Nota Histórico-Artistica
O antigo Palácio Alverca foi construído em finais do século XVII, junto das Portas de Santo Antão, uma das principais entradas da cidade velha, no local onde em meados do século XV existira um curral de porcos (o Curral Velho), e mais tarde um matadouro e uma fábrica de curtumes. Pertenceu à família Pais do Amaral, dos Viscondes de Alverca, de onde proveio a designação. Também foi conhecido por Palácio São Luís, por se encontrar diante da igreja desta invocação (Maria Gago da CÂMARA, 1994). Em 1919, depois de aí ter funcionado um liceu e um armazém de mobiliário, foi alugado para nele se instalar o "Magestic Club", depois "Monumental Club", um dos primeiros casinos de Lisboa, que aí esteve até 1928. A partir de 1932 o Grémio Alentejano, depois Casa do Alentejo, instalou-se no espaço, que viria a adquirir em 1981.
O edifício foi muito alterado no princípio do século XX, aquando da instalação do casino, datando deste período as decoração assumidamente revivalista de muitas salas do interior. O projecto de obras, do Arquitecto António Rodrigues da Silva Júnior, é de 1917, e a dimensão e celeridade do processo (terminado em 1919) exigiu a união de três construtores, bem como o trabalho de muitos artistas e artesãos. Entre estes encontravam-se alguns dos maiores nomes da época, como os pintores Benvindo Ceia, Domingos Costa, José Ferreira Bazalisa e Jorge Colaço.
A fachada principal é rasgada por portal de verga recta entre pilastras, com entablamento sobrepujado por urnas sobre socos. Ainda exibe a pedra de armas dos primeiros proprietários, após Miguel Pais do Amaral Quifel de Barbarino (n. 1777), que uniu as armas dos Pais, Amaral, Almeida e Barbarino (Maria Gago da CÂMARA, 1994). O palácio possui planta quadrangular composta, com diversos corpos distribuídos em redor de três pátios, dois dos quais cobertos durante as intervenções novecentistas. Para além de elementos barrocos, como no caso dos painéis de azulejos, e dependências nos estilos Luís XV e Luís XVI, encontramos no interior muitas peças neo-góticas, neo-árabes, neo-renascentistas e neo-rococós, assim como alguns apontamentos Arte Nova, resultando num conjunto exuberante e exótico que servia bem o propósito de clube nocturno. Merecem especial realce o Pátio Árabe (aproveitamento do antigo pátio das cocheiras), o Salão dos Espelhos, o Salão Neo-renascentista, a biblioteca, ou os painéis de azulejos das salas do restaurante. De resto, os únicos vestígios decorativos da construção original são alguns painéis de azulejos setecentistas, historiados com cenas galantes.
Sílvia Leite / DIDA / IGESPAR, I.P., 24-10-2007
Diploma de Classificação
Portaria n.º 587/2011, DR, 2.ª série, n.º 118 , de 21-06-2011 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 12-08-1998 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 11-08-1998 do vice-presidente do IPPAR
Parecer favorável de 29-07-1998 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 16-03-1997 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Edital N.º 132/96 de 12-11-1996 da CM de Lisboa
Carta de 24-10-1996 da Casa do Alentejo a informar que concordava com a classificação
Despacho de abertura de 20-08-1996 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 14-08-1996 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 25-01-1994 da DGEMN
Número do Processo
Não disponível