Nota Histórico-Artistica
Desde os anos 30 do século XX ligada ao Museu Municipal de Torres Novas, que a partir de 1942 viria a designar-se por Museu de Carlos Reis, em homenagem ao pintor natural desta cidade, esta Casa pertenceu, como o nome indica, à família Mogo de Melo, remontando a sua edificação, muito possivelmente, aos meados do século XVIII. Não é de excluir, no entanto, a existência de edifícios de épocas anteriores, uma vez que o imóvel é formado por corpos diferenciados.
Da sua longa fachada principal, ganha especial relevância a capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade, rematada por um elevado frontão contracurvado, que por sua vez é flanqueado por um pináculo, e pela sineira, de dimensões reduzidas. O alçado da capela é prolongado pela fachada do edifício, aberta por diversos vãos simétricos, numa solução própria da arquitectura civil de Setecentos, e que termina no muro de remate recortado que fecha o pátio onde se desenvolve o último dos corpos do imóvel. Este muro é aberto por um portão de verga recta, encimado por frontão contracurvado, e ladeado por duas janelas gradeadas.
A casa manteve-se na posse dos Mogo de Melo até 1885, ano em que foi vendida a Rafael Apolinário Ferreira e Silva, acolhendo o Colégio de Jesus, Maria e José a partir de 1893, por doação à superiora da dita instituição. Dirigido pela congregação da Companhia de Santa Teresa de Jesus, o colégio foi extinto em 1910, passando, então, para a posse do Estado. Voltou a ser vendido em 1922, pela Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas, à Câmara Municipal de Torres Novas, que aí instalou as Escolas Gerais (GONÇALVES, 1937, pp. 99-100).
Na década de 1930, a capela acolheu algumas das peças que viriam a formar o museu municipal, que desde logo procurou um local mais espaçoso e com melhores condições para exibir o seu espólio. Depois de passar por diversas instalações, acabou por regressar às suas origens, inaugurando o novo espaço museológico na remodelada Casa do Mogo de Melo, a 29 de Outubro de 1993 (BICHO, p. 187). A colecção integra, para além da escultura, da pintura, da arte sacra, ou da arqueologia, um importante núcleo constituído por trabalhos realizados pelo pintor Carlos Ramos.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital de 28-12-1992 da CM de Torres Novas
Despacho de concordância de 29-05-1990 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 21-05-1990 do presidente do IPPC
Parecer favorável de 26-04-1990 da 9.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPC
Proposta de 14-02-1990 do IPPC para a classificação como VC
Despacho de 27-09-1989 do presidente do IPPC a determinar a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 8-08-1989 da CM de Torres Novas
Número do Processo
Não disponível