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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santo Agostinho (Graça), compreendendo os túmulos, designadamente os dos fundadores e de Pedro Álvares Cabral

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santo Agostinho (Graça), compreendendo os túmulos, designadamente os dos fundadores e de Pedro Álvares Cabral
Outras Designações
Igreja da Graça de Santarém / Igreja de Santo Agostinho / Igreja do Antigo Convento da Graça / Igreja de Santa Maria da Graça de Santarém / Convento da Graça (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Santa Maria da Graça é o último grande monumento gótico monacal que Santarém actualmente conserva. A sua construção ficou a dever-se à iniciativa dos Agostinhos de Lisboa, instalados na cidade a partir de 1376, que conseguiram o patrocínio de nomes importantes da nobreza escalabitana, como os primeiros Condes de Ourém, D. João Afonso Telo de Meneses e sua mulher, D. Guiomar de Vilalobos.
O arranque da construção da igreja aconteceu em 1380, mas dificuldades económicas e a própria história conturbada da família condal, na viragem dinástica, fizeram com que as obras fossem concluídas apenas no segundo quartel do século XV. O produto final que hoje observamos evidencia esse longo período em que o estaleiro esteve activo (CUSTÓDIO, 1996, p.55).
A cabeceira tripartida, o transepto e as naves obedecem às concepções do gótico mendicante tão característico da generalidade dos conventos baixo-medievais de Santarém que chegaram aos nossos dias, não obstante uma maior "tendência da abertura espacial" (PEREIRA, 1995, p.420), fruto certamente do natural caminho da arquitectura religiosa gótica rumo a uma mais clara espacialidade. A fachada principal, com o seu portal cenográfico e a enorme rosácea que ocupa o segundo registo, pelo contrário, está na dependência do Gótico flamejante que, durante a primeira metade do século XV, triunfou no emblemático monumento de Santa Maria da Vitória, na Batalha. A relação entre os portais axiais destes dois monumentos e a proximidade cronológica entre ambos, são circunstâncias que têm sido justamente salientadas pelos vários autores que se referiram à obra escalabitana (SILVA, 1989, p.40; SERRÃO, 1990, p.45, entre outros).
Também as sepulturas da família Meneses, que aproveitaram a igreja para seu panteão, revelam a influência da Batalha, designadamente do túmulo duplo de D. João I com D. Filipa de Lencastre, modelo adoptado por D. Pedro de Meneses e sua mulher, D. Beatriz Coutinho (GOULÃO, 1995, p.173). As referências aos promotores do convento não se restringem, porém, aos seus monumentos funerários. Como identificou Zeferino SARMENTO (1931), republ. 1993, p.10, existem quatro conjuntos escultóricos, dispersos pela igreja, onde se esculpiram as armas dos fundadores, sinais inequívocos do patrocínio deste casal sobre a obra agostinha.
Durante a Idade Moderna, o conjunto foi objecto de muitas renovações. O claustro, datado de 1597, foi edificado por António Dias e, no século seguinte, as alas conventuais foram totalmente reformadas, sendo estas empreitadas marcadas por legendas epigráficas em alguns portais, como as de 1638 e 1673. Ainda na década de 70 do século XVI, acrescentou-se um terceiro piso ao convento e realizaram-se outras obras não discriminadas na cerca (CUSTÓDIO, 2000, p.5).
No interior da igreja, os trabalhos não foram de menor relevância. Continuando a tradição funerária do espaço, muitos foram os poderosos escalabitanos que aqui se fizeram enterrar. Para além do túmulo do navegador Pedro Álvares Cabral, na capela de São João Evangelista, e dotado de longa legenda epigráfica, merece realce o túmulo renascentista de Pero Rodrigues de Portocarreiro (1532). De um ano antes é a capela do Senhor Jesus dos Passos, mandada edificar por D. Mécia Mendes de Aguiar, mulher do navegador Gonçalo Gil Barbosa. Na segunda metade do século, construiu-se a capela de D. Gil Eanes da Costa, "presidente do Desembargo do Paço e da Câmara de Lisboa, com assento no Conselho de Estado de Filipe II". Para esta obra, infelizmente desmantelada pelo restauro do século XX, o promotor escolheu nomes cimeiros da arte nacional, como o arquitecto Pedro Nunes Tinoco e o pintor Diogo Teixeira (SERRÃO, 1990, pp.69-70).
Extinto o convento, as suas instalações foram ocupadas, em 1872, pelo Lar de Santo António. Nos meados do século XX, a DGEMN procedeu a um restauro selectivo, que visou suprimir tudo o que fosse posterior a 1500, desmantelando-se, então, a maioria das obras maneiristas e barrocas.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 29-10-1946, publicada no DG, II Série, n.º 282, de 4-12-1946 (com ZNA)
Afectação 9913429
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Santarém / Santarém / União de Freguesias da cidade de Santarém
Largo Pedro Álvares Cabral
Santarém -
Polícia:
LATITUDE
39.234815
LONGITUDE
-8.680247
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1376
1376, que conseguiram o patrocínio de nomes importantes da nobreza escalabitana, como os primeiros Condes de Ourém, D. J
1380
1380, mas dificuldades económicas e a própria história conturbada da família condal, na viragem dinástica, fizeram co...
1500
1500, desmantelando-se, então, a maioria das obras maneiristas e barrocas.PAF
1532
1532).
1597
1597, foi edificado por António Dias e, no século seguinte, as alas conventuais foram totalmente reformadas, sendo es...
1638
1638 e 1673.
1673
1673.
1872
1872, pelo Lar de Santo António.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Santa Maria da Graça é o último grande monumento gótico monacal que Sa...
1931
1931), republ.
1989
1989, p.40; SERRÃO, 1990, p.45, entre outros).Também as sepulturas da família Meneses, que aproveitaram a igreja para...
1990
1990, p.45, entre outros).Também as sepulturas da família Meneses, que aproveitaram a igreja para seu panteão, revela...
1993
1993, p.10, existem quatro conjuntos escultóricos, dispersos pela igreja, onde se esculpiram as armas dos fundadores,...
1995
1995, p.420), fruto certamente do natural caminho da arquitectura religiosa gótica rumo a uma mais clara espacialidade.
1996
1996, p.55).A cabeceira tripartida, o transepto e as naves obedecem às concepções do gótico mendicante tão caracterís...
2000
2000, p.5).No interior da igreja, os trabalhos não foram de menor relevância. C
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
Santarém SERRÃO, Vítor Edição 1990
O Tardo-Gótico em Portugal, a Arquitectura no Alentejo SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1989 Lisboa
"II. Igreja de Nossa Senhora da Graça (Santo Agostinho)", Património monumental de Santarém CUSTÓDIO, Jorge Edição 1996
Igreja de Santa Maria da Graça CUSTÓDIO, Jorge Edição 2000 Lisboa
"A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
História de Santarém Edificada VASCONCELOS, Pe. Inácio da Piedade Edição 1740
História e Monumentos de Santarém SARMENTO, Zeferino Edição 1993
Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1949 Lisboa
Santarém: História e Arte SERRÃO, Joaquim Veríssimo Edição 1951
As mais belas igrejas de Portugal, vol. II GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
A escultura em Portugal (séculos XII-XV) SANTOS, Reinaldo dos Edição 1948 Lisboa
"Figuras do Além. A escultura e a tumulária", História da Arte Portuguesa, vol. II, pp.157-179 GOULÃO, Maria José Edição 1995 Lisboa

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