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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Paços municipais de Bragança (antigos)

Arquitectura Civil / Paço

Designação
Designação Atual
Paços municipais de Bragança (antigos)
Outras Designações
Antigos Paços Municipais de Bragança / Domus municipalis / Câmara Municipal de Bragança (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Paço
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Ex-libris da cidade de Bragança, a Domus Municipalis é um dos mais insólitos monumentos tardo-românicos portugueses. A função aparentemente civil para a qual foi concebido; a sua peculiar organização em pentágono irregular; a sucessão de arcarias de volta perfeita que ritmam os alçados; o espaço interior organizado em amplo salão profusamente iluminado; ou a associação a uma cisterna, são características que conferem a este edifício um carácter único no nosso país, sem paralelos imediatos na restante arquitectura medieval nacional.
Tradicionalmente, aqui se tem localizado a antiga câmara dos habitantes de Bragança. Com efeito, foi essa a função do monumento ao longo de toda a época moderna, desde que aqui se instalou o Conselho, em 1503. O facto de se elevar sobre uma cisterna e de possuir um aspecto fortificado levou a que outros autores equacionassem uma função militar (GRAF, 1986, vol.2, p.274), em associação com o dispositivo defensivo do reinado de D. Sancho I. As visões mais recentes, todavia, apontam para uma dupla função: por um lado, a de cisterna; por outro, a de sala de reuniões da câmara (BARROCA, 2002, p.147).
A cisterna é um elemento comum aos burgos medievais, não diferindo substancialmente das existentes em castelos como os de Lamego, Pombal ou Algoso (IDEM). De apreciáveis dimensões, e com abóbada de berço assente em três arcos, não anda "muito longe das cisternas da época, construídas semi-enterradas no solo, com corpo rectangular emergindo volumetricamente acima da cota do terreno e munidas de bocas de acesso vertical para se retirar água" (IDEM).
Já a sala para reuniões do conselho é inteiramente nova entre nós, à excepção do caso de Chaves, que não chegou íntegro até aos nossos dias. O interior revela um amplo salão, profusamente iluminado por janelas, e com banco corrido a toda a volta do recinto. A fisionomia das janelas é um dos elementos mais característicos do monumento: a sucessão de arcarias ocupa horizontalmente a totalidade dos alçados; os arcos são de volta perfeita, dobrados, e repousam em impostas salientes, formando uma sensação de "unidade harmoniosa", acentuada pelo aspecto de friso das impostas (GRAF, 1986, vol.2, p.273). Exteriormente, estes arcos são sobrepujados por uma cornija com modilhões, cuja decoração segue fielmente os esquemas próprios do tardo-românico periférico que tanto caracterizam as pequenas igrejas dos séculos XIII e XIV do interior Norte.
Carlos Alberto Ferreira de Almeida apontou as particularidades desta decoração de modilhões como um argumento para a classificação gótica que propôs, a par da técnica de construção e do aparelho já siglado (ALMEIDA, 1986, p.142; BARROCA, 2002, p.147), sintoma de uma organização oficinal mais sofisticada. Por estes dados, a Domus, que durante tanto tempo foi considerada um edifício românico na viragem para o século XIII, passou a ser classificado como obra gótica já do século XIV. Neste sentido, assume-se como um dos monumentos privilegiados, em torno do qual se desenvolve a discussão acerca da transição do Românico para o Gótico. Por outras palavras, até que ponto um imóvel construído no século XIV já não é românico?
A história recente da Domus é a história de uma reinvenção arquitectónica. O edifício serviu de Câmara municipal até meados do século XIX, altura em que a ruína iminente determinou o seu abandono. Nos inícios do século seguinte, alguns investigadores chamaram a atenção para a sua importância e, já na década de 20, deu-se início ao restauro. Nessa altura, o conjunto estava bastante adulterado, com numerosas janelas entaipadas, ou substituídas por portas modernas, e eram várias as construções anexas. Sob a supervisão de Baltazar de Castro, os trabalhos privilegiaram a reversão do edifício a uma suposta pureza original, ao mesmo tempo que se destruíram os imóveis nas imediações, naquele que foi um dos mais característicos projectos de restauro da DGEMN.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Dentro dos muros da antiga Cidadela
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Bragança / Bragança / Sé, Santa Maria e Meixedo
Terreiro do Castelo
Bragança -
Polícia:
LATITUDE
41.80355
LONGITUDE
-6.748978
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1503
1503.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Ex-libris da cidade de Bragança, a Domus Municipalis é um dos mais ins...
1986
1986, vol.2, p.274), em associação com o dispositivo defensivo do reinado de D. S
2002
2002, p.147).A cisterna é um elemento comum aos burgos medievais, não diferindo substancialmente das existentes em ca...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed. ALVES, Francisco Manuel Edição 2000 Bragança
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
A "Domus Municipalis" de Bragança notícia histórica TEIXEIRA, Raúl Edição 1941 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Em torno da «Domus Municipalis»...", Brigantia, vol.II, nº1, pp.13-32 e vol.II, nº2/3, pp.151-174 MONTEIRO, José Rodrigues Edição 1982 Bragança
Bragança JACOB, João Edição 1997 Lisboa
Roteiro e escorço histórico da cidade de Bragança FELGUEIRAS JÚNIOR, Francisco Edição 1964 Bragança

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Castelo de Bragança
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Edifício e jardim do antigo Paço Episcopal, onde se encontra instalado o Museu do Abade de Baçal
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