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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Torre de Lapela

Arquitectura Militar / Torre

Designação
Designação Atual
Torre de Lapela
Outras Designações
Tipologia
Torre
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Tal como um significativo número de fortalezas nacionais, também as origens da de Lapela são desconhecidas. Constantemente se repete que um primitivo castelo foi mandado construir por D. Afonso Henriques, para "defender as margens do rio" (ALVES, 1987, p.65), tarefa que entregou a D. Lourenço Abreu, capitão do seu exército e nobre da família dos Abreus, senhores de Valadares, Melgaço e Castro Laboreiro. Os vestígios materiais que se conservam, contudo, datam de um período bem posterior e as tradições de fundação afonsina (ou outras perspectivas que recuam ainda mais a primitiva edificação) não podem ser, por enquanto, confirmadas.
O que é certo é que no século XIV, no reinado de D. Pedro ou já no de seu sucessor, D. Fernando, teve lugar a construção da torre actual, muito provavelmente no contexto das guerras peninsulares da segunda metade do século. É uma poderosa construção, visível a grande distância e elevando-se a cerca de 35 metros sobre o leito do rio Minho. O seu aparelho revela a solidez e a qualidade da obra, com grandes silhares de rigorosa geometria. A planta é quadrangular, como grande parte das torres góticas nacionais, e desenha uma forma geométrica de quase 10 metros de lado, tendo as paredes três metros de espessura.
Uma única entrada permite o acesso ao interior. Ela encontra-se na fachada Norte, em posição elevada (cerca de 6 metros acima do solo) e compõe-se de um arco simples, quebrado, de largas aduelas, em cujo vértice foi adossado o brasão com as armas de Portugal, assinalando, desta forma, o patrocínio e o proprietário da fortaleza. Diante do portal, um pequeno parapeito rectangular, assente sobre cachorrada de três modilhões bem salientes, estabelece a ligação entre a entrada e a escadaria de ferro (originalmente de madeira) que levava ao solo. As restantes fachadas possuem três frestas sobrepostas, rasgadas axialmente nos alçados, que denunciam a organização interior em três pisos. Superiormente, a torre é coroada por uma linha de ameias, com parapeito para vigia.
Obra de um gótico evoluído, a sua cronologia pela segunda metade do século XIV não oferece dúvidas. O mesmo não se pode dizer do castelo que a envolvia. Duarte d'Armas, nos inícios do século XVI, desenhou a fortaleza da Lapela com uma torre de menagem (a actual) no centro de um pátio rodeado por muralhas e a que se associava um paço senhorial, com certeza a residência do alcaide. Quer isto dizer que a sua localização contrariava o modelo de castelo gótico - em que a torre de menagem se associava, preferencialmente, a uma das portas - e aproxima-se extraordinariamente dos esquemas militares românicos. Neste sentido, teremos aqui o mais importante testemunho do castelo afonsino do século XII, embora apenas um rigoroso estudo dos vestígios remanescentes possa confirmar esta perspectiva.
A última campanha de obras conhecida data do reinado de D. Manuel, monarca que reforçou a estrutura e a entregou a Lopes Gomes de Abreu, senhor das fortificações do Alto Minho interior. A partir daqui, a história deste castelo é a de uma progressiva destruição. Após a restauração da Independência portuguesa, em 1640, e até aos inícios do século XVIII, a reformulação da praça de Monção obrigou à integração de muita pedra. Junto ao rio, comunicando facilmente com a actual sede de concelho, nada mais fácil que desmantelar-se o velho castelo medieval de Lapela, em benefício de uma vizinha fortaleza moderna e apta a responder às exigências da guerra.
O restauro parcial da estrutura aconteceu em 1940, por intermédio da DGEMN. No contexto das comemorações nacionalistas do Estado Novo, a torre da Lapela foi objecto de um restauro selectivo, de impacto cenográfico - como se comprova pela feitura de novas ameias - mas que descurou o estudo do local e da área envolvente. Na actualidade, a "Torre de Belém do Minho", como carinhosamente é designada no meio regional, aguarda, ainda, por uma investigação arqueológica e por um projecto de valorização.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12737527
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Monção / Troporiz e Lapela
- -
Lugar da Rua -
Polícia:
LATITUDE
42.056429
LONGITUDE
-8.538167
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1640
1640, e até aos inícios do século XVIII, a reformulação da praça de Monção obrigou à integração de muita pedra. Junto...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Tal como um significativo número de fortalezas nacionais, também as or...
1940
1940, por intermédio da DGEMN.
1987
1987, p.65), tarefa que entregou a D.
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IMAGENS
7
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Castelos do Distrito de Viana GUERRA, Luís Figueiredo da Edição 1926 Coimbra
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
O Minho Pittoresco VIEIRA, José Augusto Edição 1887 Lisboa
"O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção", Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80 ALVES, Lourenço Edição 1987 Caminha
Monção e seu alfoz na heráldica nacional: heráldica, genealogia e história GOMES, José Garção Edição 1969 Barcelos
Monção ROCHA, J. Marques Edição 1988 Porto

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