Nota Histórico-Artistica
Em 1728, na sequência da intenção de construir o Palácio real de Vendas Novas, D. João V determinou obras na estrada entre Aldeia Gallega e Vendas Novas, transformando-a, então, em Estrada Real, ou de primeira importância no leque de vias terrestres do reino. As obras devem ter decorrido entre Março de 1728 e Janeiro de 1729, estando a cargo do coronel de engenharia José da Silva Pais e Vasconcellos e do capitão de engenharia Custódio Vieira (FERRÃO, 1989, pp.522-523). Durante esse ano, sabe-se que Pegões foi um dos locais de estabelecimento do estaleiro de obras, mas em local ainda desconhecido.
Ao longo da estrada, edificaram-se quatro fontanários para abastecimento de homens e animais de carga, que viriam a desempenhar importante papel na actividade da Posta, carreira de Correios para o Sul do país e para a fronteira espanhola que estava sediada em Aldeia Gallega desde 1531 (BALDRICO, 2000, p.6). Posteriormente, o fontanário foi utilizado pela Mala Posta, criada em 1854, até que a construção do caminho de ferro entre a actual cidade de Montijo e Vendas Novas determinou o abandono do itinerário terrestre em benefício da ligação ferroviária.
Só o fontanário está classificado mas, inicialmente, a crer nas notícias que chegaram aos nossos dias, aqui existia um complexo religioso-civil, constituído por diversos equipamentos. Para além do bebedouro, de uma capela dedicada a Nossa Senhora do Loreto e de um marco que se encontra presentemente no Museu da Junta Autónoma de Estradas, existia um relativamente complexo de condutas, referidas pelo Padre João Campos, e que ligavam o fontanário à ribeira (LOURO, 1974, p.61). Paralelamente, como estação da Mala-Posta, deveria dispor de estruturas de mudança de montaria, como um albergue, ou casa do mestre-de-posta, a que se juntariam outras dependências civis, com certeza modestas, que entretanto se perderam. Infelizmente, no recente restauro a que o monumento foi sujeito, não se efectuaram sondagens arqueológicas nas imediações, procedimento que certamente teria sido muito útil para a confirmação, ou rejeição, de muitas destas antigas informações acerca da provável estação da mala-posta aqui estabelecida.
O fontanário compõe-se de duas partes essenciais. Em altura, um corpo ladeado por duas grandes volutas ostentando, ao centro, um medalhão com a data de conclusão da obra, hoje ilegível. Uma pequena modenatura, de leve sabor decorativo, prepara a pequena estrutura que coroa o conjunto, composta por uma cruz e ladeada por duas pequena volutas. Num plano horizontal, e acompanhando todo o fontanário, desenvolve-se a estrutura do bebedouro, para onde era canalizada a água do riacho que corre a nascente. Na actualidade, a cota a que este tanque se encontra denuncia que a estrada original era bem mais baixa que a que hoje cruza o território, encontrando-se o fontanário numa das bermas da via, a um nível muito baixo e, por isso, mais sujeito a estragos provocados pelas águas.
O marco de légua, presentemente no Museu da Junta Autónoma das Estradas, é uma peça monolítica cujos lavores decorativos formam uma moldura que rompe com a verticalidade linear da peça, onde se inscreveu a legenda alusiva às léguas que, desde o início do seu traçado, a estrada possuía no local onde estava implantado. Conhecem-se três marcos idênticos ao que se encontrava junto do fontanário na recta de Pegões, inicialmente dispostos ao longo da via utilizada pela Mala Posta: um actualmente no Montijo, no jardim municipal da Av. 25 de Abril, e dois colocados à entrada da propriedade Barroca d'Alva, no concelho de Alcochete (GRAÇA, 1989, p.136). Contemporâneos da renovação joanina da Estrada Real, todos correspondem a uma campanha coerente de embelezamento da via entre Aldeia Gallega e Vendas Novas, adoptada posteriormente pela Mala Posta. O de Pegões esteve no local original até 1978, altura em que transitou para o Museu da Junta Autónoma das Estradas.
PAF
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Edital de 26-11-1990 da CM de Montijo
Despacho de homologação de 20-08-1990 da Subsecretária de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 3-08-1990 do presidente do IPPC
Parecer de 21-09-1990 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como VC
Proposta de classificação de 10-03-1989 da CM de Montijo