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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Frontaria da igreja da Graça

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Frontaria da igreja da Graça
Outras Designações
Convento e Igreja da Graça de Évora (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Ainda que alguns cronistas façam remontar a existência da Ordem dos Eremitas Calçados de Santo Agostinho em Évora, pelo menos, ao ano de 1511, o alvará da fundação do convento de Nossa Senhora da Graça foi outorgado pelo Bispo da Diocese - D. Afonso de Portugal - apenas em 1520. A já existente ermida de Nossa Senhora da Graça, a que se deve a invocação da igreja e convento, foi entregue à ordem na mesma data. Nos anos trinta do século XVI já decorriam as obras de ampliação da igreja, dirigidas por Miguel de Arruda a partir dos últimos anos da década: uma primeira campanha de obras, cujo momento decisivo se verificou entre 1537 e 1540, ano em que a igreja estaria já concluída (BRANCO, 1991, pp. 144-145).
O templo nasce da autoria conjunta de Miguel de Arruda e de Nicolau Chanterene: "de carácter experimental, começado como panteão de D. João III, a colaboração dos dois artistas explica algumas incongruências de desenho; mas o uso sistemático da ordem jónica, (...) e a admirável fachada, já pronta em 1540, com os Quatro Gigantes nos cantos num exercício de scenographia vitruviana sem paralelo entre nós, tal como os relevos da capela-mor (1537) ocupada pelos Vimioso tiveram um impacto sem precedentes que só se pode comparar ao das obras do Bispo de Viseu - porém agora de iniciativa régia" (MOREIRA, 1995, pp. 346-347).
Os volumes recortados em granito da igreja de Nossa Senhora da Graça reúnem elementos renascentistas e maneiristas, que reflectem o ambiente humanista que então se vivia em Évora, revelando simultaneamente, a importância capital desta obra no panorama artístico nacional, por ter desempenhado um papel primordial na adesão do gosto régio à arquitectura do humanismo.
A igreja destaca-se no conjunto conventual pela sua fachada maneirista, com galilé inserida de forma original e com as quatro esculturas de grandes dimensões em granito, que representam atlantes sentados, a segurar lanças de ferro, com globos de fogo por trás. Estes, são tradicionalmente atribuídos a Nicolau Chanterene, embora alguns autores apontem para uma datação mais tardia e para a eventual intervenção de Francisco de Holanda (ESPANCA, 1993, p. 76).
De planta longitudinal e irregular, o interior da igreja é composto por nave única, de quatro tramos, e tecto em caixotões. As três janelas perspectivadas, que subsistiram da campanha original, são um dos elementos mais interessantes do conjunto com decorações em baixo relevo, tal como o friso do altar, provavelmente esculpido por Chanterene em 1537.
Em 1592 decorrem importantes obras no convento, sob a direcção do arquitecto Manuel Gomes. Entre os vários trabalhos realizados salienta-se a substituição da abóbada original, desenhada por Miguel de Arruda no início do século XVI e que seguia o modelo da igreja de Jesus de Roma, por uma outra da autoria de Pero Vaz Pereira, arquitecto do Duque de Bragança. Já no século seguinte, e em consequência dos bombardeamentos da guerra da Restauração, assiste-se, a partir de 1633, ao início de uma nova campanha de obras, onde se inclui a aquisição de imaginária e outro equipamento decorativo.
Com a extinção das Ordens Religiosas, funcionou na igreja uma escola primária. Em 1884 desabou a cobertura da igreja, tendo o equipamento decorativo passado para a paróquia de São Pedro, e o altar da Irmandade do Senhor Jesus dos Paços para a Igreja do Espírito Santo. No entanto, as vidraças pintadas em 1542 e o revestimento azulejar da nave, datado de 1748, provavelmente encomenda do arcebispo de Évora D. Frei Miguel de Távora, desapareceram nesta época (ESPANCA, 1993).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 4-10-1952, publicada no DG, II Série, n.º 249, de 21-10-1952 (sem restrições)
Afectação 9913429
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Évora / Évora / Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)
Largo da Graça
Évora -
Polícia:
LATITUDE
38.569524
LONGITUDE
-7.907475
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1511
1511, o alvará da fundação do convento de Nossa Senhora da Graça foi outorgado pelo Bispo da Diocese - D. Afo
1520
1520.
1537
1537 e 1540, ano em que a igreja estaria já concluída (BRANCO, 1991, pp. 1
1540
1540, ano em que a igreja estaria já concluída (BRANCO, 1991, pp. 1
1542
1542 e o revestimento azulejar da nave, datado de 1748, provavelmente encomenda do arcebispo de Évora D.
1592
1592 decorrem importantes obras no convento, sob a direcção do arquitecto Manuel Gomes. E
1633
1633, ao início de uma nova campanha de obras, onde se inclui a aquisição de imaginária e outro equipamento decorativ...
1748
1748, provavelmente encomenda do arcebispo de Évora D.
1884
1884 desabou a cobertura da igreja, tendo o equipamento decorativo passado para a paróquia de São Pedro, e o altar da...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Ainda que alguns cronistas façam remontar a existência da Ordem dos Er...
1991
1991, pp.
1993
1993, p.
1995
1995, pp.
4
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
«Datação e Autoria da Igreja da Graça de Évora e do Túmulo de D. Afonso de Portugal», Cadernos de Hist. da Arte BRANCO, Manuel José Calhau Edição 1991
Inventário Artístico de Portugal, vol. VII (Concelho de Évora - volume I) ESPANCA, Túlio Edição 1966 Lisboa
Évora ESPANCA, Túlio Edição 1993 Lisboa
A Arquitectura Portuguesa Chã - Entre as Especiarias e os Diamantes 1521-1706 KUBLER, George Edição 1988 Lisboa
«L'Architettura del Rinascimento in Portogallo», L'Arte BATTELI, Guido Edição 1938
Nouvelle Histoire Universelle de L'Art AUBERT, Marcel Edição 1982
«Arquitectura», Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento. Arte Antiga I MOREIRA, Rafael Edição 1983
"Arquitectura: renascimento e classicismo", História da Arte Portuguesa, vol. II, 1995, pp. 303-375 MOREIRA, Rafael Edição 1995 Lisboa
«A Arquitectura e a Escultura Renascença e Maneirista», História de Portugal SARAIVA, J. Hermano Edição 1986
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia

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