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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira
Outras Designações
Igreja Paroquial de Canha / Igreja de Nossa Senhora da Oliveira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A primeira informação que possuímos acerca deste templo - então designado por Igreja de Santa Maria de Canha - data de 1252. Sabendo-se que a vila recebeu foral em 1235, passado por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago em Portugal, tudo indica que a edificação da igreja tenha acontecido na sequência da tomada de posse do território por parte daquela Ordem, instituição a que se deve a primitiva organização cristã pós-reconquista da região. Ainda hoje, Canha encontra-se vinculada ao Distrito de Setúbal pela ligação do seu passado histórico aos santiaguistas, e não às terras de Montemor e de Évora, com as quais a freguesia confronta e tem mais fáceis acessos.
Do período medieval da igreja, todavia, e à excepção do antigo orago, nada chegou até aos nossos dias. A sua actual configuração data da época moderna, período de relativa decadência da vila mas que foi importante o suficiente para nos legar grande parte das características artísticas da localidade. Através das Visitações efectuadas pela Ordem de Santiago a esta sua antiga comenda, sabemos que os primeiros anos do século XVI foram marcados por importantes obras no templo, algumas em consequência do terramoto de 1531 (LUCAS, s.d., p.25). Infelizmente, também elas foram largamente sacrificadas nos séculos seguintes, restando o lavabo renascentista da sacristia como testemunho notável dessa etapa da história da igreja.
Anexa à nave, pelo lado Sul, conserva-se a mais importante parcela do monumento: a capela funerária de Nossa Senhora do Rosário, mandada construir pelo Padre António Gonçalves, que se fez sepultar em campa rasa junto ao altar. De planta rectangular, é acessível através de um arco maneirista, de volta perfeita, e possui as paredes integralmente cobertas por azulejos enxaquetados dispostos em losangos e formando uma parede-tapete. A pintura do tecto obedece aos mesmos esquemas geométricos ritmados, ostentando, ao centro, um medalhão com a espada da Ordem de Santiago, e o altar é forrado por um frontal de azulejos de tons quentes, certamente importado das oficinas de Talavera de la Reina.
A parede nascente desta capela é totalmente coberta por um retábulo maneirista, de estrutura vertical quadripartida, presumivelmente atribuído ao entalhador Jacques de Campos. Nele se inscrevem cinco tábuas - Adoração dos Reis Magos; Visitação; Santiago Maior; Adoração dos Pastores e Nossa Senhora do Rosário - restando ainda a dúvida sobre uma sexta pintura, alusiva a Santiago. Estilisticamente, tratam-se de obras aparentadas com o pintor lisboeta Diogo Teixeira, eventualmente um seu discípulo, Tomás Luís (SERRÃO, 2002, p.233), que sabemos ter trabalhado para a Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo (actual Montijo), a partir de uma encomenda feita a Diogo Teixeira que este não pôde cumprir.
A igreja propriamente dita compõe-se de nave única e capela-mor rectangular. Na sacristia, a identificação recente de uma inscrição com a data de 1774 vem colocar a hipótese de, por essa altura, se ter consumado uma reforma estrutural de grande porte. Dessa campanha farão parte os dois retábulos laterais (não exactamente coincidentes em termos cronológicos), em talha dourada, únicos que sobreviveram dos cinco mencionados em 1758: Retábulo-mor e retábulos de Santo António, São Miguel, Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário (LOURO, 1974, pp.6-7).
No século XIX deram-se novas obras, sendo a principal a substituição do retábulo-mor pelo actual, de cariz neoclássico e popular, mas que pretendeu reafirmar um figurino estético ainda barroco. Já na segunda metade do século XX, o templo foi parcialmente restaurado, optando-se, então, pelos revestimentos azulejares polícromos das paredes das naves e pelo tecto abobadado, em substituição dos caixotões de madeira que, com certeza, o tempo barroco havia conferido ao corpo da igreja.
PAF
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (alterou a designação, retirando a menção "também denominada de 'São Sebastião de Canha') (ver Decreto)
Em 16-05-1994 a Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira confirmou a informação da CM de Montijo
Em 17-12-1993 a CM de Montijo solicitou a correcção da designação por a igreja ter apenas a invocação de Nosa Senhora da Oliveira
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (classificou com a designação de Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira, também denominada "de São Sebastião de Canha") (ver Decreto)
Edital de 15-09-1987 da CM de Montijo
Despacho de homologação de 4-11-1986 da Secretária de Estado da Cultura
Despacho de homologação de 3-11-1986 do presidente do IPPC
Parecer de 28-10-1986 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como VC
Em 1-06-1983 a CM de Montijo enviou a documentação solicitada
Em 19-10-1982 foi solicitado à CM de Montijo o envio de documentação para a instrução do processo de classificação
Processo iniciado em 1982 no IPPC
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IM - Interesse Municipal

ZEP n/a
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Setúbal / Montijo / Canha
Rua de Santo António
Canha -
Polícia:
Travessa dos Cravos Vermelhos
Canha -
Polícia:
Largo da Igreja
Canha -
Polícia:
LATITUDE
38.767669
LONGITUDE
-8.624508
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1235
1235, passado por D.
1252
1252.
1531
1531 (LUCAS, s.d., p.25).
1758
1758: Retábulo-mor e retábulos de Santo António, São Miguel, Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário (LOURO, 1974, ...
1774
1774 vem colocar a hipótese de, por essa altura, se ter consumado uma reforma estrutural de grande porte.
1974
1974, pp.6-7).No século XIX deram-se novas obras, sendo a principal a substituição do retábulo-mor pelo actual, de ca...
1982
1982 foi solicitado à CM de Montijo o envio de documentação para a instrução do processo de classificação Processo in...
1983
1983 a CM de Montijo enviou a documentação solicitada Em 19-10-1982 foi solicitado à CM de Montijo o envio de documen...
1986
1986 da Secretária de Estado da Cultura Despacho de homologação de 3-11-1986 do presidente do IPPC Parecer de 28-10-1...
1987
1987 da CM de Montijo Despacho de homologação de 4-11-1986 da Secretária de Estado da Cultura Despacho de homologação...
1993
1993 a CM de Montijo solicitou a correcção da designação por a igreja ter apenas a invocação de Nosa Senhora da Olive...
1994
1994 a Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira confirmou a informação da CM de Montijo Em 17-12-1993 a CM de Montijo so...
1996
1996 (alterou a designação, retirando a menção "também denominada de 'São Sebastião de Canha') (ver Decreto)Em 16-05-...
2001
2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001 Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (altero...
2002
2002, p.233), que sabemos ter trabalhado para a Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo (actual Montijo), a partir ...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Tomás Luís e o antigo retábulo da igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo", Artis SERRÃO, Vítor Edição 2002 Lisboa
Igrejas e Capelas da Costa Azul DUARTE, Ana Luisa Edição 1993 Setúbal
"A vila de Canha (III)", A Provícia, 17/3 LANDEIRO, José Manuel Edição 1955 Montijo
"A vila de Canha (II)", A Província, nº2, 10/3 LANDEIRO, José Manuel Edição 1955 Montijo
"A vila de Canha (IV)", A Província, nº5, 31/3 LANDEIRO, José Manuel Edição 1955 Montijo
Edifícios e monumentos notáveis do concelho do Montijo GRAÇA, Luís Edição 1989 Montijo
Subsídios para a História do Concelho do Montijo - cronologia geral LUCAS, Isabel Edição 1992 Montijo
Freguesias e Capelas curadas da Arquidiocese de Évora (sécs. XII-XX) LOURO, Henrique da Silva Edição 1974 Évora

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