Nota Histórico-Artistica
Conjunto
O Colonato Agrícola de Pegões Velhos, integrado na Herdade de Rovisco, com 4 700 hectares, situa-se no Município de Montijo. No projeto dos 3 assentamentos - Faias, Pegões Velhos e Figueiras - os elementos estruturantes são as vias, os sistemas de rega e as linhas de água. No centro dos "eixos" dos primeiros 2 núcleos encontram-se os 18 edifícios dos equipamentos de comércio, educação, lazer, culto e assistência social, implantados em esquema concentrado.
Em termos estéticos e materiais, verifica-se a presença na paisagem de assentamentos com tipologias morfológicas diferenciadas, zonas dos equipamentos públicos de índole moderna, bem como, 4 tendências arquitetónicas inerentes à conceção das colónias agrícolas. No âmbito das artes, importa referir as obras de Severo Portela Júnior e Artur Bual, que integram a Igreja de Santo Isidro e a Capela das Faias, respetivamente. Em termos técnicos, comprova-se a eficácia dos pressupostos científicos que presidiram à implantação da colónia relativamente ao modo e técnicas de produção agrícola, como por exemplo, o sistema de rega artificial do assentamento das Figueiras. Relativamente à utilização de sistemas construtivos e materiais novos na arquitetura, de salientar o uso do betão armado e do fuso cerâmico, em especial, no conjunto de Santo Isidro.
Pegões é um ex-libris das conceções diferenciadas, tanto ao nível urbanístico quanto arquitetónico, por ser um catálogo onde se encontram todas as tendências. Nos planos de ordenamento verifica-se a presença simultânea das 3 tipologias: dispersa, semi-dispersa ou concentrada. Saliente-se também a presença de projetos paisagísticos com diferentes escalas, desde assentamentos (Alpenduradas) até parcelas com equipamentos, como, por exemplo, a Adega Cooperativa de Pegões.
Planos e obras idealizadas por arquitetos, paisagistas e pintores conceituados no panorama português, no âmbito da arquitetura, urbanismo, paisagismo e artes plásticas, tais como, os arquitetos Alfredo Marçal da Mata Antunes, Maurício Trindade Chagas, Eugénio Correa e Celestino de Castro; o arquiteto paisagista António Roquette Campello e os artistas Severo Portela Júnior e Artur Bual História
Testemunho simbólico da vertente progressista da política agrária do Estado Novo, baseada na modernização, revalorização e reforma da exploração agrícola.
Em 1952 (5 anos após o início das obras de transformação da herdade), ali se fixaram 207 famílias a título experimental, por 3 anos, prorrogáveis até ao máximo de 5. As parcelas possuíam cerca de 18 hectares, distribuídas por 11 de sequeiro, 4 de vinha, 1 de regadio e 2 de pinhal, e a parte "urbana" onde se situava o casal (habitação, anexos agrícolas e nitreira). Aquando da instalação, cada família recebeu 1 vaca, 1 vitela, 1 égua, 1 carroça com alfaias e 6 mil escudos de empréstimo para começar a atividade agrícola.
Em 1958 foi constituída a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, considerada uma infraestrutura indispensável de apoio ao plano de fomento e ordenamento agrícola que, em parceria com a Junta Nacional do Vinho, explorou cerca de 800 hectares de vinha, provendo os meios técnicos e humanos necessários. Após a Revolução de 1974, a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro implementou um projeto de ampliação/modernização que levou a que os vinhos de Pegões fossem reconhecidos e premiados a nível nacional e internacional.
Relativamente à posse da terra pelos colonos, após aquela revolução, e com a consequente extinção da JCI, iniciou-se um longo processo de regularização da posse dos casais e terrenos agrícolas, até então Património do Estado. A insistência dos colonos levou à atribuição da posse plena das suas frações em finais da década de 1980.
Lucinda Caetano/DGPC/2022
Diploma de Classificação
Em 28-04-2025 foram solicitados pareceres à CCDR de LVT e à CM do Montijo
Despacho de concordância de 4-04-2025 do presidente do Património Cultural, IP
Proposta de 27-03-2025 do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, IP para a classificação como CIP
Anúncio n.º 67/2023, DR, 2.ª série, n.º 69, de 6-04-2023 (ver Anúncio)
Despacho de 22-12-2022 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 19-12-2022 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a abertura de pocedimento de classificação de âmbito nacional
Edital N.º 142/2008 de 5-09-2008 da CM de Montijo
Deliberação de 20-08-2008 da CM de Montijo a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM