Nota Histórico-Artistica
Sítio
A barragem romana de Belas que data do século III d. C. situa-se num pequeno vale, em zona arborizada onde passa a ribeira de Carenque que, desde a Serra da Carregueira segue até ao rio Jamor, na zona de Queluz. Esta estrutura encontra-se no entanto espartilhada entre duas vias, uma delas a Estrada Nacional 250 que liga Caneças a Belas. Refira-se, a propósito, que alguns sectores da barragem chegaram mesmo a ser afetados por esta via.
A visibilidade do monumento é também dificultada pela existência de muita vegetação dada a humidade criada pela linha de água.
Do outro lado do vale a barragem foi também parcialmente afetada pela construção do aqueduto das Águas Livres.
Assim, da estrutura original subsiste parte da muralha de retenção da água (zona central) construída em pedra da zona ostentando um aparelho pseudo-isódomo (pedras aparelhadas do mesmo tamanho em cada fiada). Interessa notar que este tipo de aparelho exigia que o canteiro e o pedreiro trabalhassem em simultâneo e no local de construção.
Ainda relativamente à estrutura subsistente esta apresenta um comprimento máximo de quinze metros e meio, uma largura de cerca de sete metros e uma altura de aproximadamente oito metros, sendo possível que tenha sido mais alta. A barragem encontra-se reforçada a jusante por três contrafortes de grandes dimensões, dispostos de forma regular, mas atualmente em adiantado estado de ruína.
Relativamente à albufeira esta deteria uma capacidade máxima de armazenamento em torno dos cento e vinte mil metros cúbicos, sendo que a sua construção, em opus incertum, surge associada a uma argamassada com cal parda, areia bastante fina e fragmentos de cerâmica comum de pequenas dimensões.
A água captada seria depois transportada através de um aqueduto até à cidade de Olisipo (atual Lisboa) que, em linha reta, fica a cerca de dez quilómetros. Deste aqueduto subsiste apenas um setor com mil e trezentos metros de comprimento, na localidade da Amadora (Imóvel Em Vias de Classificação). O trajeto dentro da cidade seguiria até sensivelmente às portas de Santo André e São Roque.
Não há certezas em relação ao período de abandono da barragem e respetivo aqueduto, mas é certo que, com o passar do tempo, deixou de ser utilizado, possivelmente devido ao progressivo crescimento de Olisipo. Curiosamente, o aqueduto das Águas Livres que foi construído muito depois, segue, em parte, o trajeto da antiga estrutura romana.
História
A barragem e Aqueduto romano foram referidos pela primeira vez por Francisco de Holanda pintor e humanista, na sua obra "Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa" de 1571, quando o autor sugere o seu reaproveitamento num novo esquema de distribuição de água a cidade.
Apesar da ideia sugerida por Francisco de Holanda e da decisão tomada por D. Sebastião em 1573 de avançar com este plano tão necessário à cidade, foi somente em 1619, com Filipe II, que se avalia a hipótese de dar início ao projeto de adução de água a Lisboa algo que, no entanto, não foi possível realizar nessa data. Por fim, quando em 1731 se inicia a construção do Aqueduto das Águas Livres, a antiga construção romana acaba por não ser reaproveitada e, pelo contrário, será parcialmente destruída pela nova construção, continuando até hoje em processo de degradação.
Ana Teresa Henriques e Maria Ramalho/DGPC/2018
Diploma de Classificação
Procedimento (de alargamento) caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de abertura de 25.06.2002 do vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 14-03-2002 do IPA
Informação favorável de 30-01-2002 da DR de Lisboa do IPPAR
Proposta de 30-11-1990 da CM de Sintra para ampliação da classificação, de forma a incluir a área correspondente à antiga albufeira
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível