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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Antas de Belas

Arqueologia / Anta

Designação
Designação Atual
Antas de Belas
Outras Designações
Antas de Belas (Anta do Monte Abraão, Anta da Estria, Anta do Senhor da Serra, Anta da Pedra dos Mouros e Pedra dos Mouros) / Anta de Monte Abraão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Anta da Estria (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Anta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Foi no final do século XIX para que a investigação das denominadas "Antas de Belas" adquiriu um estatuto verdadeiramente científico, por mão do conhecido engenheiro militar e geólogo Carlos Ribeiro (1813-1882), mercê da sua iniciativa e interesse pelo estudo dos vestígios mais remotos da ocupação humana no actual território português, através da qual a intelectualidade nacional da época pôde aceder a um património até então ignorado ou, simplesmente, desconhecido, numa época em que se persistia em contestar a veracidade da existência de um período antediluviano.

Parece, contudo, que a primeira abordagem realizada por este investigador não estimulou suficientemente a comunidade científica portuguesa a prosseguí-la, enquadrando-a num projecto mais abrangente e, por isso mesmo, mais interessante do ponto de vista da interpretação arqueológica, que visasse, nomeadamente, a prospecção sistemática da região de implantação do monumento em análise.

Na verdade, foi necessário esperar pela década de sessenta do século passado para que os arqueólogos nacionais regressassem ao local, alertados pelas notícias publicadas nalguns órgãos de informação, noticiando a possível destruição das denominadas "Antas de Belas" pela enorme pressão urbanística observada na sua envolvente desde o início do decénio, em grande parte na sequência das enormes movimentações demográficas registadas no país. E apesar de alguns projectos não terem vingado, o facto é que a edificação nas imediações, por exemplo, da Pedra dos Mouros, acabaria por distorcer todo o enquadramento paisagístico primevo, embora com as naturais cambiantes ocasionadas pela evolução natural do próprio nicho ecológico em que se inseria. A par disso, Monte Abrãao esteve ameaçada pela actividade de uma pedreira localizada nas suas imediações, enquanto a envolvente da Estria foi sempre agricultada ao longo dos tempos (MARQUES, T., LOURENÇO, F., FERREIRA, C. J., 1991, p. 87)

O primeiro dos três sepulcros constituintes desta necrópole megalítica, a "Anta de Monte Abrãao", foi, como já referimos (vide supra), descoberta no século XIX por C. Ribeiro, tendo sido cronologicamente atribuída por alguns autores ao Calcolítico Inicial (entre c. de 2700/2500 e c. de 2300 a.C.) da região estremenha (JORGE, S.O., 1990, p. 184). Ainda são visíveis os traços da câmara sepulcral original de configuração poligonal, com mais de três metros e meio de diâmetro, erguida directamente sobre a rocha, remanescendo seis dos esteios que a compunham originalmente. Quanto à laje de cobertura - ou "chapéu" -, interpretada por aquele investigador como um esteio (certamente pelo facto de se encontrar assaz deslocada da sua primitiva posição), ela apresenta-se bastante fracturada devido à queda do esteio que a suportava. O corredor possuía cerca de oito metros de comprimento por dois de largura.

Quando C. Ribeiro a descobriu, a "Anta da Pedro dos Mouros" já se encontrava bastante destruída, mantendo in situ apenas três dos esteios que formariam inicialmente a câmara sepulcral, com cerca de cinco metros de diâmetro, embora ainda ostente vestígios da couraça pétrea que a cobria na totalidade, a denominada mamoa, ou tumulus. E foi precisamente neste exemplar megalítico que, em 1917, o conhecido arqueólogo Vergílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944) descobriu pinturas rupestres na superfície no esteio maior da cabeceira (o único que na verdade se manteria intacto até meados do século XX), de carácter antropomórfico, representando um elemento masculino e um elementos feminino.

Por fim, a câmara funerária de planta poligonal da "Anta da Estria" apresentava-se, já no século XIX, destituída da laje de cobertura, embora ainda apresentasse vestígios do corredor escavado no afloramento rochoso, e a campanha realizada há duas décadas permitisse identificar a mamoa que a envolvia primordialmente.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Anta do Monte Abraão, no Monte Abraão (Queluz), Anta da Estria, entre o Monte Abraão e o Senhor da Serra (Belas), e Anta do Senhor da Serra ou dos Mouros (Belas)
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Sintra / Queluz e Belas
Monte Abraão - Senhor da Serra
Queluz - Belas -
Polícia:
LATITUDE
38.773051
LONGITUDE
-9.266659
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1813
1813-1882), mercê da sua iniciativa e interesse pelo estudo dos vestígios mais remotos da ocupação humana no actual t...
1882
1882), mercê da sua iniciativa e interesse pelo estudo dos vestígios mais remotos da ocupação humana no actual territ...
1888
1888-1944) descobriu pinturas rupestres na superfície no esteio maior da cabeceira (o único que na verdade se manteri...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Foi no final do século XIX para que a investigação das denominadas "An...
1917
1917, o conhecido arqueólogo Vergílio Correia Pinto da Fonseca (1888-1944) descobriu pinturas rupestres na superfície...
1944
1944) descobriu pinturas rupestres na superfície no esteio maior da cabeceira (o único que na verdade se manteria int...
1990
1990, p.
1991
1991, p.
6
IMAGENS
7
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Antas de Belas - Uma tentativa de valorização do património arqueológico nos arredores de Lisboa", Actas das 4.ªs Jornadas Arqueológicas FERREIRA, Carlos Jorge Alves, LOURENÇO, Fernando Severino, MARQUES, Maria Teresa Fonseca Correia Edição 1991 Lisboa
"Antas de Belas", Informação Arqueológica FERREIRA, Carlos Jorge Alves, MARQUES, Maria Teresa Fonseca Correia Edição 1987 Lisboa
Roteiros da Arqueologia Portuguesa I. Lisboa e Arredores. CORREIA, Susana Helena, LOURENÇO, Fernando Severino, MARQUES, Maria Teresa Fonseca Correia, ARAÚJO, Ana Cristina Reis da Silva Edição 1986 Lisboa
"Gravuras do «Dolmen» da Pedra dos Mouros (Belas)", Terra Portuguesa FONSECA, Vergílio Correia da Edição 1917 Lisboa
"Desenvolvimento da hierarquização social e da metalurgia", Nova História de Portugal JORGE, Susana de Oliveira Edição 1990 Lisboa
Estudos pré-históricos em Portugal. Notícia de algumas estações e monumentos pré-históricos RIBEIRO, Carlos Edição 1980 Lisboa
Nova Carta Chorographica de Portugal BOLAMA, Marquês de Ávila e de Edição 1910 Lisboa

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Visualização Geográfica

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