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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Sé da Guarda

Arquitectura Religiosa / Sé, Catedral

Designação
Designação Atual
Sé da Guarda
Outras Designações
Tipologia
Sé, Catedral
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Transferida a diocese da Egitânia para a nova cidade da Guarda em 1199, por pedido de D. Sancho I ao Papa Inocêncio III, imediatamente se começou a construir uma catedral. Dessa primitiva construção, românica, hoje nada resta, mas nos meados do século XX, decorrendo obras nesta zona, Adriano V. Rodrigues viu ainda algum material, que definiu, então, como provenientes de "um singelo edifício". Uma segunda Sé seria construída por D. Sancho II, diante da Torre dos Ferreiros, local onde hoje se situa a Igreja da Misericórdia. Concluída pelos meados do século XIV, haveria de ser destruída aquando da reforma fernandina das muralhas, por se situar fora de portas. Sabemos também muito pouco acerca desta segunda catedral, cujos alicerces Joaquim de Vasconcelos ainda viu e cuja planta disse definir um templo de três naves.
A actual Sé da Guarda recua aos finais do século XIV. O último monarca da primeira dinastia não consumou a promessa de iniciar as obras de novo templo, facto que apenas aconteceu já no reinado de D. João I, por iniciativa do bispo D. Vasco de Lamego, partidário da causa de Avis nos anos da crise dinástica. As obras, contudo, haveriam de se revelar bastante lentas, Século e meio de estaleiro activo fizeram da Sé da Guarda um dos mais interessantes monumentos tardo-góticos nacionais, em que a sucessão de opções estéticas está bem presente. Na actualidade, consideram-se dois grandes momentos artísticos da construção: um primeiro, gótico, na influência do Mosteiro da Batalha, e um segundo, já manuelino, longinquamente relacionado com a arte de Boytac.
Da primeira metade do século XV data a configuração geral da cabeceira. Mário Chicó disse da Catedral da Guarda ser o "monumento que mais se aproxima da igreja do Mosteiro da Batalha" (CHICÓ, 3ªed., 1981, p.178). Ainda que abordagens posteriores tenham colocado muitas reservas em relação a esta analogia (PEREIRA, 1995, p.44), as semelhanças que encontramos na cabeceira são realmente sintomáticas quanto a uma proximidade estilística, como os contrafortes escalonados da capela-mor ou os capitéis da cabeceira, que se assemelham dos da Capela do Fundador. Tem-se debatido muito acerca do arquitecto deste projecto, aparecendo o nome de Afonso Domingues, como um dos mais prováveis, mas a verdade é que esta relação não se encontra provada, e a maior aproximação à obra de Huguet parece invalidar esta hipótese.
Durante a segunda metade do século XV as obras terão decorrido com enorme lentidão e só no episcopado de D. Pedro Gavião (1504-1517) se verificou o impulso que conduziu à conclusão do edifício. Data deste período as naves, o abobadamento de todo o edifício e a realização do portal principal, este último com claras afinidades com o portal da capela da Universidade de Coimbra, realizado por Marcos Pires (PEREIRA, 1995, p.48). A feição fortificada de todo o conjunto é uma das características essenciais desta catedral, de que se destaca a maciça composição tripartida da fachada principal, com duas torres octogonais e de perfil em quilha na parte inferior.
Já do período de finalização das obras, no reinado de D. João III, datam duas das mais importantes obras do interior do edifício. Uma é a capela dos Pina, mandada edificar por João de Pina, tesoureiro da Catedral, que aqui se fez sepultar em túmulo com jacente. A outra obra maior é o catequético retábulo-mor, em pedra de ançã, executado por João de Ruão na década de 50, obra que revela já a abertura ao Maneirismo que caracterizará o trabalho deste escultor a partir daí (SERRÃO, 2002, p.149).
A história da Catedral ficou ainda marcada por um outro período, bem mais recente: a viragem para o século XX. Em 1898, reunidas as condições económicas para se efectuar o restauro do edifício, coube ao arquitecto Rosendo Carvalheira conduzir as obras, executando, aqui, um dos mais importantes projectos revivalistas do país.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Decreto de 10-01-1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 15-05-1953, publicada no DG, II Série, n.º 154, de 3-07-1953 (com ZNA)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Guarda / Guarda
Praça Luís de Camões
Guarda -
Polícia:
LATITUDE
40.538396
LONGITUDE
-7.269169
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1199
1199, por pedido de D.
1504
1504-1517) se verificou o impulso que conduziu à conclusão do edifício. Da
1517
1517) se verificou o impulso que conduziu à conclusão do edifício. Da
1898
1898, reunidas as condições económicas para se efectuar o restauro do edifício, coube ao arquitecto Rosendo Carvalhei...
1907
1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (ver Decreto) Transferida a diocese da Egitânia para a nova cidade da Guarda em 1199,...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)Decreto de 10-01-1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (ver Decreto) Transfer...
1981
1981, p.178).
1995
1995, p.44), as semelhanças que encontramos na cabeceira são realmente sintomáticas quanto a uma proximidade estilíst...
2002
2002, p.149).A história da Catedral ficou ainda marcada por um outro período, bem mais recente: a viragem para o sécu...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Para um estudo crítico da Catedral da Guarda ATANÁZIO, Manuel Mendes Edição 1990
História da Arte em Portugal - o Renascimento e o Maneirismo SERRÃO, Vítor Edição 2002 Lisboa
A Guarda medieval, posição, morfologia e sociedade (1200-1500) GOMES, Rita Costa Edição 1987 Lisboa
Guarda PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Monografia artística da Guarda RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1984 Guarda
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
"O restauro da Sé da Guarda Rosendo Carvalheira e o poder sugestivo da arquitectura", Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2ª Série, vol. XIII, pp.535-559 ROSAS, Lúcia Maria Cardoso Edição 1996 Porto
"As grandes obras dos Afonsos", Terras da Beira, 17/4/2003 MARUJO, Gabriela Edição 2003
"Localização foi causa determinante para o desaparecimento. Demolir para fazer de novo", Terras da Beira, 17/4/2003 MARUJO, Gabriela Edição 2003
Diocese e districto da Guarda : serie d'apontamentos históricos... CASTRO, José Osório da Gama e Edição 1902 Porto
As origens da cidade da Guarda AGUIAR, Carlos Alexandre Edição 1942
História da Diocese da Guarda GOMES, José Pinharanda Edição 1981 Braga
"Guarda", A arte e a natureza em Portugal, vol. VIII, 1908 VASCONCELOS, Joaquim de Edição 1908
Apontamentos para uma monografia da Guarda OLIVEIRA, Carlos de Edição 1940 Guarda
Memória sobre a Catedral da Guarda CARVALHEIRA, Rosendo Garcia de Araújo Edição 1902
A Catedral da Guarda e o seu retábulo PEREIRA, Ernesto Edição 1940
A serra da Estrêla e as suas beiras SIMÕES, Viriato Edição 1979 Lisboa
Sé Catedral da Guarda as formas no tempo Edição 1990

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