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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Edifício na Rua Garrett, onde se encontra instalado o café A Brasileira, também denominado «Brasileira do Chiado», incluindo o próprio café e o troço de calçada fronteiro à porta em que se lê o nome do estabelecimento e os números de polícia

Arquitectura Civil / Edifício

Designação
Designação Atual
Edifício na Rua Garrett, onde se encontra instalado o café A Brasileira, também denominado «Brasileira do Chiado», incluindo o próprio café e o troço de calçada fronteiro à porta em que se lê o nome do estabelecimento e os números de polícia
Outras Designações
Edifício na Rua Garrett, n.º 102 a 122 / Café A Brasileira do Chiado / Loja David / Pastelaria Bénard / Livraria Sá da Costa / Hotel Borges (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Inventário Temático Norte Júnior 1905-1929 (Ver Inventário Temático Norte Júnior)
Tipologia
Edifício
Itinerário Temático
Norte Júnior
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O café A Brasileira situa-se no edifício do topo da Rua Garrett, frente ao Largo do Chiado, em Lisboa. No espaço, destaca-se a fachada de gosto eclético, uma exuberante estrutura em ferro forjado edificada entre 1922 e 1923. O programa decorativo assemelha-se a outros projetos executados nas primeiras décadas do século XX para espaços comerciais, que renovaram a linguagem eclética do início do século com elementos Arte Nova, como é o caso das frontarias dos cafés Nicola e Majestic, em Lisboa e no Porto, respetivamente, ou das ourivesarias Machado e Reis & Filhos, também no centro da Invicta.
A fachada do café, no piso térreo do prédio, inscreve um arco de volta perfeita em mármore, assente em bases decoradas com florões e encimado por friso marmóreo, albergando no extradorso duas estátuas, à esquerda uma figura feminina, à direita uma masculina, ambas envoltas em folhagens. A estrutura de ferro encaixada no intradorso do arco divide-se em três corpos com portas de ferro envidraçadas, encimadas por reticulado de losangos de vidro, e duas pilastras divisórias. As portas laterais são rematadas por frontões com volutas e duas máscaras humanas rodeadas por um pendente de cachos de uvas. O conjunto é terminado por imponente remate em cartela, com a inscrição "A BRASILEIRA", sobrepujando um medalhão central com o símbolo do estabelecimento - uma figura masculina de casaca verde e amarela que toma café - envolto em exuberantes motivos vegetalistas.
O espaço interior, um salão retangular, é forrado com painéis de madeira e espelhos, tendo à direita o balcão e à esquerda uma escada de ferro de acesso ao piso inferior. Divide-se em quatro secções marcadas por duplas pilastras em mármore negro adossadas às paredes laterais e encimadas por medalhões. O topo da sala, junto à passagem para as cozinhas, foi forrado por armário fingido em madeira, onde se inscreve ao centro um grande relógio com moldura de volutas encimado por máscara humana. O teto é decorado com elementos de estuque pintados, e a toda a volta do salão estão expostas obras de pintores de renome que frequentaram o café, como Nikias Skapinakis, Vespeira ou João Vieira.
História
A Brasileira do Chiado, casa de comércio de cafés importados do Brasil, foi fundada por Adriano Soares Teles do Vale em 1905. Inicialmente apenas dedicada à venda a retalho, a Brasileira inaugurou a sala de café no ano de 1908, oferecendo aos lisboetas um espaço social que rapidamente se tornou num dos mais importantes centros culturais da cidade.
Em 1922 a firma A Brasileira, Lda. requeria à Câmara Municipal autorização para "transformar a fachada atual do seu estabelecimento". O projeto da emblemática fachada deve-se ao risco do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior, considerado "o mais famoso dos arquitectos de Lisboa" de então (França: 1992, p. 156). O modelo do café lisboeta, luxuoso e ao gosto parisiense, tem a marca distintiva do seu autor, presente nas estátuas que guardam a entrada do espaço, nas elegantes grinaldas que substituem estruturas arquitetónicas, nas características máscaras ou no cuidado trabalho de ferro forjado. Quando da intervenção os jovens artistas que então frequentavam as tertúlias do café pintaram um conjunto de telas que passaram a decorar o espaço. Entre estas estavam obras de Jorge Barradas, Stuart Carvalhais, Eduardo Viana e Almada Negreiros, que foram substituídas nos anos 70 pelas que hoje ocupam o interior.
O edifício d' A Brasileira foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997 devido ao programa arquitetónico exterior e ao importante lugar simbólico que o espaço ocupa na história cultural e social da cidade de Lisboa.
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Edital N.º 149/82 de 28-10-1982 da CM de Lisboa
Despacho de concordância de 1-06-1981 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 29-05-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação como IIP do café, do pedaço de calçada e igualmente do edifício
Proposta de 23-03-1981 do IPPC para a classificação do café da Brasileira, incluindo o pedaço de calçada fronteiro à porta
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Despacho de 18-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a concordar com o parecer e a devolver o processo à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para apresentar propostas de ZEP individuais, ou conjuntas nos casos em que tal se justifique
Parecer de 10-10-2011 da SPA do Conselho Nacional de Cultura a propor o arquivamento
Proposta de 22-08-2006 da DR de Lisboa para a ZEP conjunta do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente
Afectação 9914631
Localização
Lisboa / Lisboa / Santa Maria Maior
Rua Garret
Lisboa -
Polícia: 100-122
Rua Serpa Pinto
Lisboa -
Polícia: 33-53
Travessa da Trindade
Lisboa -
Polícia: 1-3
LATITUDE
38.710876
LONGITUDE
-9.14194
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1905
1905.
1908
1908, oferecendo aos lisboetas um espaço social que rapidamente se tornou num dos mais importantes centros culturais ...
1922
1922 e 1923.
1923
1923.
1981
1981 do Secretário de Estado da Cultura Parecer de 29-05-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação c...
1982
1982 da CM de Lisboa Despacho de concordância de 1-06-1981 do Secretário de Estado da Cultura Parecer de 29-05-1981 d...
1992
1992, p.
1997
1997 (ver Decreto) Edital N.º 149/82 de 28-10-1982 da CM de Lisboa Despacho de concordância de 1-06-1981 do Secretári...
2015
2015
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
<i>Os Anos Vinte em Portugal</i>. FRANÇA, José-Augusto Edição 1992 Lisboa
<i>História do Prémio Valmor</i> PEDREIRINHO, José Manuel Edição 1988 Lisboa
"O Chiado". <i>Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa</i>. RIO-CARVALHO, Manuel Edição 1973
"Norte Júnior - O percurso e a obra de um arquitecto artista". <i>Sociedade Amor da Pátria. 150º Aniversário. 1859-2009</i>. CALADO, Maria Edição 2009 Horta
<i>Norte Júnior: obra arquitectónica</i>, Tese de Mestrado em História da Arte. PAIXÃO, Maria da Conceição Ludovice Edição 1989 Lisboa
Arquivo Municipal de Lisboa, Obra n.º 39728 Edição 1904 Lisboa

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

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