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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Bragança

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Bragança
Outras Designações
Castelo e cerca urbana de Bragança (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A história medieval de Bragança é a história da tentativa de instituição de um centro regional dominante na mais periférica zona do reino. Ao que tudo indica, este processo iniciou-se com D. Sancho I, monarca que se preocupou em efectivar uma estreita proximidade entre poder régio e a família dominante do Nordeste, com vista a uma maior autoridade real na região brigantina. É neste contexto que se explica a fundação da cidade de Bragança (1187), e as primeiras doações destinadas à sua fortaleza (Março de 1188) (GOMES, 1993, pp.174-175).
Infelizmente, estamos muito mal informados acerca da primitiva cerca defensiva aqui realizada, pois a grande obra militar de Bragança deu-se já a caminho para o final da Idade Média. De acordo com os estudos de Paulo Dórdio Gomes, o interior da cidadela revela, ainda, parte da sua organização viária sanchina, "segundo dois eixos principais que confluem para a Porta da Vila", dispondo-se, entre eles, "blocos trapezoidais contendo séries de lotes com edifícios e quintais" (GOMES, 1993, p.177).
Um século depois, no reinado de D. Dinis, teve lugar uma primeira reforma do castelo. À semelhança da primitiva obra, também estamos mal informados sobre este momento, mas, a crer na documentação subsistente, ele deverá ter tido algum impacto na fortaleza românica, especialmente ao nível de um primeiro amuralhamento exterior, de carácter já gótico.
A grande campanha militar da cidade, e que, ainda hoje, se institui como marca visual dominante na imensa paisagem brigantina, teve lugar no reinado de D. João I, no contexto de afirmação da nova dinastia. Uma magnífica torre quadrangular, de dois andares, com torreões circulares nos vértices, é a inconfundível marca desta campanha, a que se junta uma cintura de muralhas igualmente dotada de torreões circulares, que rodeia um espaço rectangular irregular. Este núcleo principal, de características estéticas únicas entre nós, foi já explicado à luz de uma provável influência inglesa, posterior à chegada do Duque de Lancaster (CARVALHO, 1995 cit. JACOB, 1997, p.70). A datação para o conjunto parece confirmar esta hipótese, uma vez que a esmagadora maioria dos autores que se referiram a este castelo coincidem numa cronologia pelas primeiras décadas do século XV, muito alargada (cerca de trinta anos).
Datará, também, desta época a construção de uma segunda linha de muralhas, que teve por objectivo proteger o principal bairro dos arrabaldes, conjunto eminentemente comercial e em franco desenvolvimento ao longo dos séculos XIV e XV. A cerca interior, que define o espaço intra-muralhas, apresenta uma planta quase circular, revelando a racionalidade e o carácter radiocêntrico do projecto, onde os eixos viários confluem para o centro (JACOB, 1997, p.26). Na secção Norte desta muralha, a Torre da Princesa evoca antigas lendas românticas, estatuto oitocentista reforçado pelas ruínas anexas do paço do governador.
Os últimos séculos pautaram-se pela progressiva degradação e, em certos casos, desmantelamento das muralhas e da estrutura defensiva medieval. Logo no século XVII, no contexto das Guerras da Independência, retiraram-se muitas ameias, para dotar os caminhos de ronda de peças de artilharia. Em 1800, uma significativa parte da secção nascente das muralhas foi aproveitada para a construção de um quartel de infantaria.
O restauro foi realizado na década de 30 do século XX, altura em que a criação da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) veio inverter a ruína de numerosos monumentos em todo o país. Como a maioria dos restauros efectuados por esta instituição, o plano não se limitou a uma consolidação do edificado, mas sim a uma reinvenção e re-monumentalização do conjunto. Assim se explica a construção de ameias em toda a cerca, a demolição do quartel oitocentista, a reposição de troços de muralhas e o desafogamento dos muros de inúmeras construções privadas que, ao longo dos tempos, a eles se foram adossando.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Bragança / Bragança / Sé, Santa Maria e Meixedo
Rua do Santo Condestável
Bragança -
Polícia:
LATITUDE
41.804357
LONGITUDE
-6.749077
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1187
1187), e as primeiras doações destinadas à sua fortaleza (Março de 1188) (GOMES, 1993, pp.174-175).Infelizmente, esta...
1188
1188) (GOMES, 1993, pp.174-175).Infelizmente, estamos muito mal informados acerca da primitiva cerca defensiva aqui r...
1800
1800, uma significativa parte da secção nascente das muralhas foi aproveitada para a construção de um quartel de infa...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A história medieval de Bragança é a história da tentativa de instituiç...
1993
1993, pp.174-175).Infelizmente, estamos muito mal informados acerca da primitiva cerca defensiva aqui realizada, pois...
1995
1995 cit.
1997
1997, p.70).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed. ALVES, Francisco Manuel Edição 2000 Bragança
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
Bragança e Benquerença LOPO, Albino dos Santos Pereira Edição 1900 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
"O povoamento medieval em Trás-os-Montes e no Alto Douro. Primeiras impressões e hipóteses de trabalho", Arqueologia Medieval, nº2, pp.171-190 GOMES, Paulo José Antunes Dórdio Edição 1993 Porto
"D. Dinis e a arquitectura militar portuguesa", Revista da Faculdade de Letras. História, II série, tomo XV, pp. 801-822 BARROCA, Mário Jorge Edição 1998 Porto
Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes VERDELHO, Pedro Edição 2000 Chaves
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
Os castelos portugueses dos finais da Idade Média: presença, perfil, conservação, vigilância e comando MONTEIRO, João Gouveia Edição 1999 Coimbra
Bragança JACOB, João Edição 1997 Lisboa
O Castelo de Bragança: notas histórico-descritivas TEIXEIRA, António José Edição 1933
Roteiro e escorço histórico da cidade de Bragança FELGUEIRAS JÚNIOR, Francisco Edição 1964 Bragança
Bragançanismo. Tentativas históricas e literárias CARVALHO, Eduardo Edição 1995 Bragança
"O Castelo de Bragança", Brigantia, vol. IV, n.º 4 CARVALHO, Eduardo Edição 1984 Bragança
"O castelo de Bragança", Actas do II Congresso sobre monumentos militares MARTINS, João Vicente Edição 1984 Lisboa
"Bragança: da vila de fronteira à capital de província. Notas para uma monografia de Bragança. Séculos XII-XVII", Cidades, vilas e aldeias de Portugal. Estudos de história regional portuguesa, vol. I, pp. 235-253 MENDONÇA, Manuela Edição 1995 Lisboa
Cidade de Bragança e freguesia da Sé RUIVO, José Afonso Edição 1995 Bragança
Castelos em Portugal. Retrato do seu Perfil Arquitectónico CORREIA, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos Edição 2010 Coimbra

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