A actual igreja de São Vicente de Évora é, pelo menos, o terceiro templo que se levantou neste local desde a Idade Média. Na sua origem, aqui existiu um oratório de devoção dedicado a São Vicente, que no século XV foi protegido pela construção de uma igreja, por iniciativa de Luís Lourenço, criado do infante D. Henrique. Este templo, datado de 1467, devia ser de reduzidas dimensões e arquitectura não muito cuidada, pois já em 1559 se encontrava arruinado (ESPANCA, 1966). Dessa modesta capela subsistem ainda os dois portais e alguns vestígios de pintura mural (designadamente uma figura de São Sebastião datável de finais desse século), posteriormente integrados na construção maneirista, um tramo da ábside e ainda uma pia baptismal que poderá corresponder aos anos finais do século XV.
A nova igreja deveu-se ao patrocínio de Garcia de Resende e à Câmara de Évora, que na década de 60 edificaram um templo de planta quadrangular dividida em três naves, com tecto em cúpula ao centro. No geral, como bem definiu Túlio Espanca, trata-se de um templo que reflecte as dominantes ideológicas saídas do Concílio de Trento, predominando as linhas arquitectónicas austeras sobre os ensaios de decorativismo aplicado (ESPANCA, 1993, p.97).
Na parede fundeira da capela-mor subsiste ainda a pintura mural da década de 70 do século XVI, alusiva aos santos titulares da capela - Vicente, Sabina e Cristeta - e muito provavelmente executada por Francisco de Campos, pintor documentado em outras obras da cidade, designadamente nos Paços dos Condes de Basto. Nos finais do século XVI, esta pintura foi ocultada pela montagem de um retábulo, que integra tábuas do ciclo a que se convencionou chamar Mestre da Tourega.
Ao centro da nave instalou-se, no século XVII, a Irmandade de Nossa Senhora da Vitória, de que sobressai o altar, obra de talha dourada maneirista ostentando ao centro uma pintura sobre tábua alusiva à Batalha de Tarifa.
Em estado de degradação no século XX, a capela foi restaurada em 1966, numa campanha dirigida pelo Vereador da Câmara de Évora, arq. João Raul de Veiga Neves David, que entre outras acções pôs a descoberto a pintura mural maneirista da capela-mor.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
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