Nota Histórico-Artistica
A região correspondente ao município de Monforte ostenta algumas das estações arqueológicas mais importantes da presença romana no actual território português, a exemplo da "Villa Lusitano-Romana de Torre de Palma".
Mas a ocupação humana deste recanto peninsular ocorreu muito antes, em plena Pré-história, certamente atraída pela fertilidade dos solos reforçada pelos inúmeros cursos de água que os atravessam, criando um conjunto de recursos cinegéticos essenciais à sobrevivência e longa permanência de diferentes comunidades ao longo dos tempos, aliando a recolecção à caça, à agricultura e ao pastoreio. De facto, entrara-se num momento, quando "A realidade cultural apresenta-se múltipla, eivada de assimetrias de desenvolvimento, em função da inserção das comunidades em ecossistemas mais ou menos favoráveis ao pleno florescimento da agricultura e do pastoreio, ou do apego mais ou menos arreigado dos grupos a formas de subsistência tradicionais, entre outros aspectos condicionantes do seu percurso cultural." (JORGE, S. de O., 1990, p. 102).
Uma característica que dificilmente passaria despercebida aos pioneiros da actividade arqueológica mantida entre nós desde finais do século XIX, princípios do XX, a exemplo de José Leite de Vasconcellos (1858-1941), director do "Museu Etnológico Português" e figura de referência dos estudos desenvolvidos entre nós sobre o passado do território português, a quem se deve, justamente, a investigação de alguns exemplares megalítico do actual concelho de Monforte, como no caso da "Necrópole de Rabuje".
Mas, em relação às "Antas da Meada 1 e 2", são os nomes do professor, etnógrafo e arqueólogo Abel Viana e António Dias de Deus (Cf. VIANA, A., 1956), aqueles que mais se encontram relacionados com o seu estudo, na sequência dos inúmeros trabalhos arqueológicos desenvolvidos por ambos na vasta região alentejana, em meados do século passado (Cf. VIANA, A., DIAS, A. Dias de, 1957), à semelhança do que sucederia com Georg K. e Vera Leisner, que a referiram em finais dos anos cinquenta, sendo que a Anta 2 foi intervencionada já na década de oitenta.
Ademais, e no seguimento do interesse despontado ainda durante a segunda metade do século XIX, pelos testemunhos megalíticos da região elvense, junto de alguns pioneiros dos estudos arqueológicos conduzidos em Portugal, A. Viana e A. Dias de Deus procederam àquela que será considerada como a primeira escavação da Anta da Meada, agora conhecida por "1", uma vez que a "2" aparece mencionada somente na carta arqueológica do concelho publicada em meados dos anos oitenta (Cf. CUNHA, A. M., 1985.
Com câmara sepulcral composta de cinco esteios graníticos, um dos quais in situ, a Anta 1 não apresenta vestígios correspondentes à primitiva laje de cobertura - ou "chapéu" -, nem à existência do corredor de acesso ao seu interior, ainda que a presença, junto ao monumento, de um menir pareça delimitar os elementos remanescentes da mamoa - tumulus - original, destinada a cobri-lo na totalidade nos primórdios da sua construção.
Quanto à Anta 2, visível a partir da Anta 1, ela ergue-se sobranceira à margem direita da rib.ª Velha, conservando-sein situ quatro dos esteios graníticos que comporiam originalmente a câmara sepulcral. E, tal como sucede com o outro exemplar, também aqui não foi encontrada, nem a laje de cobertura - "chapéu" - da câmara, nem os elementos correspondentes ao primitivo corredor de acesso ao seu interior, observando-se apenas ténues indícios da mamoa - tumulus - original.
Fazem parte dos artefactos recolhidos em ambos os exemplares uma mó dormente, machados, enxó, lascas, lâminas e percutores, a par de um conta de colar bicónica anfibolítica e vários fragmentos das características (nesta tipologia de sítio) placas de xisto gravadas.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 17/2015, DR, 2.ª série, n.º 14, de 21-01-2015 (ver Anúncio)
Parecer de 24-09-2014 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como SIP
Despacho de 25-01-2014 do diretor-geral da DGPC a enviar o processo à SPAA do CNC para retificar a categoria de classificação, face à jurispridência criada com a publicação entre 2010 e 2013 de oito classificações de antas como SIP
Anúncio n.º 13611/2012, DR, 2.ª série, n.º 204, de 22-10-2012 (ver Anúncio)
Parecer de 30-03-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP
Proposta de 22-12-2009 da DRC do Alentejo para o desdobramento do processo
Despacho de homologação de 26-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Parecer favorável de 14-10-1999 do IPA
Proposta de 15-09-1999 da DR de Évora para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 7-06-1999 do vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 2-06-1999 do IPA
Proposta de abertura de 22-01-1999 da DR de Évora
Proposta de classificação de 25-04-1997 de Carla Lopes e Rui Boaventura