Nota Histórico-Artistica
Da primitiva torre pertencente ao conjunto defensivo de Alpram, chegou até aos nossos dias apenas a antiga torre do relógio do senado da Câmara, ou seja, a Torre das Cabaças ou do Relógio.
Construída em propriedade real e doada ao Concelho e situada junto a São João de Alporão, esta estrutura é coroada por uma armação de barras de ferro para apoio das vasilhas de barro (cabaças) que lhe dão o nome, e que a memória popular considera significarem as "cabeças ocas" dos vereadores que decidiram erguer tão pouco apelativo maciço fortificado. Contudo, a sua aparente fealdade decorrerá, sobretudo, das sucessivas alterações a que foram sujeitas as muralhas e corpos adjacentes localizados na sua base, concedendo, no seu conjunto, uma determinada visão de desequilíbrio volumétrico. (SERRÃO, Vítor, 1990, pp. 27-28)
Apesar de alguma tradição historiográfica apontar o reinado de D. Manuel I para a sua primitiva fábrica, acredita-se que a relação constatada entre os vestígios de muralhas situados a norte e o facto de apresentar sinais de aparelhos diferentes acima da construção inicial serão indicadores da sua construção anterior. Tal facto não invalida, no entanto, que a Torre tenha sido sujeita a obras durante os reinados de D. Manuel ou de D. João III, sendo certo que as teve na época de Filipe II de Portugal (1604). (RODRIGUES, José Augusto, 1996, pp. 82-83).
Basicamente, trata-se de uma Torre de Relógio quinhentista, de secção quadrangular, no cimo da qual, junto às oito ventanas - donde saem as goteiras ou gárgulas de tipo canhão -, encontrava-se outrora um relógio solar circular, datado de 1596. Para além disso, encontra-se rematada por uma estrutura metálica com oito púcaros de barro em forma de cabaça e que servem de caixa de ressonância ao sino do relógio. Entretanto, as inovações introduzidas pelo isocronismo do pêndulo só foram aplicadas durante os sécs. XVIII e XIX.
A importância assumida pela sua funcionalidade junto da população local alcançou o seu apogeu quando, em 1896, uma Comissão Técnica nomeada pela Câmara propôs a sua demolição, o que originou uma vasta onda de indignação popular a favor da sua preservação. Opinião pública esta, que acabaria por conduzir à classificação deste imóvel como "Monumento Nacional" em 1928. (CUSTÓDIO, Jorge, 1996, p. 105)
Desde as intervenções de conservação e restauro conduzidas pela DGEMN, entre os anos 30 e 50, que a Torre foi preparada para albergar um núcleo museológico - do Tempo. Este novo espaço contempla, simultaneamente, a sua conservação e refuncionalização. (CUSTÓDIO, Jorge, 1996, p. 106).
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 14 985, DG, I Série, n.º 28, de 3-02-1928 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível