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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo dos Mouros, compreendendo a cisterna
Outras Designações
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O castelo dos Mouros é um dos mais emblemáticos espaços que o Romantismo da Serra de Sintra cristalizou, simultaneamente o que melhor testemunhava o passado medieval da região e o que mais evocava a sensibilidade religiosa e cultural do século XIX. A sua configuração actual é o resultado de três grandes etapas construtivas: o primeiro estabelecimento deve-se ao Islão, que aqui instalou um reduto populacional e militar de grande importância no contexto regional do ocidente peninsular. Com a Reconquista do território, os novos poderes cristãos renovaram os privilégios e as condições de evolução da vila. A partir daqui, regista-se um grande intervalo de obras significativas. O progressivo abandono do castelo e o desenvolvimento do núcleo populacional mais abaixo, em torno do paço régio, determinaram esta circunstância. Só no século XIX, com o intenso movimento de redescoberta e de recuperação da Idade Média idealizada, o velho castelo voltou a ser alvo de atenções.
Assim, é ao período islâmico que teremos de buscar as primeiras informações acerca do castelo. Os geógrafos árabes dos séculos XI e XII descrevem Sintra como uma região rica, muito bem localizada e provida de recursos. A sua condição de cabeça de um vasto território circundante, eminentemente agrícola, que era necessário proteger, parece ter sido a principal razão para a existência deste castelo (COELHO, 2000, p.218). O facto de alguns historiadores recuarem a primitiva construção da fortaleza aos séculos IX-X (PAVÓN MALDONADO, 1993) parece vir em favor desta hipótese, uma vez que é por essa altura que se testemunha um maior povoamento e atenção da região a Norte de Lisboa. Ainda segundo este autor, a fortaleza revela duas fases construtivas, visíveis no aparelho das muralhas e das torres cilíndricas, facto corroborado pela análise de Catarina Coelho. A cisterna, localizada no centro do reduto defensivo, fazia parte do projecto islâmico e destinava-se a abastecer uma população considerável.
Mas se a cronologia islâmica fundacional do monumento não levanta grandes problemas, o mesmo não se pode dizer acerca da configuração original das muralhas e dos espaços intra-muros. O abandono precoce da fortaleza e o impacto das reconstruções românticas promovidas por D. Fernando II são factos que impossibilitam uma rigorosa análise arqueológica do conjunto (TORRES, 1995, p.167). O que hoje podemos observar é uma cenografia de natureza militar, idealizada, uma vez que grande parte das torres quadrangulares, muralhas, adarves e parapeitos datam do século XIX.
Após as conquistas de Lisboa, Sintra, Almada e Palmela, em 1147, Sintra foi objecto de uma renovada atenção. Sete anos depois, D. Afonso Henriques concedeu-lhe foral, datando das décadas seguintes as reformas fundamentais no castelo e no bairro intra-muralhas, que foi dotado de uma igreja tutelar.
Com efeito, é à segunda metade do século XII que se atribui a igreja de São Pedro de Canaferrim, uma das mais importantes capelas românicas do Sul do país, cujo melhor conhecimento se revelou fundamental para a compreensão deste fenómeno artístico na região em torno de Lisboa. O templo foi parcialmente reconstruído por D. Fernando II, que lhe conferiu o aspecto de falsa ruína que hoje ostenta. Planimetricamente, a igreja não apresenta novidades, cingindo-se à nave única rectangular e capela-mor de menores dimensões e volumetria. De acordo com os estudos de Manuel Luís Real, trabalharam na obra artífices de origem árabe, recrutados na comunidade mudéjar da Sintra reconquistada e que deixaram a sua marca na tipologia do aparelho (REAL, 1987, p.555). Dois capitéis figuram, hoje, na colecção do Museu Arqueológico do Carmo. Pela decoração vegetalista que ostentam, organizada em finas hastes dispostas num campo escultórico muito "vazio", são elementos já tardios, provavelmente oriundos do portal principal da igreja (REAL, 1987, p.537), e datáveis já de finais do século XII, ou inícios de XIII.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 670/99, DR, 2.ª Série, n.º 150, de 30-06-1999 (com ZNA) (ZEP do Castelo dos Mouros e da Igreja de Santa Maria)
Edital N.º 14/98 de 9-01-1998 da CM de Sintra
Portaria n.º 1067//97, DR, I Série-B, n.º 244, de 21-10-1997 (revogou a portaria anterior, por não incluir a ZNA, e represtinou a de 1946)
Portaria n.º 523/97, DR, I Série-B, n.º 167, de 22-07-1997 (ZEP do Castelo dos Mouros e da Igreja de Santa Maria)
Edital N.º 283 de 30-10-1996 da CM de Sintra
Despacho de autorização de 26-06-1996 do Ministro da Cultura
Parecer de 11-04-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a delimitação da ZEP da Igreja de Santa Maria e do Castelo dos Mouros
Afectação 9913529
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)
- Serra de Sintra
- -
Polícia:
LATITUDE
38.792965
LONGITUDE
-9.388675
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1147
1147, Sintra foi objecto de uma renovada atenção. S
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) O castelo dos Mouros é um dos mais emblemáticos espaços que o Romantis...
1987
1987, p.555).
1993
1993) parece vir em favor desta hipótese, uma vez que é por essa altura que se testemunha um maior povoamento e atenç...
1995
1995, p.167).
2000
2000, p.218).
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Sintra Património da Humanidade RIBEIRO, José Cardim Edição 1998 Sintra
"A arte islâmica no Ocidente Andaluz", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.150-177 MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio Edição 1995 Lisboa
"La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal", Portugal roman, vol. I, pp.33-75 REAL, Manuel Luís Edição 1986
"Perspectivas sobre a flora românica da «escola» lisbonense. A propósito de dois capitéis desconhecidos de Sintra no Museu do Carmo", Sintria, vol. I-ii, pp.529-560 REAL, Manuel Luís Edição 1983 Sintra
Sintra SERRÃO, Vítor Edição 1989 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volume II AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1975 Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"A ocupação islâmica do Castelo dos Mouros (Sintra): interpretação comparada", Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.3, nº1, pp.207-225 COELHO, Catarina Edição 2000 Lisboa
"O Castelo dos Mouros (Sintra)", Mil anos de fortificações na Península Ibérica e no Magreb (500-1500), pp. 389-395 COELHO, Catarina Edição 2002 Lisboa
Cintra pituresca, ou memoria descriptiva da Villa de Cintra, Collares, e seus arredores... LACERDA, João António de Lemos Pereira (Visconde de Juromenha) Edição 1838 Lisboa
Castelo de Sintra ou Castelo dos Mouros COSTA, Francisco Pedro Ribeiro e Edição 1996 Mem Martins

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