A carregar dados...

Logótipo MCJD PCI
Logótipo MCJD PCI

Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Engrácia

Arquitectura Religiosa / Panteão

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Engrácia
Outras Designações
Panteão Nacional / Igreja (incompleta) de Santa Engrácia (designação do diploma de classificação) (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Panteão
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja de Santa Engrácia, tal como hoje a conhecemos, é o resultado de um projecto de 1683, da autoria de João Antunes, mas que apenas foi concluído em 1966 pelos arquitectos da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. A morte do arquitecto régio, em 1712, implicou o quase abandono da obra, preterida por D. João V. Foi necessário esperar pela política de recuperação dos monumentos nacionais empreendida pelo Estado Novo para que Santa Engrácia tivesse, por fim, a sua cúpula. Não foi, no entanto, um final feliz, pois a tentativa de construir de acordo com o gosto e o projecto da época de João Antunes, consubstanciou-se numa abóbada "demasiado desproporcionada para a sólida estruturação espacial definida no projecto" (MANTAS, 2002; SERRÃO, 2003, p. 162).
A história do culto, neste local, a santa Engrácia, mártir natural da cidade de Braga (século XII), remonta ao século XVI, e deve-se à iniciativa da Infanta D. Maria, filha do rei D. Manuel, que ordenou a edificação de uma primeira igreja, de reduzidas dimensões, para albergar as relíquias da santa (GOMES, 2001, p. 235). O Papa concedeu a autorização em 1568, e as obras devem ter sido logo iniciadas. A exiguidade do primeiro espaço terá levado a que Filipe I e D. Jorge de Almeida impulsionassem um novo projecto, anterior a 1585 (data da morte do segundo), e desenhado por Nicolau de Frias, mas, muito possivelmente, apenas iniciado cerca de 1606 (GOMES, 2001, p. 237).
Em 1621 há notícia de outro plano, da autoria de Teodósio de Frias, que deveria acabar a obra do pai. Contudo, em 1630 ocorreu o célebre roubo do Santíssimo Sacramento, originando a criação de uma nobre irmandade (Confraria dos Escravos do Santíssimo Sacramento), que promoveu, nos anos subsequentes, a construção de uma nova capela-mor, como forma de desagravo. Desenhada por Mateus do Couto, Velho (a primeira pedra foi lançada em 1632), acabaria por ruir em 1681.
Contudo, e mau grado o investimento efectuado, a Confraria decidiu demolir o templo e edificar um outro de raiz, com certeza, em maior consonância com os seus objectivos e crenças políticas e religiosas. João Antunes apresentou a planta em 1683 e a primeira pedra foi lançada por D. Pedro no ano seguinte. Subsistem, no entanto, outros desenhos de Santa Engrácia, permanecendo ainda por esclarecer a questão da existência ou não de um concurso. De acordo com Paulo varela Gomes (2001, p. 272), o que importa perceber é que todos os arquitectos concordavam com a proposta de um plano centralizado (com zimbório e torres na fachada). Aqui podemos adivinhar várias questões: o culminar das experiências centralizadas da corte brigantina, a omnipresente devoção ao Santíssimo Sacramento (tão cara à Confraria), a evocação do templo de Jerusalém, a ideia de martyrium ligada ao culto da santa, uma espécie de fortaleza contra os infiéis (evidente no carácter compacto do templo), e num âmbito político-religioso, a vitória da corrente integrista e da Inquisição, que ressurgia neste momento, contra a burguesia cristã-nova (GOMES, p. 271).
No plano da arquitectura, Santa Engrácia segue a proposta, ainda que simplificada, de Peruzzi (desenhada por Serlio) para São Pedro de Roma (PEREIRA, 1999, p. 40; GOMES, 2001, p. 281), materializando "o melhor da mais erudita leitura portuguesa das correntes estrangeiras", sem esquecer a lição nacional, bem presente na depuração dos alçados, com panos quase cegos, ou na importação dos frontões das janelas de São Vicente de Fora. O ondulamento dos panos murários, a par do estatismo da planta, revela uma interpretação nacional muito própria que faz deste templo um exemplo quase único no nosso país, fechando um ciclo mas iniciando um outro, clássico e "congelado", que se ligaria ao aqueduto e, mais tarde, à baixa pombalina (GOMES, 1988, p.15).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (esclareceu que «é o actual Panteão Nacional») (ver Decreto)
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Campo de Santa Clara Rua da Verónica Rua de São Vicente Rua do Mirante Calçada do Cascão
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Em 22-11-2017 a CM de Lisboa enviou as suas observações sobre a proposta
Em 2-08-2017 foi solicitado o parecer da CM de Lisboa sobre a proposta
Proposta de 19-06-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC
Despacho de 18-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a concordar com o parecer e a devolver o processo à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para apresentar propostas de ZEP individuais, ou conjuntas nos casos em que tal se justifique
Parecer de 10-10-2011 da SPA do Conselho Nacional de Cultura a propor o arquivamento
Proposta de 22-08-2006 da DR de Lisboa para a ZEP conjunta do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Lisboa / São Vicente
Campo de Santa Clara
Lisboa -
Polícia:
LATITUDE
38.714949
LONGITUDE
-9.124714
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1568
1568, e as obras devem ter sido logo iniciadas.
1585
1585 (data da morte do segundo), e desenhado por Nicolau de Frias, mas, muito possivelmente, apenas iniciado cerca de...
1606
1606 (GOMES, 2001, p.
1621
1621 há notícia de outro plano, da autoria de Teodósio de Frias, que deveria acabar a obra do pai. Co
1630
1630 ocorreu o célebre roubo do Santíssimo Sacramento, originando a criação de uma nobre irmandade (Confraria dos Esc...
1632
1632), acabaria por ruir em 1681.
1681
1681.
1683
1683, da autoria de João Antunes, mas que apenas foi concluído em 1966 pelos arquitectos da Direcção Geral dos Edifíc...
1712
1712, implicou o quase abandono da obra, preterida por D.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A igreja de Santa Engrácia, tal como hoje a conhecemos, é o resultado ...
1966
1966 pelos arquitectos da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. A
1970
1970 (esclareceu que «é o actual Panteão Nacional») (ver Decreto)Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (v...
1988
1988, p.15).
1999
1999, p.
2001
2001, p.
2002
2002; SERRÃO, 2003, p.
2003
2003, p.
118
IMAGENS
12
BIBLIOGRAFIAS
PCIP Logo
Acesso Móvel
QR Code

Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta ficha no imediato.

Partilhar Património

Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Barroco SERRÃO, Vítor Edição 2003 Lisboa
"O barroco do século XVII: transição e mudança", História da Arte Portuguesa, vol.3,, pp.11-49 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
"Resistências e aceitação do espaço barroco: a arquitectura religiosa e civil", História da Arte em Portugal, vol. 8 PEREIRA, José Fernandes Edição 1986 Lisboa
João Antunes Arquitecto, 1643-1712 BIRG, Manuela Edição 1988 Lisboa
Igreja de Santa Engrácia / Panteão Nacional BIRG, Manuela, CALADO, Teresa Gil Edição 1988 Lisboa
A Arquitectura Portuguesa Chã - Entre as Especiarias e os Diamantes 1521-1706 KUBLER, George Edição 1988 Lisboa
Arquitectura, Religião e Política em Portugal no século XVII - A Planta Centralizada GOMES, Paulo Varela Edição 2001 Porto
A cultura arquitectónica e artística em Portugal no séc. XVIII GOMES, Paulo Varela Edição 1988 Lisboa
Panteão Nacional: Igreja de Santa Engrácia Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais Edição 1966 Lisboa
O Panteão Nacional. Memória e afirmação de um ideário em decadência. A intervenção da DGEMN na Igreja de Santa Engrácia MANTAS, Helena Edição 2002 Lisboa
"Santa Engrácia, Igreja de", Dicionário da Arte Barroca em Portugal, pp. 432-433 BONIFÁCIO, Horácio Manuel Pereira Edição 1989 Lisboa
As Obras de Santa Engrácia e seus Artistas CARVALHO, Ayres de Edição 1971

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

Imóveis nas Proximidades

Exploração Geográfica
Edifício onde se encontra instalado o Museu Militar
Edifício onde se encontra instalado o Museu Militar

Lisboa

Ver Ficha
Igreja de São Vicente de Fora
Igreja de São Vicente de Fora

Lisboa

Ver Ficha
Paço de São Vicente
Paço de São Vicente

Lisboa

Ver Ficha
Edifício da sede da Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário
Edifício da sede da Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário

Lisboa

Ver Ficha