Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A Casa do Adro situa-se no centro histórico da vila de Alfândega da Fé, frente à igreja matriz, ocupando um terreno de gaveto.
O edifício, uma estrutura habitacional do século XVIII, desenvolve-se numa planta irregular composta por cinco corpos distintos. O corpo principal, voltado ao largo, divide-se em dois pisos, com as duas fachadas marcadas pela disposição regular das aberturas, portas e janelas no piso térreo, janelas no andar nobre. Na parte traseira, orientada a sul, encontra-se um alpendre no registo superior, com escada, balcão de madeira e vidro, que permite o acesso ao piso nobre. Esta varanda abre para o corredor externo de acesso ao pátio da casa.
Do lado direito deste corredor ergue-se um anexo de planimetria retangular, que possivelmente foi utilizado como armazém ou casa de animais.
Do lado oeste adossa-se um edifício de cércea mais baixa, também dividido em dois pisos, que prolonga o espaço habitacional principal.
Atualmente, o espaço interior encontra-se bastante degradado. No entanto, a sua disposição deveria corresponder originalmente às regras das habitações setecentistas, estando as divisões do piso térreo destinadas a serviços domésticos e armazenamento, enquanto o andar nobre se reservava aos espaços sociais e aposentos privados.
História
A Casa do Adro terá sido construída em meados do século XVIII, havendo uma nota documental que dá conta da sua existência no antigo largo do adro da igreja em 1794 (LOPES: 2019, p. 3). A habitação pertenceu à família Azevedo e Moura, sendo o seu mais ilustre habitante D. José Joaquim de Azevedo e Moura, Arcebispo de Braga Primaz das Hespanhas entre 1856 e 1876, cujo nome designa atualmente o largo onde se situa este edifício.
A casa viria a mudar de proprietários ao longo dos séculos XIX e XX, conhecendo algumas alterações à estrutura. A mais significativa terá sido a transferência da varanda de madeira que, segundo os registos documentais camarários, se situava originalmente no lado oposto da casa, tendo sido transferido na primeira metade do século XX para permitir o alargamento da rua fronteira.
O edifício acabaria por ser adquirido pela Câmara Municipal de Alfândega da Fé, que pretende reabilitar a estrutura atendendo ao valor da sua memória histórica, já que "constitui um exemplo de traça arquitetónica simples característica de muitas das casas "ricas" que se construíram na zona antiga da malha urbana da sede do concelho de Alfândega da Fé, sobretudo entre os séculos XVIII e XIX", além de constituir "o suporte físico para importantes memórias históricas associadas a figuras notáveis do concelho" e ter assegurado "um papel fulcral na evolução urbana da localidade" que importa preservar (CM Alfândega da Fé, Proposta de classificação: 2019).
A Casa do Adro encontra-se atualmente em vias de classificação como interesse municipal.
Catarina Oliveira
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 197/2019, DR, 2.ª série, n.º 235, de 6-12-2019 (ver Anúncio)
Deliberação de 12-11-2019 da CM de Alfândega da Fé a determinar a alteração da categoria a atribuir posteriormente, de IIM para MIM, a explicitar que o despacho de urgência foi de 27-09-2019 e do presidente da CM, e a retirar do texto a referência à ZGP, que nos termos da legislação em vigor não existe)
Anúncio n.º 177/2019, DR, 2.ª série, n.º 196, de 11-10-2019 (ver Anúncio)
Despacho de urgência de 26-09-2019 a determinar a abertura do procedimento de classificação como IIM
Número do Processo
Não disponível