Nota Histórico-Artistica
Edificada junto ao Castelo, a capela de Santa Cruz remonta, de acordo com a inscrição do portal principal, ao ano de 1639. De linhas simples, é considerado um dos edifícios religiosos, de traça maneirista, mais característicos de Guimarães (GUIMARÃES, 1983). A sua arquitectura denota duas campanhas bem distintas. A primeira, ocorrida no século XVII, inclui a intervenção arquitectónica, a decoração azulejar e a edificação do cruzeiro no adro fronteiro à igreja, com a seguinte inscrição: O cónego Arrouchela o pôz. Anno de 1640. A segunda campanha, eminentemente decorativa, encontra-se bem patente no retábulo, já de gosto neoclássico, que exibe a imagem de Cristo, por cima do sacrário, sendo, este último, ladeado pelas imagens de São João Baptista e Nossa Senhora.
A capela, de planta rectangular, é antecedida por um alpendre, muito semelhante a outros existentes em capelas da cidade e da região. Este desenvolve-se no eixo da igreja, sendo definido por pilares nos cantos e colunas nos intervalos, formando, no interior, uma espécie de bancada.
Na fachada principal, em empena rematada por cruz, destaca-se o púlpito lateral em granito, e uma Santa Cruz, do mesmo material, situada do lado oposto. No alçado lateral, virado para o Castelo, ergue-se uma pequena torre sineira.
O interior da igreja, outrora totalmente revestido por azulejos "tipo tapete", característicos do século XVII, apresenta apenas um silhar cerâmico. O estado de degradação e a queda de alguns azulejos levou a que se seleccionassem os melhores, de forma a constituir o actual rodapé. Os restantes encontram-se a forrar a sacristia (MACHADO, 1996, p. 13). De acordo com a classificação proposta por Santos Simões, este conjunto azul e amarelo sobre fundo branco, pertence ao padrão da família das camélias, que deverá ter sido executado em data próxima do ano de 1660 (SIMÕES, 1971, p. 28).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível