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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Cruz

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Cruz
Outras Designações
Igreja de Santa Cruz do Convento de São Domingos / Convento de São Domingos / Igreja Paroquial de São Domingos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Em 1560, ao visitar Viana, o arcebispo de Braga D. Frei Bartolomeu dos Mártires decidiu fundar na vila da foz do Lima um convento que albergasse uma comunidade dominicana. Em Novembro desse ano Frei Henrique de Távora, representante do arcebispo, dirigiu à Câmara de Viana o pedido de fundação do convento na zona da Rua de São Sebastião. No ano seguinte a regente D. Catarina emitiu o alvará régio permitindo a fundação, pelo que os frades dominicanos iniciaram a compra dos terrenos onde iria ficar sedeado o complexo conventual. No ano de 1562 foi nomeado pelo Arcebispo o primeiro vigário do convento, Frei Jerónimo Borges, que embargou a obra já feita entretanto mudando a localização do templo para a zona de Altamira, onde se iniciaram os dormitórios em 1562. Em 1566, com o Arcebispo já regressado do Concílio de Trento e definitivamente instalado em Viana, procedeu-se à cerimónia de lançamento da primeira pedra da igreja, sagrada então pelo seu fundador como convento de Santa Cruz (SOUSA, 1984,p.395). Em Agosto de 1571 celebrava-se, no dia de São Domingos, a primeira missa no templo dominicano. Até 1576 seria edificada a fachada do templo, e somente nessa ano o Convento de Santa Cruz ficaria finalmente concluído.
Da autoria do mestre João Lopes o Moço, e elaborado segundo os rigorosos planos e indicações de D. Frei Bartolomeu dos Mártires (OLIVEIRA, 2002, pp. 112-113), a igreja do Convento de São Domingos apresenta uma fachada retabular dividida em três registos. O primeiro registo é decorado por um conjunto de colunas coríntias de fuste estriado, assentes sobre pedestais decorados com motivos rústicos de "pontas de diamante". Cada uma das colunas é acompanhada a todo o comprimento por uma pilastra embutida no pano murário. Cada uma das colunas possui um "micro- entablamento", onde os frisos são esculpidos com diversas figuras humanas, à direita figuras de profetas, à esquerda homens vestidos com trajes da época e um frade. O friso que encima o portal é decorado por motivos roll werk. Entre cada par de colunas, à direita e esquerda respectivamente, os santos Pedro e Paulo ladeiam o portal, cuja arquivolta é decorada por dois medalhões com as figuras de Isaías à direita, e de outro profeta à esquerda, possivelmente Moisés ou Abraão. Um friso separa o primeiro registo do seguinte. O segundo registo encontra-se dividido por três nichos com as imagens de São Domingos, a Virgem e o Menino e São Tomás. Ladeando cada uma das imagens foram esculpidas colunas e pilastras coríntias. Os nichos das figuras possuem remate circular ladeado por cabeças aladas. O entablamento deste registo é decorado por enrolamentos vegetalistas e cabeças aladas. As janelas que intercalam com as imagens são posteriores ao projecto original. O último registo é coroado por um frontão triangular, cujo entablamento - decorado por florões e figuras humanas - assenta em duas colunas coríntias abalaustradas ladeadas pelas figuras de dois papas. Ao centro, um óculo esculpido com motivos roll werk é ladeado pelas figuras dos quatro evangelistas e no tímpano do frontão as armas do Arcebispo. A planta do templo é de nave única com abóbada de caixotões e seis capelas laterais de arcada jónica, interrompida por um largo transepto cujo abobadamento, também de caixotões de madeira, é feito em formato de pirâmide invertida. A capela-mor, também jónica, é estreita e alongada. Este modelo segue as normas tridentinas segundo as quais os templos deveriam ser executados em forma de cruz, ou construção axial.
A igreja de Santa Cruz de Viana, ou São Domingos, é um claro exemplar das exigências arquitectónicas contra-reformistas. Resultado directo das directrizes do Concílio de Trento no que respeitava à edificação arquitectónica, o convento dominicano da foz do Lima vai aliar as soluções maneiristas de vincada verticalidade e ambiguidade de escalas à finalidade catequética que se pretendia dos templos pós-tridentinos.
Catarina Oliveira
IPPAR/2003
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 12-06-1973, publicada no DG, II Série, n.º 149, de 27-06-1973 (sem restrições) (a legenda da planta refere ZEP da Zona Arqueológica de Viana do Castelo, quando do diploma fixou a ZEP dos Paços Municipais, da Igreja de Santa Cruz (São Domingos), da Misericórdia, do Palácio dos Viscondes da Carreira, do Chafariz da Praça da Rainha, da Casa de João Velho, da Casa de Miguel de Vasconcelos, da Igreja matriz, da Fachada do prédio manuelino na Rua de São Pedro, 28, e do Forte ou Castelo de Santiago)
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
Largo de São Domingos
Viana do Castelo -
Polícia:
LATITUDE
41.691239
LONGITUDE
-8.834324
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1560
1560, ao visitar Viana, o arcebispo de Braga D.
1562
1562 foi nomeado pelo Arcebispo o primeiro vigário do convento, Frei Jerónimo Borges, que embargou a obra já feita en...
1566
1566, com o Arcebispo já regressado do Concílio de Trento e definitivamente instalado em Viana, procedeu-se à cerimón...
1571
1571 celebrava-se, no dia de São Domingos, a primeira missa no templo dominicano.
1576
1576 seria edificada a fachada do templo, e somente nessa ano o Convento de Santa Cruz ficaria finalmente concluído.D...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Em 1560, ao visitar Viana, o arcebispo de Braga D.
1984
1984,p.395).
2002
2002, pp.
2003
2003
15
IMAGENS
8
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A Arquitectura do Ciclo Filipino SOROMENHO, Miguel Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Archivo Viannense GUERRA, Luís Figueiredo da Edição 1891 Viana do Castelo
Viana do Castelo CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela Edição 1990 Lisboa
«Portugal, Roma e Galiza: Frei Julião Romero e a arquitectura da Contra-Reforma», Do Tardo-gótico ao Maneirismo - Galiza e Portugal MOREIRA, Rafael Edição 1995 Lisboa
Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires SOUSA, Frei Luís de Edição 1984 Lisboa
Arquitectura maneirista no Noroeste de Portugal RUÃO, Carlos Edição 1996 Coimbra
«Lopes-uma família de artistas em Portugal e na Galiza», Revista Guimarães n.º 96 REIS, António Matos Edição 1986 Guimarães
A arquitectura de granito em Viana da Foz do Lima - Renascimento e Maneirismo no Noroeste português OLIVEIRA, Catarina Edição 2002 Lisboa

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