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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Bernardo, compreendendo o túmulo de D. Jorge de Mello

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Bernardo, compreendendo o túmulo de D. Jorge de Mello
Outras Designações
Igreja do Mosteiro de São Bernardo / Igreja do Convento de Nossa Senhora da Conceição / Mosteiro de São Bernardo de Portalegre / Escola Prática do Agrupamento de Instrução da Guarda Nacional Republicana, GNR, de Portalegre (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O Mosteiro de São Bernardo de Portalegre, cujo orago é Nossa Senhora da Conceição, foi fundado em 1518 por D. Jorge de Melo, bispo da Guarda, para albergar "donzelas sem dote". As obras deste complexo monástico iriam arrastar-se ao longo de todo o século XVI. Em 1526 um alvará régio de D. João III confirmava a doação, por parte do concelho de Portalegre, do sítio da Fontedeira às religiosas do novo mosteiro, iniciando-se as primeiras construções. Quatro anos mais tarde estavam já erigidas a igreja e dependências como o dormitório, a casa do capítulo e o refeitório. Não obstante o avanço destas obras, a consagração da igreja só seria feita em 16 de Março de 1572 pelo bispo de Portalegre, D. André de Noronha.
O templo do mosteiro possui planta em cruz, dividida em três naves, sendo a cabeceira composta por capela-mor, actualmente sem altar, e duas capelas colaterais. Esta estrutura interior mostra-se ainda devedora das linhas de "raiz tardo-medieval muito portalegrense" (BUCHO,Domingos, 1994), relegando o espaço centralizado dos templos de cariz clássico que já então se explorava em muitas edificações religiosas, e optando por desenvolver uma estrutura "manuelina" nas abóbadas nervadas que cobrem as naves e o espaço da capela-mor.
A estrutura interior do templo denota as diversas campanhas de obras levadas a cabo em diferentes épocas. Do século XVI subsistem o púlpito em mármore de Estremoz, decorado por motivos grotescos, bem como o portal principal do templo e o túmulo de D. Jorge de Melo, edificados entre 1538 e 1540, obras de grande erudição atribuídas a Nicolau de Chanterenne (PEREIRA,Paulo, RODRIGUES,Jorge, 1988, pp.40-41).
O túmulo do fundador tem levantado inúmeras questões, tanto no que respeita à sua autoria como no que se relaciona com a leitura dos elementos iconográficos. Se as enigmáticas siglas A.I.O., esculpidas na base do corpo inferior do túmulo, têm contribuído para que a autoria de Chanterenne tenha sido posta em causa, as peças escultóricas, que indicam a coexistência de duas temáticas diferentes na composição tumular - o culto mariano e a alegoria da Morte - mostram-nos algumas dissemelhanças ao nível do trabalho escultórico. Desta forma, considera-se a hipótese de o túmulo ter sido executado por dois mestres, tendo talvez sido aproveitado um altar primitivo da igreja como elemento central da composição da arca tumular (GASPAR,Diogo, 1998, pp.10-13). Acima de tudo, o imponente monumento funerário, de que se destacam algumas peças de grande qualidade, nomeadamente os motivos grotescos, as representações de Santa Ana e São Joaquim, a figura do jacente que retrata o fundador e os bustos de São Pedro e São Paulo, é o símbolo de afirmação pessoal de D. Jorge de Melo enquanto mecenas humanista.
A campanha barroca dotou o templo de diversos painéis de azulejos, elaborados cerca de 1739, que decoram tanto o espaço interior, nomeadamente as capelas laterais e a capela-mor da igreja, o transepto, a nave e o nártex, como o alpendre exterior, quase todos com representações da vida de São Bernardo.
O portal principal do templo mostra-nos um programa decorativo de grande qualidade escultórica, numa linguagem erudita repleta de motivos grotescos, com representações de motivos guerreiros, mascarões, seres híbridos, havendo evidentes referências ao fundador do convento, como o relevo com as armas do bispo da Guarda, inseridas no frontão do portal. A fachada original foi substituída por um portal alpendrado construído possivelmente no século XVII, cujo interior foi forrado com painéis de azulejos setecentistas.
Em 1878 o Convento de São Bernardo de Portalegre foi extinto, e a partir do ano seguinte passaria a funcionar neste espaço o Seminário diocesano. Na I República, em 1911, o convento seria convertido em quartel, e entre 1932 e 1961 funcionou na igreja o Museu Municipal de Portalegre.
Catarina Oliveira
IPPAR/2004
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 23-02-1957, publicada no DG, II Série, n.º 117, de 18-05-1957 (com ZNA) (ZEP da Igreja de São Bernardo e dos claustros anexos àquela igreja)
Afectação 9914629
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Portalegre / Portalegre / Sé e São Lourenço
-- Alto da Fontedeira
Portalegre -
Polícia:
LATITUDE
39.296474
LONGITUDE
-7.426525
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1518
1518 por D.
1526
1526 um alvará régio de D. J
1538
1538 e 1540, obras de grande erudição atribuídas a Nicolau de Chanterenne (PEREIRA,Paulo, RODRIGUES,Jorge, 1988, pp.4...
1540
1540, obras de grande erudição atribuídas a Nicolau de Chanterenne (PEREIRA,Paulo, RODRIGUES,Jorge, 1988, pp.40-41).O...
1572
1572 pelo bispo de Portalegre, D.
1739
1739, que decoram tanto o espaço interior, nomeadamente as capelas laterais e a capela-mor da igreja, o transepto, a ...
1878
1878 o Convento de São Bernardo de Portalegre foi extinto, e a partir do ano seguinte passaria a funcionar neste espa...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) O Mosteiro de São Bernardo de Portalegre, cujo orago é Nossa Senhora d...
1911
1911, o convento seria convertido em quartel, e entre 1932 e 1961 funcionou na igreja o Museu Municipal de Portalegre.
1932
1932 e 1961 funcionou na igreja o Museu Municipal de Portalegre.
1961
1961 funcionou na igreja o Museu Municipal de Portalegre.
1988
1988, pp.40-41).O túmulo do fundador tem levantado inúmeras questões, tanto no que respeita à sua autoria como no que...
1994
1994), relegando o espaço centralizado dos templos de cariz clássico que já então se explorava em muitas edificações ...
1998
1998, pp.10-13).
2004
2004
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IMAGENS
8
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Portalegre PEREIRA, Paulo, RODRIGUES, Jorge Edição 1988 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 2000 Lisboa
Mosteiro de São Bernardo de Portalegre - estudo historico - arquitectónico; propostas de recuperação e valorização do património edificado BUCHO, Domingos Edição 1994 Portalegre
"A encomenda do túmulo de D. Jorge de Melo", A Cidade - Revista Cultural de Portalegre, n.º 12, pp. 7-18 GASPAR, Diogo Edição 1998 Lisboa
"D. Jorge de Melo em Portalegre", Ibn Maruán - Revista Cultural do Concelho de Marvão, n.º 4, pp. 95-113 PESTANA, Manuel Inácio Edição 1994
"Portalegre", Dicionário da Arte Barroca em Portugal RODRIGUES, Jorge Edição 1989 Lisboa
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

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Exploração Geográfica
Dois claustros existentes no convento anexo à Igreja de São Bernardo
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Edifício da Escola Secundária de São Lourenço
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Igreja do Calvário
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Cruzeiro de Portalegre (São Bernardo)
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