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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Palácio e Quinta da Bacalhoa

Arquitectura Civil / Quinta

Designação
Designação Atual
Palácio e Quinta da Bacalhoa
Outras Designações
Palácio dos Albuquerques
Quinta do Bacalhau
Quinta da Condestablessa
Villa Feyxe, Vila Fraiche, Fréche ou Fresca
Tipologia
Quinta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Foi em 1427 que o infante D. João, mestre da Ordem de Santiago e Condestável do Reino, mandou erguer numa grande propriedade de Azeitão umas casas de que restam hoje, como únicos vestígios, algumas abóbadas ogivais (CALADO, 1993, p. 73). Herdou a quinta a sua filha D. Brites e o marido, o infante D. Fernando, pais do futuro rei D. Manuel, e por cuja iniciativa se remodelou a casa de acordo com um gosto mais moderno, certamente típico da arquitectura residencial de transição de finais do século XV e inícios do XVI, incluindo a cerca torreada e alguns revestimentos azulejares quatrocentistas de modelo levantino que ainda se podem apreciar numa dependência. A quinta, então conhecida por "Villa Feyxe" ou Vila Fresca, foi vendida em 1528 a Brás de Albuquerque, filho do Vice-rei da Índia Afonso de Albuquerque e proprietário da Casa dos Bicos, em Lisboa.
É a Brás de Albuquerque que se deve a maioria da construção que podemos admirar actualmente, sendo no entanto difícil determinar com exactidão a parte que já estaria edificada até à sua intervenção. Entre 1528 e 1554, data na qual a obra principal estaria terminada, conforme consta de inscrição numa porta, foram realizadas as remodelações de gosto erudito e claássico que fazem da Bacalhoa um dos primeiros e mais belos exemplares de arquitectura civil renascentista do país, tal como a vizinha Quinta das Torres. A planta em L, representando uma inovação que faria escola na arquitectura posterior, afirma-se como uma das novidades importadas por Albuquerque aquando da sua deslocação a Itália, em 1521-22. A regularidade da planta, a preocupação de simetria no rasgamento dos vãos, as escalas e a espacialidade, e ainda elementos clássicos como galerias, colunatas, pavilhões e tondi decorativos, fazem do Palácio uma obra notável, a ponto de ter já sido atribuída a Andrea Sansovino, sendo mais plausível no entanto imaginá-la no círculo de Francisco de Arruda (RASTEIRO, 1898). Características arquitectónicas de tipo militar, aliás perfeitamente quinhentistas, como são a cerca torreada, os robustos torreões cilíndricos com cúpulas de gomos que rematam as extremidades e o ângulo das fachadas, e os cubelos com coroamentos piramidais da "casa de fresco", parecem apontar para a intervenção do arquitecto das fortalezas da Índia; de qualquer forma, é impossível não imaginar os melhores artista do reino contribuindo para o esplendor da propriedade, onde se destacam os medalhões dos Della Robbia com bustos relevados no muro do tanque, ou outros atribuídos a Nicolau de Chanterene (RASTEIRO, 1898) na galeria norte, ou ainda o magnífico revestimento azulejar do pavilhão, incluindo um painel datado de 1565 e assinado por Eneas Vito, artista que trabalhou em Fontainebleau (AZEVEDO, 1969, p. 113).
Acede-se à casa por um pátio quadrangular murado, diante do qual se ergue a fachada principal, com uma galeria de treze arcos sobre colunas lisas. A construção distribui-se em torno do jardim que ocupa o interior do L, abrindo para um labirinto de buxo; encostado ao muro, a Sul, ergue-se a Casa de Fresco, composta por três torreões ligados entre si por galerias de arcadas que deitam para o grande tanque. Ainda adossados ao muro, a meio da quinta, erguem-se dois pavilhões de recreio, a Casa da Índia e a Casa das Pombas, decoradas com belíssimos azulejos quinhentistas. No edifício principal destacam-se as proporções e regularidade dos alçados renascentistas, com profusão de arcarias e uma loggia perfeitamente italianizante, sendo as várias fenestrações decoradas com nichos e medalhões com bustos. Os temas iconográficos de toda a decoração são essencialmente de cariz clássico, bem adequados ao gosto humanista e à figura de Albuquerque, exibindo heróis da Antiguidade e outras referências mitológicas. Por último, saliente-se que o nome de Bacalhoa resulta certamente da corrupção de Bacalhau, apelido de D. Jerónimo Manuel, um dos seus proprietários em finais do século XVI. SML
