Nota Histórico-Artistica
Da autoria do arquitecto José da Costa e Silva, construído e inaugurado em finais do séc. XVIII, este edifício - que sofreu diversas intervenções ao longo das suas mais de duas centúrias de existência - de características neoclássicas e de inspiração seiscentista e italiana (nomeadamente inspirado no Teatro di San Carlo, de Nápoles, e no Teatro dela Scalla de Milão) foi concebido como teatro de corte para uma Lisboa aburguesada, revelando-se o primeiro do género a abrir ao público entre nós.
De planta longitudinal, composta, com volumes articulados e cobertura diferenciada, apresenta o frontespício dividido em três corpos, dois pisos sobrepostos sobre mezanino, e um terceiro sobre o corpo central. É, precisamente, este corpo que revela, ao nível do piso térreo, uma loggia composta de três arcos frontais e um lateral, em volta perfeita, coroado por um terraço perfeito de balaustrada de cantaria, cujas janelas se encontram emolduradas por parastase, que suporta uma cornija destacada. Possuem, ainda, um coroamento constituído por panéis com inscrição e dois altos relevos.
Ao nível do terceiro piso, este mesmo corpo central apresenta um relógio envolvido por grinaldas e duas janelas, sendo todo ele encimado por dois pináculos e um brasão. Ao nível do primeiro piso, os dois corpos laterais possuem duas portas de verga recta coroadas por janelas baixas. Embora com as mesmas duas janelas, ao nível do segundo andar elas apresentam-se com balaustrada em cantaria, cornija saliente e uma pequena janela na zona do mezanino.
Quanto ao interior, será de realçar a sala de espectáculos, de planta elíptica com cinco ordens de camarotes, italianizantes, bem como o salão nobre ao nível da quarta ordem. Para além deste aspecto mais formal, não podemos deixar de mencionar toda a decoração, na qual participaram diversos artistas plásticos e arquitectos. Serão sobretudo de realçar as pinturas atribuídas a Cirilo Wolkmar Machado - que interveio no tecto do vestíbulo e no pano da boca de cena - Manuel da Costa - no tecto do salão - e Giovanni Appianni, ao nível do camarote real.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (reclassificou como MN, com a designação de Teatro Nacional de São Carlos) (ver Decreto)
Despacho de concordância de 7-02-1995 do Subsecretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 15-12-1994 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 29-11-1994 da DR de Lisboa do IPPAR para a reclassificação como MN
Decreto n.º 15 962, DG, I Série, n.º 214, de 17-09-1928 (classificou como IIP, com a designação de Teatro de São Carlos) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível