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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Guimarães

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Guimarães
Outras Designações
Castelo de Guimarães (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Paradigma das origens da nacionalidade e da própria figura de D. Afonso Henriques, o Castelo de Guimarães é um dos monumentos mais representativos do imaginário medieval português. A sua construção inicial remonta ao tempo de Mumadona Dias, que o mandou edificar pelos meados do século X, com o objectivo de defender o mosteiro de Santa Maria de Guimarães, dos ataques de muçulmanos e normandos. Desse primitivo reduto militar pouco ou nada se sabe, para além do facto de constituir um dos primeiros exemplos "de uma estrutura castelar erguida para assegurar a protecção de um mosteiro, um binómio que se viria a verificar muitas outras vezes nas centúrias seguintes" (BARROCA, 1996, p.18).
Mais de um século depois, o Conde D. Henrique (a quem tinha sido doado o condado portucalense) escolheu Guimarães para estabelecer a sua corte. Talvez tenha pesado na sua decisão a segurança que o Castelo de São Mamede - assim lhe tinha chamado sua fundadora - oferecia. O forte, por essa altura, necessitaria de reformas urgentes e o conde optou por demolir parcialmente a construção de Mumadona, ampliando a área ocupada pela fortaleza original, com novos e mais potentes muros, que apresentam uma técnica já muito próxima do Românico.
Datam, contudo, do século XII as mais importantes reformas arquitectónicas no castelo. De acordo com os estudos de Mário Barroca, é este tipo de aparelho do século XII, já plenamente Românico, que "percorre, pela primeira vez de forma integral, todo o perímetro amuralhado do castelo (...) embora ignore todos os torreões e não se detecte na Torre de Menagem" (BARROCA, 1996, pp.21-22).
Esta imponente torre quadrangular, que hoje tão singularmente caracteriza o monumento, foi, assim, construída em época mais tardia, já na segunda metade do século XIII, com grande probabilidade no reinado de D. Dinis. Da reforma então efectuada datam também os oito torreões e uma parte significativa das muralhas da cidade, que arrancam, precisamente, dos torreões.
Na viragem para a segunda dinastia, parte do espaço do castelo foi privatizado, construindo-se, então, um paço senhorial destinado ao alcaide da fortaleza. Organizado em quatro andares e com um espaço médio de c. 100-120 m2 (BARROCA, 1996, p.26), a sua construção significou a derradeira renovação do velho castelo medieval. A radical mudança nas tácticas militares, motivada pela introdução da pirobalística, determinou o início de uma longa decadência da fortaleza vimaranense. Logo no século XVI, aqui foi instalada a cadeia da cidade. No século seguinte, o recinto acumulou as funções de palheiro real e as de pedreira.
O século XIX foi, sem dúvida, o mais desastroso período para o monumento. O estado de ruína do Castelo aumentava cada dia e em 1836, um dos membros da Sociedade Patriótica Vimaranense (associação criada para promover os interesses progressistas locais) defendeu a demolição do Castelo e a utilização da sua pedra para ladrilhar as ruas de Guimarães, já que a fortaleza tinha sido usada como prisão política no tempo de D. Miguel. Tal proposta, felizmente, nunca foi aceite. 45 anos depois, a 19 de Março de 1881, em Diário do Governo, classificava-se o Castelo de Guimarães como o único monumento histórico de primeira classe em todo o Minho.
Meio século mais tarde dava-se início ao restauro da estrutura, mais propriamente em 1937. Esta campanha, que conferiu ao monumento o aspecto geral que hoje possui, foi conduzida pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, no seu vasto programa de restauro e de celebração da Idade Média portuguesa. Com projecto do arquitecto Rogério de Azevedo, um dos principais nomes do restauro patrimonial no nosso país naquela primeira metade do século XX, o restaurado castelo foi inaugurado a 4 de Junho de 1940, por ocasião das Comemorações do VIII Centenário da Fundação da Nacionalidade.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Decreto de 27-08-1908, DG, n.º 199, de 5-09-1908
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 15-04-1955, publicada no DG, II Série, n.º 170, de 23-07-1955 (com ZNA) (ZEP do Castelo, da Igreja de São Miguel e do Paço dos Duques de Bragança)
Portaria de 24-11-1951, publicada no DG, II Série, n.º 103, de 30-04-1952
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Localização
Braga / Guimarães / Oliveira, São Paio e São Sebastião
Monte Latito ou Falperra
Guimarães -
Polícia:
LATITUDE
41.44792
LONGITUDE
-8.290328
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1836
1836, um dos membros da Sociedade Patriótica Vimaranense (associação criada para promover os interesses progressistas...
1881
1881, em Diário do Governo, classificava-se o Castelo de Guimarães como o único monumento histórico de primeira class...
1908
1908, DG, n.º 199, de 5-09-1908 Paradigma das origens da nacionalidade e da própria figura de D. A
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)Decreto de 27-08-1908, DG, n.º 199, de 5-09-1908 Paradigma das origens ...
1937
1937.
1940
1940, por ocasião das Comemorações do VIII Centenário da Fundação da Nacionalidade.PAF
1996
1996, p.18).Mais de um século depois, o Conde D.
21
IMAGENS
18
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Apontamentos para a história de Guimarães. A villa do castello", Revista de Guimarães, vol. XV, 1898, pp.5-13 GUIMARÃES, A. Oliveira Edição 1898
Castelologia medieval de Entre-Douro-e-Minho. Das origens a 1220 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
A maravilhosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Porto
"Um percurso por Guimarães medieval no século XV", Patrimonia, nº1, 1996, pp.9-16 FERREIRA, Maria da Conceição Falcão Edição 1996
"Do Castelo da Reconquista ao Castelo Românico (Sec. IX a XII)", Portugália, nova série, vols. XI-XII, pp.89-136 BARROCA, Mário Jorge Edição 1991 Porto
"O castelo de Guimarães", Patrimonia, nº1, 1996, pp.17-28 BARROCA, Mário Jorge Edição 1996
"Da Reconquista a D. Dinis", Nova História Militar de Portugal, vol. I, pp.21-161 BARROCA, Mário Jorge Edição 2003 Lisboa
O castelo e as muralhas de Guimarães. Notícia histórica GUIMARÃES, Alfredo Edição 1940 Porto
Castelos de Portugal II. Os castelo de Entre-Douro-e-Minho BEÇA, Humberto Edição 1925 Famalicão
Castelo de Guimarães. Sua história dramática e militar CARVALHO, A. L. Edição 1937 Guimarães
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
"Castelo de São Mamede e igreja de São Miguel do Castelo", Ilustração Moderna, nº25-26, Jul-Ago. 1928 PINA, José Luís de Edição 1928 Porto
O castelo de Guimarães PINA, José Luís de Edição 1933 Porto
O castelo e as muralhas de Guimarães - apontamentos para a sua história TEIXEIRA, Fernando José Edição 2001 Guimarães
O Castelo de Guimarães FONTE, Barroso da Edição 2000 Guimarães
Castelo de Guimarães e Igreja de São Miguel Edição 2003 Lisboa
O castelo de Guimarães. Boletim da DGEMN, nº8, 1937 Edição 1937 Lisboa

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