Nota Histórico-Artistica
Implantada num amplo largo, e plenamente integrada na malha urbana de Palmela, a capela de São João Baptista destaca-se pela sua depuração arquitectónica, mas também pela entrada principal, à qual se acede através de uma escadaria de lanços convergentes, que elevam o portal acima do nível da praça.
Foi edificada na primeira metade do século XVII graças à iniciativa de Frei Jerónimo de Brito e Melo, 25º Grão Prior da Ordem de Malta, que desempenhou outros cargos de relevância na zona de Setúbal. Desta capela, dedicada a São João Baptista, quis fazer o seu cenotáfio, aí se fazendo sepultar.
O templo, de características maneiristas chãs, desenvolve-se em planta de nave única que se articula com capela-mor, ladeada por sacristias. A fachada principal, delimitada por pilastras nos cunhais, encimadas por pináculos, termina em empena, aberta por óculo. Ao centro, o portal mantém a mesma depuração, desenhando linhas rectas e terminando num frontão triangular, em cujo tímpano se ostentam as armas do fundador.
O interior conserva a mesma linearidade, e quase total ausência de elementos decorativos. Na nave apenas se destaca um púlpito, com a base em mármore, mas já sem balaustrada. O pavimento encontra-se ligeiramente alteado logo a seguir ao púlpito, e o arco triunfal, de volta perfeita assenta sobre pilastras toscanas, revelando alguns vestígios de pintura mural seiscentista, com representações de enrolamentos, aves e a cruz de Malta, alusiva a Frei Jerónimo de Brito e Melo e à Ordem a que este presidia. A sua sepultura encontra-se junto ao arco e, na nave, está uma outra, de Manuel Rodrigues Carvalho, freire da Ordem de Santiago, que aqui jaz desde 1705.
Neste espaço, onde reina a depuração arquitectónica e decorativa, ganham especial importância os silhares de azulejo que revestem a nave e a capela-mor. Tratam-se de composições de padrão, tipicamente seiscentistas, e que se encontram devidamente identificadas por Santos Simões, no seu "Corpus da Azulejaria do século XVII". O padrão da nave é uma variante de um tema que entre nós ficou conhecido por massaroca ou pinha, mas que é originário da Pérsia, tendo resultado da estilização de uma flor ou de um fruto (SIMÕES, 1997, p. 41). No caso da capela de São João Baptista, a introdução de elementos lineares no padrão base, criou uma variante muito pouco usual (IDEM, vol. II, p. 196). Já o friso e a barra são bem mais comuns e muito utilizados noutras composições (IDEM, vol. I, p. 167). O mesmo autor refere que diversas marcas e vestígios, permitem defender a possibilidade do revestimento ter sido mais amplo, ultrapassando o silhar, o que hoje não acontece (IDEM, vol. II, p. 196).
A história desta capela não foi, todavia, muito feliz. Durante o reinado de D. Maria II foi profanada e, no decorrer do século XX, foi utilizada para os mais diversos fins, estando, actualmente, devoluta. O seu espólio encontra-se em depósito na Igreja de São Pedro (Câmara Municipal de Palmela).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Edital N.º 18 de 19-09-1995 da CM de Palmela
Despacho de homologação de 17-08-1980
Parecer de 12-08-1980 da COISPCN a propor a classificação como VC
Proposta de classificação de 10-02-1978 da DGPC