Diploma de Classificação
Declaração de Rectificação n.º 10-E/96, DR, I Série-B, n.º 127, de 31-05-1996 (rectificou o distrito indicado no diploma anterior, de Lisboa para Setúbal) (ver Declaração)
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (alterou para "Palácio e Quinta da Bacalhoa") (ver Decreto)
Edital N.º 150/92 de 19-06-1992 da CM de Setúbal
Despacho de homologação de 4-01-1979 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 4-01-1979 da COISPCN
Proposta de 23-11-1978 da DGEMN para alargamento da classificação a toda a quinta
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Palácio da Bacalhoa) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 255/96, DR, II Série, n.º 263, de 13-11-1996 (com ZNA)
Edital N.º 105/81 de 3-09-1981 da CM de Setúbal
Em 13-09-1979 foi enviada à CM de Setúbal proposta de nova delimitação
Portaria de 15-07-1949, publicada no DG, II Série, n.º 174, de 29-07-1949
Afectação 181505
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Setúbal / Setúbal / Azeitão (São Lourenço e São Simão)
EN 10
Vila Fresca de Azeitão -
Polícia:
LATITUDE
38.525152
LONGITUDE
-8.992889
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1427
1427 que o infante D.
1521
1521-22.
1528
1528 a Brás de Albuquerque, filho do Vice-rei da Índia Afonso de Albuquerque e proprietário da Casa dos Bicos, em Lis...
1554
1554, data na qual a obra principal estaria terminada, conforme consta de inscrição numa porta, foram realizadas as r...
1565
1565 e assinado por Eneas Vito, artista que trabalhou em Fontainebleau (AZEVEDO, 1969, p.
1898
1898).
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Palácio da Bacalhoa) (ver Decreto) Foi em 1427 que o infante D. J
1969
1969, p.
1978
1978 da DGEMN para alargamento da classificação a toda a quinta Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (cl...
1979
1979 do Secretário de Estado da Cultura Parecer favorável de 4-01-1979 da COISPCN Proposta de 23-11-1978 da DGEMN par...
1992
1992 da CM de Setúbal Despacho de homologação de 4-01-1979 do Secretário de Estado da Cultura Parecer favorável de 4-...
1993
1993, p.
1996
1996 (rectificou o distrito indicado no diploma anterior, de Lisboa para Setúbal) (ver Declaração)Decreto n.º 2/96, D...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
História da Arte em Portugal - o Renascimento e o Maneirismo SERRÃO, Vítor Edição 2002 Lisboa
Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, IPPAR, vol. III LOPES, Flávio Edição 1993 Lisboa
Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem) SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1900 Porto
Quintas e palácios nos arredores de Lisboa STOOP, Anne de Edição 1986 Lisboa
L'art de vivre au Portugal STOOP, Anne de Edição 1994
Azulejaria em Portugal nos séculos XV e XVI: introdução geral SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1969 Lisboa
Cidades e Vilas de Portugal - Azeitão CALADO, Maria Edição 1993 Lisboa
Notícia dos monumentos nacionaes e edificios e logares notaveis do concelho de Setubal PORTELA, Manuel Maria Edição 1882
Solares Portugueses AZEVEDO, Carlos de Edição 1988 Lisboa
"O Paraíso de Albuquerque", in Revista Grande Reportagem JARDIM, Rita Edição 1991
Arte paisagista e arte dos jardins em Portugal ARAÚJO, Ilídio de Edição 1962
Quinta e palácio da Bacalhoa em Azeitão: monografia histórico-artistica RASTEIRO, Joaquim Edição 1895
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia
"Quinta da Bacalhoa" (artigo on-line), in www.azeitão.pt Edição

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Cruz das Vendas (Azeitão)
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Palácio da Quinta das Torres, incluindo o tanque adjacente e a Casa de Frescoa em forma de «Tempietto»
Palácio da Quinta das Torres, incluindo o tanque adjacente e a Casa de Frescoa em forma de «Tempietto»

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Palácio dos Duques de Aveiro
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Pelourinho de Vila Nogueira de Azeitão
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