A carregar dados...

Logótipo MCJD PCI
Logótipo MCJD PCI

Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja e Torre de Manhente

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja e Torre de Manhente
Outras Designações
Mosteiro de Manhente (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Em 2003 o conjunto monumental de Manhente foi alvo de um rigoroso estudo por parte de Mário Barroca, que logrou identificar e sistematizar numerosos elementos pré-românicos que haviam passado despercebidos até aos nossos dias. Em boa verdade, alguns dos vestígios eram já conhecidos e encontravam-se, há muito, associados à igreja (casos de dois silhares reaproveitados na parede fundeira da capela-mor, de moldura toreada e um deles ostentando uma cruz pátea). Mas outros revelaram-se inteiramente novos, como a reaproveitada porta da torre, reformulada em época gótica, e cuja pedra de fecho apresenta uma cruz pátea pré-românica. De acordo com M. Barroca, tratar-se-ia de uma porta do templo do primitivo mosteiro (a julgar pela carga simbólica da cruz tutelar) e apresenta uma "extraordinária qualidade técnica e plástica", que lhe confere o estatuto de obra maior do pré-românico da área portucalense e datável, segundo o autor, da segunda metade do século X ou inícios do seguinte (BARROCA, 2003, pp.680-685). As analogias estilísticas por si citadas com realizações da primeira metade do século X, como Celanova ou Peñalba, poderão mesmo recuar um pouco a cronologia até à primeira metade do século X, altura em que o entre-Douro-e-Minho foi objecto de uma intensa organização asturiano-leonesa.
Este insuspeitado passado pré-românico, não referido documentalmente, enriquece o conjunto medieval que chegou até aos nossos dias e explica, em parte, as grandes transformações ocorridas no período românico. Como estabelecimento pré-existente, documentado a partir de finais do século XI, não espanta que D. Afonso Henriques lhe tivesse doado carta de couto logo em 1128, pouco tempo antes da Batalha de São Mamede, num diploma que é ainda alvo de alguma desconfiança histórica (Cf. IDEM, pp. 667-668). Antes disso, porém, havia-se iniciado uma nova fase de obras, atestada por uma inscrição datada de 1117.
Desconhecemos se a empreitada de reconstrução integral do templo tenha arrancado nessa data e se estaria concluída escassos seis anos depois - como sugere M. Barroca a partir de uma outra inscrição, datada de 1123, hoje reaproveitada na parede Norte do corpo da igreja, junto ao telhado (IDEM, p.673) - ou se, em alternativa, o letreiro comemorativo de 1117 diga respeito à conclusão dos trabalhos. Em todo o caso, estamos em presença de uma das mais precoces obras românicas portuguesas (ao contrário do que pensou ALMEIDA, 1986, pp.68-70 e 2001, p.100, que datou o conjunto de finais do século XII), testemunhada pelo seu portal ocidental, cujo perfil e reportório decorativo é elucidativo: de desenho ainda um pouco ultrapassado, as arquivoltas são ornamentadas com motivos geométricos, como cordiformes, bilhetes, pontas de lança ou fitas dobradas, realizações características do eixo românico de Braga-Rates durante a primeira metade do século XII e que progrediu no entre-Douro-e-Minho como fundo local alheio às influências mais complexas que, por essa mesma altura, se começaram a fazer sentir vindas da Galiza.
A obra ocidental de Manhente é ainda fundamental porque a inscrição de 1117 legou-nos o nome do presumível mestre de obras, Gundisalvus magister, circunstância rara no panorama da nossa arquitectura medieval e que, dadas as profundas afinidades com o projecto catedralício que, por essa mesma altura, ainda se desenrolava em Braga, pode trazer alguma luz sobre o responsável pelo nosso primeiro românico da região.
Planimetricamente, o templo não apresenta quaisquer novidades, compondo-se de uma nave rectangular e uma capela-mor mais baixa que o corpo. Do lado Sul da frontaria existe uma torre de planta quadrangular, possivelmente construída no século XIV (BARROCA, 2003, p.678), que se associava às dependências monacais, também elas alvo de trabalhos por essa altura. De apenas dois andares, terá sido edificada com o intuito de proteger e de assinalar o poder fundiário do mosteiro de Manhente na Baixa Idade Média.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2 166, DG, I Série, n.º 265, de 31-12-1915 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9914629
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Braga / Barcelos / Manhente
- -
Lugar da Igreja -
Polícia:
LATITUDE
41.54403
LONGITUDE
-8.573593
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1117
1117.Desconhecemos se a empreitada de reconstrução integral do templo tenha arrancado nessa data e se estaria concluí...
1123
1123, hoje reaproveitada na parede Norte do corpo da igreja, junto ao telhado (IDEM, p.673) - ou se, em alternativa, ...
1128
1128, pouco tempo antes da Batalha de São Mamede, num diploma que é ainda alvo de alguma desconfiança histórica (Cf. IDE
1915
1915 (ver Decreto) Em 2003 o conjunto monumental de Manhente foi alvo de um rigoroso estudo por parte de Mário Barroc...
1986
1986, pp.68-70 e 2001, p.100, que datou o conjunto de finais do século XII), testemunhada pelo seu portal ocidental, ...
2001
2001, p.100, que datou o conjunto de finais do século XII), testemunhada pelo seu portal ocidental, cujo perfil e rep...
2003
2003 o conjunto monumental de Manhente foi alvo de um rigoroso estudo por parte de Mário Barroca, que logrou identifi...
2
IMAGENS
14
BIBLIOGRAFIAS
PCIP Logo
Acesso Móvel
QR Code

Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta ficha no imediato.

Partilhar Património

Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arte românica de Coimbra (novos dados - novas hipóteses) REAL, Manuel Luís Obra
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Catálogo do Museu Arqueológico de Barcelos ALMEIDA, Carlos Alberto Brochado de, ANTUNES, João Manuel Viana, MILHAZES, Cláudia Edição 1991 Barcelos
"A extinção do Mosteiro de Manhente", Barcellos Revista, nº2 MARQUES, José Edição 1985 Barcelos
Necrópoles e sepulturas medievais de Entre-Douro-e-Minho: séculos V a XV BARROCA, Mário Jorge Edição 1987 Porto
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
"O arco pré-românico do mosteiro de Manhente (Barcelos)", Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto - Departamento de Ciências e Técnicas do Património, nº2, pp.665-686 BARROCA, Mário Jorge Edição 2003 Porto
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado (1948), 2ªed. fasimiliada FONSECA, Teotónio da Edição 1987 Barcelos
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

Imóveis nas Proximidades

Exploração Geográfica
Conjunto constituído pela Igreja e Convento de Vilar de Frades, cerca e outros elementos construídos na sua envolvente
Conjunto constituído pela Igreja e Convento de Vilar de Frades, cerca e outros elementos construídos na sua envolvente

Barcelos

Ver Ficha
Monumento Castrejo de Santa Maria de Galegos
Monumento Castrejo de Santa Maria de Galegos

Barcelos

Ver Ficha
Igreja de Nossa Senhora do Terço
Igreja de Nossa Senhora do Terço

Barcelos

Ver Ficha
Campo da Feira de Barcelos
Campo da Feira de Barcelos

Barcelos

Ver Ficha