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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Maria

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Maria
Outras Designações
Igreja Matriz de Santa Maria de Sintra / Igreja de Santa Maria e São Miguel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja de Santa Maria de Sintra é a principal construção religiosa gótica da vila, testemunhando, pela sua cronologia e estilo, o lento abandono do castelo e a progressiva instalação serra abaixo. A construção inicial deve remontar à segunda metade do século XII, altura em que o bairro que a igreja servia era o principal arrabalde da vila (SERRÃO, 1989, p.35). No entanto, pelos finais do século XIII ou, mais provavelmente, nos meados do século XIV (DIAS, 1994, p.103), deu-se uma total reforma do edifício, responsável pelo aspecto geral que o templo ainda hoje possui.
Esta campanha gótica, estilisticamente conotada ainda com o ciclo dionisino, dotou a igreja de uma espacialidade comum ao que então se fazia: interior de três naves, escalonadas, de quatro tramos, separadas por arcadas quebradas; capela-mor de dois tramos, sendo o primeiro recto e o segundo, a nascente, poligonal, em cujo alçado se rasgam grandes janelas verticais; fachada principal ad triangulum, com três panos, sendo o central mais elevado e organizado em dois registos, rasgando-se, no primeiro, o portal (de arco quebrado com arquivoltas e inscrito num gablete) e, no segundo, uma janela (que deverá ter sido, originalmente, uma rosácea). Desde os estudos de Mário Chicó que se tem vindo a caracterizar este modelo planimétrico e volumétrico como uma tipologia específica de arquitectura religiosa gótica, conhecida como paroquial. As suas origens entroncam nos projectos pioneiros de arquitectura gótica dos mendicantes, mas depressa passou à realidade paroquial, monopolizando praticamente todos os ensaios construtivos das principais vilas do reino. Com efeito, desde Caminha a Tavira é possível identificar um numeroso grupo de igrejas paroquiais dos séculos XIII a XV que seguem este mesmo modelo (FERNANDES, 2003, pp.17-28). No caso de Santa Maria de Sintra, o templo relaciona-se, de perto, com as "vizinhas" igrejas de Santo André de Mafra e de São Leonardo de Atouguia da Baleia; no entanto, apresenta alguns aspectos mais eruditos, como o maior adelgaçamento dos suportes ou o acentuado naturalismo dos capitéis, sintoma provável da sua avançada cronologia em relação aos anteriores templos.
Numerosas obras aconteceram neste espaço ao longo de mais de quinhentos anos. Logo no século XV, há notícias de uma campanha na capela-mor, por iniciativa de Luís Pires, capelão de D. Afonso V. Ainda quatrocentista é o sino, datado de 1468. Mais importante foi a reforma do tempo de D. Manuel, mandada fazer pelo bispo de Tânger, D. João Lopo. O portal principal foi substancialmente alterado, dotando-o de arcos canopiais, um elegante mainel e um gablete curvo, mais monumental do que aquele que certamente existia. Para além disso, o tecto de madeira da nave, posteriormente suprimido, ostentava as armas da rainha, casa a que pertencia a igreja, e ainda subsistem alguns azulejos hispano-árabes, próprios da decoração de altares desses inícios do século XVI.
A última grande campanha de obras aconteceu no século XVIII. Em consequência dos estragos provocados pelo Terramoto de 1755, houve a necessidade de se reconstruir partes consideráveis do templo, projecto que decorreu entre 1757 e 1760. Data dessa altura o remate da fachada principal, em frontão irregular decorado com volutas, bem como o janelão sobre o portal, que substituiu a antiga rosácea gótica. No interior, renovou-se a decoração e os lugares-chave de devoção, com uma grande encomenda de retábulos de talha dourada.
Infelizmente, grande parte deste projecto barroco foi sacrificado aquando do restauro, na década de 30 do século XX, em particular os altares que ocultavam as portas laterais. Dos trabalhos então efectuados, que pretenderam reverter o edifício à sua pureza original gótica, conta-se a substituição do tecto de madeira e do pavimento, assim como o apeamento de numerosas obras da época moderna, facto que está na origem do interior aparentemente "despido" que a igreja ostenta na actualidade.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8 218, DG, I Série, n.º 130, de 29-06-1922 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 670/99, DR, 2.ª Série, n.º 150, de 30-06-1999 (com ZNA) (ZEP do Castelo dos Mouros e da Igreja de Santa Maria)
Edital N.º 14/98 de 9-01-1998 da CM de Sintra
Portaria n.º 1067//97, DR, I Série-B, n.º 244, de 21-10-1997 (revogou a portaria anterior, por não incluir a ZNA, e represtinou a de 1946)
Portaria n.º 523/97, DR, I Série-B, n.º 167, de 22-07-1997 (ZEP do Castelo dos Mouros e da Igreja de Santa Maria)
Edital N.º 283 de 30-10-1996 da CM de Sintra
Despacho de autorização de 26-06-1996 do Ministro da Cultura
Parecer de 11-04-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a delimitação da ZEP da Igreja de Santa Maria e do Castelo dos Mouros
Portaria de 24-09-1946, publicada no DG, n.º 264, de 13-11-1946
Afectação 9913929
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)
Calçada de Santa Maria
Sintra -
Polícia:
LATITUDE
38.793827
LONGITUDE
-9.384786
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1468
1468.
1755
1755, houve a necessidade de se reconstruir partes consideráveis do templo, projecto que decorreu entre 1757 e 1760.
1757
1757 e 1760.
1760
1760.
1922
1922 (ver Decreto) A igreja de Santa Maria de Sintra é a principal construção religiosa gótica da vila, testemunhando...
1989
1989, p.35).
1994
1994, p.103), deu-se uma total reforma do edifício, responsável pelo aspecto geral que o templo ainda hoje possui.Est...
2003
2003, pp.17-28).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Sintra SERRÃO, Vítor Edição 1989 Lisboa
"A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
Sintra Património da Humanidade RIBEIRO, José Cardim Edição 1998 Sintra
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
"A arquitectura e a escultura aplicada", Igreja de São João Baptista de Alcochete, coord. Isabel Fernandes, pp.13-75 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2003 Alcochete
"O claustro da Sé de Lisboa: uma arquitectura «cheia de imperfeições»?", Murphy, nº1, pp.18-69 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Coimbra
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, volume II AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1975 Lisboa
"Levantamento epigráfico da Igreja Matriz de Santa Maria de Sintra (séculos XV-XVII)", Revista da Assembleia Distrital de Lisboa, nº3, pp.89-108 ALVES, Teresa Marques Edição 1997 Lisboa

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