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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Casa da Rua de D. Duarte

Arquitectura Civil / Casa

Designação
Designação Atual
Casa da Rua de D. Duarte
Outras Designações
Paço da Torre / Casa do Ducado / Casa da Rua D. Duarte (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Casa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Segundo reza uma tradição, provavelmente infundada, o rei D. Duarte nasceu em Outubro de 1391 numa casa da rua que hoje leva o seu nome, no centro do burgo medieval de Viseu. Alguns anos mais tarde, entre 1408 e 1415, D. João I instituiu toda a região como feudo, e finalmente como ducado, cujo senhorio foi entregue a seu filho D. Henrique. Na referida casa poderia ter estado instalado o Paço Ducal, função que justificou a alusão ao nascimento régio: em 1934, o historiador Maximiano de Aragão referia documentação na qual se afirmava que D. Duarte nascera na Casa do Almoxarifado, sendo de facto plausível que o Almoxarifado de Viseu tenha funcionado em dependências dos paços henriquinos (que poderiam ser simples casas de pousada para os monarcas), embora a localização exacta de ambos seja desconhecida. Em todo o caso, a partir de 1460, com a morte do primeiro duque de Viseu, o edifício tercentista passou para a posse do Cabido da Sé. Nos anos seguintes foi emprazado a Antão Gomes de Abreu, fidalgo da Casa Real e irmão do bispo da cidade, D. João de Abreu, e novamente a seu filho, Pero Gomes de Abreu, cónego da Sé.
Ao cónego Gomes de Abreu, arrendatário do imóvel desde 1500, devem-se seguramente as obras que o imóvel sofreu, para melhor se adaptar a uma moderna residência senhorial. Nestas obras pode integrar-se a abertura da janela com moldura manuelina que melhor caracteriza a construção, pormenor enobrecedor da fachada principal, de resto muito singela. Era então duque de Viseu o próprio rei D. Manuel, e a cidade mantinha contínuo crescimento, possuindo excelentes condições agrícolas, e uma localização que lhe permitia um desenvolvimento comercial atestado pelo privilégio da feira franca.
O imóvel é uma caixa murária de fachadas simples, relativamente estreita em relação à altura dos seus três pisos, que permite identificar a construção tercentista como casa-torre inserida em meio urbano. A esta marcada verticalidade soma-se o rés-do-chão fechado, sem iluminação exterior ou porta de acesso (este é feito através de outro imóvel, com entrada pela Rua do Comércio), de acordo com a tipologia das torres medievais, possuindo arrecadações cegas no nível térreo e porta aberta no primeiro andar, a vários metros do chão (José Custódio Vieira da SILVA, 1995), onde se colocava uma escada de madeira.
Entre os poucos vãos rasgados na fachada principal sobressai a janela manuelina do segundo piso, geminada, e carregada com ornamentação festiva de cariz vegetalista, emoldurando o brasão do cónego Pero Gomes de Abreu. Um erro na interpretação deste brasão (esquartelado de Abreu e Soares de Albergaria), causado pela leitura da cruz dos Abreu com a cruz de Aviz, poderia estar na origem da tradição que coloca neste local o antigo Paço Ducal (cfr. Guia de Portugal, 1984). Quanto à referida janela, é possível que aproveite o vão da porta primitiva, uma vez que a cantaria dos muros é contínua e de aparelhamento mais antigo nos dois pisos inferiores, não denotando qualquer obra destinada a fechar aberturas existentes. O contrário se passa no terceiro piso, iluminado por duas janelas igualmente quinhentistas, de ombreiras largas e verga recta, com decoração polilobada, e cujo rasgamento implicou a alteração do aparelho original, sendo bem visível a transição entre este e as pedras de talhe mais regular das obras modernas. Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, IP
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9914630
Localização
Viseu / Viseu / Viseu
Rua de D. Duarte
Viseu -
Polícia:
LATITUDE
40.658406
LONGITUDE
-7.911927
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1391
1391 numa casa da rua que hoje leva o seu nome, no centro do burgo medieval de Viseu.
1408
1408 e 1415, D.
1415
1415, D.
1460
1460, com a morte do primeiro duque de Viseu, o edifício tercentista passou para a posse do Cabido da Sé. N
1500
1500, devem-se seguramente as obras que o imóvel sofreu, para melhor se adaptar a uma moderna residência senhorial. N
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Segundo reza uma tradição, provavelmente infundada, o rei D. Du
1934
1934, o historiador Maximiano de Aragão referia documentação na qual se afirmava que D. Du
1984
1984).
1995
1995), onde se colocava uma escada de madeira.Entre os poucos vãos rasgados na fachada principal sobressai a janela m...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Paços Medievais Portugueses SILVA, José Custódio Vieira da Edição 2002 Lisboa
Viseu CORREIA, Alberto Edição 1989 Lisboa
Guia de Portugal, Beira II - Beira Baixa e Beira Alta DIONÍSIO, Sant'Ana Edição 1984 Lisboa
Arte Monumental Portuguesa AZEVEDO, Correia de Edição 1975 Porto

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