de arquivamento do procedimento de classificação de âmbito nacional, e enviada cópia do processo para a ponderação da classificação como MIM
Despacho de arquivamento de 18-05-2015 do diretor-geral da DGPC
Parecer favorável de 6-05-2015 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-12-2014 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para arquivamento do procedimento de âmbito nacional, atendendo às obras que foram realizadas no imóvel ao longo dos anos, e envio de cópia do processo à CM de Setúbal para ponderação da classificação como MIM
Anúncio n.º 94/2013, DR, 2.ª série, n.º 45, de 5-03-2013 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 2-10-2012 do diretor-geral da DGPC
Parecer de 26-09-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultural a propor a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 14-03-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para arquivamento do procedimento de âmbito nacional, enviando cópia do processo à CM de Setúbal para a eventual classificação como de IM
Proposta de classificação de 29-04-2011 da CM de Setúbal
Número do Processo
Não disponível