São muito mal conhecidos os vestígios pré-históricos deste local. Estácio da Veiga e Francisco d'Ataíde Oliveira teceram alguns comentários a seu respeito, no que devem considerar-se pioneiros na identificação e divulgação deste complexo, mas nunca houve possibilidade de se realizar uma investigação arqueológica coerente e sistemática. Acresce a isto o facto dos monumentos não terem sido encontrados aquando das mais recentes sondagens do local.
Ao que tudo indica, tratava-se de um tholos em associação com menires, de cronologia neo-calcolítica. O monumento funerário, alvo de descrição pormenorizada por Estácio da Veiga, foi construído por escavação parcial e encontrava-se organizado segundo um eixo axial linear, seccionado em três corpos. A câmara mortuária seria de planta circular, de diâmetro médio a rondar os 4 metros, e realizada com recurso a 13 esteios. Relacionava-se com um pequeno átrio, onde eram visíveis restos de pavimento composto por pedra miúda. Finalmente, o núcleo central ligava-se a um pequeno corredor de acesso.
No exterior, o conjunto era pontuado por menires, em número ainda impreciso. É muito possível que tenham existido alterações posteriores à época de construção.
A dispersão de vestígios prolongar-se-ia pela herdade vizinha da Nora, onde foram recolhidos materiais osteológicos associados a fragmentos de pedra polida e alguns vasos em barro, assim como pontas de sílex, o que aponta para uma ocupação de contornos mais extensos. Aqui existiu uma "construção bizarra", de 8,2m de comprimento por 2,2m de largura máxima (GONÇALVES, 1997, p.174), anterior à ocupação da Marcela.
O espólio recolhido por Estácio da Veiga foi alvo de estudos mais recentes que remetem para uma cronologia a rondar a segunda metade do 4º milénio, em particular as placas de xisto de decoração geométrica (IDEM). Outros artefactos são mais recentes, casos de peças em osso e de uma tampa de caixa em marfim, obra que parece não ter contextualização aparente com o restante espólio, fazendo crer que terá existido uma fase posterior de ocupação ou, em alternativa, um enterramento "de luxo" (IDEM, p.175).
PAF / Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR / 2006-2011
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional
ZEP
n/a
Afectação
9914630
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Vila Real de Santo António / Vila Nova de Cacela
- -
Vila Nova de Cacela -
Polícia:
LATITUDE
37.1673
LONGITUDE
-7.558536
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) São muito mal conhecidos os vestígios pré-históricos deste local. Está
1997
1997, p.174), anterior à ocupação da Marcela.O espólio recolhido por Estácio da Veiga foi alvo de estudos mais recent...
2006
2006-2011
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
Antiguidades Monumentaes do Algarve 4. Tempos Prehistoricos.
VEIGA, Sebastião Filipe Martins Estácio da
Edição
Megalitismo e inícios da metalurgia no Alto Algarve Oriental
GONCALVES, Victor Manuel dos Santos
Edição
1979
"Megalitismo e metalurgia no alto Algarve oriental, uma aproximação integrada", Estudos e Memórias, n.º 2, vol. 1
GONCALVES, Victor Manuel dos Santos
Edição
1989
Lisboa
Monografia do concelho de Vila Real de Santo António