Nota Histórico-Artistica
O antigo Convento de São Gregório Magno, onde se integrava a Igreja do Carmo, foi fundado em 1558, depois de D. Jaime de Lencastre, bispo de Ceuta e prior da Igreja de São Pedro, ter doado aos Carmelitas Calçados uma ermida, já então com a invocação de São Gregório, bem como os terrenos que lhe estavam anexos, para a edificação de um convento.
No entanto, as obras iriam arrastar-se até à centúria seguinte. Certamente edificada de raiz na estrutura quinhentista do templo, a capela-mor foi dotada e ornamenta em 1624 por João Rodrigues de Novais e sua mulher, Maria de Almeida, que foram sepultados nesse espaço.
Depois da extinção das ordens religiosas, o convento e a igreja passaram a integrar o património da Misericórdia de Torres Novas, que em 1882 transformou o espaço conventual num hospital, que ali funcionou até 2000.
O templo apresenta uma fachada dividida em três panos, que lembra o frontispício do templo de São Vicente de Abrantes. Ao centro foi rasgado um portal de moldura rectangular encimado por friso, com a inscrição 1689, sobre o qual foi aberta uma janela com guarda de ferro. Nos panos laterais foram rasgadas duas portas de moldura rectangular com frontão curvo.
O interior do templo é de nave única coberta por abóbada de berço com caixotões de estuque. Ao fundo foi edificado o coro-alto de madeira, e nas paredes laterais foram abertas duas capelas, de cada lado, que abrem com arcos de volta perfeita assente sobre pilastras toscanas e cobertas por abóbada de caixotões. A igreja tem ainda painéis de azulejos seiscentistas, que decoram a Capela do Senhor dos Aflitos e a parede sobre o arco triunfal.
A capela-mor é coberta por uma abóbada de caixotões pintada com ornamentos de ferroneries , que enquadram as armas da Ordem do Carmo. Ao centro foi colocado o retábulo rococó, em estuque marmoreado, que alberga a imagem de Nossa Senhora do Carmo e de São José. Nas paredes laterais foram integrados os túmulos dos fundadores encimados pelas pedras de armas de cada um, do lado do Evangelho João Rodrigues de Novais, e na parede fronteira D. Maria de Almeida.
Catarina Oliveira
IPPAR/2006
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-CZ/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 13-11-2012 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 13448/2012, DR, 2.ª série, n.º 184, de 21-09-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 18-06-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 12-03-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo, retirando os imóveis a demolir e alterando a designação para "Igreja e vestígios do Convento do Carmo"
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de 3-09-2009 do director do IGESPAR, I.P. para o alargamento do âmbito da classificação
Parecer de 26-08-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. favorável à classificação do conjunto
Informação desfavorável de 7-08-2009 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo
Proposta de 9-12-2008 da CM de Torres Novas para o alargamento do âmbito da classificação, de forma a abranger o Convento
Despacho de 1-04-1993 da vice-presidente do IPPAR a determinar a abertura do procedimento de classificação da Igreja do Carmo
Número do Processo
Não disponível