Nota Histórico-Artistica
O conjunto arquitectónico da denominada "Foz Velha" distribui-se ao longo de uma expressiva extensão de território.
Com especificidades muito próprias, por se localizar entre o rio e o mar, a zona tornou-se particularmente convidativa à fixação de comunidades humanas ao longo dos tempos (desde, pelo menos, o Paleolítico), atraídas pelos excelentes recursos cinegéticos de que disporiam no local, transformando a pesca - associada a uma agricultura e pastorícia mais rudimentares - na sua actividade principal, tendo sido, já em período medieval, objecto de sucessivas doações reais.
Enquanto isto, o sítio desfrutava de excelente posição estratégica proporcionada pelas suas características defensivas, especialmente evidentes em pleno período filipino, altura em que se construiu o Forte de São João da Foz (ou "castelo", como também é conhecido), integrando a antiga igreja renascentista de São João Baptista (ela própria erguida sobre os alicerces da primitiva ermida de São João da Foz), levantando-se nas imediações aquelas que poderão ser consideradas como as primeiras casas no local, conquanto tivessem sido recolhidos, durante as campanhas arqueológicas realizadas no Forte, diversos fragmentos cerâmicos datados desde, pelos menos, o período alti-medieval.
Entretanto, foi o século XIX que trouxe, sem dúvida, outra valência à zona, permitindo-lhe entrar numa nova era com a emergência do turismo balnear, metamorfoseando a pequena povoação numa área crescentemente cosmopolita, à medida que se aproximava o limiar da nova centúria de novecentos e das facilidades proporcionadas pelo desenvolvimento dos transportes. Factores que, no conjunto, atraíram antigas famílias aristocráticas e a elite burguesa do Porto, que aí fixaram as suas residências de Verão, cujo traçado exibia, juntamente a um gosto mais sóbrio marcado pela presença da colónia britânica portuense (ao ponto de uma das praias mais frequentadas ao tempo ser denominada "dos Ingleses"), um forte ascendente francês sobre o gosto arquitectónico, como, ademais, sobre tantos outros aspectos da sociabilidade do momento. "É a época do Chalet, ou das casas coalescentes de duas águas: alçados cuidadosamente pensados, volume reduzido e elegância das formas. Casas ricas, com volumes elegantes e pormenores que denotam um gosto requintado, como também uma considerável capacidade económica." (OLIVEIRA, M. B. C., LOPES, A., 2002, p. 27), enquanto as casas de inspiração inglesa privilegiariam a "[...] época da vivenda, dos belos jardins [...]." (Ibid.).
Esta nova realidade modificou o quotidiano das gentes que habitavam a zona, ao mesmo tempo que conduziu à sua alteração paisagística por força das edificações erguidas a partir de então, elas próprias diferenciadas entre si consoante os tempos em que se levantaram e à medida de quem encomendava o risco, razões pelas quais se afirmará que "[...] a Foz Velha está essencialmente dividida em três zonas: a Foz Velha, uma zona intermediária e a Foz Nova [...]." (Id., Idem, p. 9), construindo-se, a Nascente, e já em meados do século XX, alguns bairros sociais, numa demonstração da vitalidade da zona, especialmente presente em termos económicos.
Relativamente à "Foz Velha", propriamente dita, ela corresponde à aglomeração primitiva concentrada junto ao Rio, naturalmente diferenciada pela limitada altura da construção e pelo traçado assimétrico dos arruamentos, ainda que o espaço não envolvido pela Cantareira exiba ruas articuladas em torno da Rua do Padre Luís de Cabral, seu autêntico eixo principal, motivando uma relação singular com alguns dos nomes mais grados das Artes e das Letras portuenses - caso do escritor e jornalista Raul Germano Brandão (1867-1930) -, para além de figuras ilustres da política nacional.
Assim, a par das múltiplas residências, a Foz Velha envolve um conjunto mais alargado de diversos espaços, alguns dos quais de características públicas e comuns.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 323/2013, DR, 2.ª série, n.º 106, de 3-06-2013 (com restrições) (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13559/2012, DR, 2.ª série, n.º 199, de 15-10-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 18-06-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 15-06-2012 da DRC do Norte
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Parecer de 26-10-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura no sentido de serem propostas as restrições de acordo com o artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Proposta de 12-09-2011 da DRC do Norte para a classificação como CIP
Devolvido em 12-04-2011 à DRC do Norte para aplicação do art.º 54.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, de 23-10
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Proposta de 15-04-2008 da DRC do Norte para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 20-08-2002 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 16-08-2002 da DR do Porto para a abertura do procedimento de classificação da Foz Velha, incluindo as suas extensões Nascente (Sobreiras) e Norte/Oeste (primeira fase de expansão balnear)
Proposta de 30-01-2002, de particular, para a classificação da Quinta do Monte
Número do Processo
Não disponível