Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Edificado no topo da Avenida Fontes Pereira de Melo, formando gaveto com a Rua Andrade Corvo, o palacete de José Maria Marques foi construído entre 1911 e 1915. Atualmente alberga a sede social do Metropolitano de Lisboa.
De planta quadrada, o edifício organiza-se em quatro pisos, incluindo cave e mansarda. Apresenta uma exuberante frente de rua de gosto eclético, que se prolonga em torno do gaveto alcançando o corpo lateral da casa, rasgada por um numeroso conjunto de janelas e repleta de elegantes elementos decorativos.
A cave do edifício é definida por aparelho rusticado e pequenas janelas de moldura rebaixada com guarda de ferro. A fachada principal divide-se em dois corpos, exibindo na extremidade esquerda o portão de ferro de acesso ao jardim, onde se ergue uma fachada com varandas de ferro e vitral no piso térreo e janelas de peito no superior.
O primeiro corpo do frontispício apresenta duas grandes varandas, no primeiro piso com guarda de ferro e alpendre de arco de volta perfeita decorado com aduelas e motivos concheados, assente em colunas com capitéis de volutas e florões, a que se acede por janela com arco tripartido e capitéis compósitos. A varanda do piso superior, aberta e com guarda de ferro, exibe também janela tripartida com capitéis compósitos. No centro da fachada abre-se a porta principal, uma elegante estrutura de ferro e vidro com moldura ladeada por colunas coríntias e rematada por frontão triangular interrompido, encimada por óculo com aduelas e motivos vegetalistas enquadrando estrutura de ferro e vidro com as inicias do proprietário, JMM. É ladeada por duas janelas de peito integradas entre pilastras com capitéis vegetalistas. Sobre a porta rasgam-se três janelas de sacada com varandim de ferro e base de pedra em forma de voluta, emolduradas em arco com pilastras compósitas. Este corpo central é rematado por grande frontão circular com janela, profusamente decorado, que corresponde à fachada da mansarda.
O contorno do gaveto é feito por corpo circular com janelas de peito no primeiro piso e varandim com friso assente sobre colunas geminadas no segundo. O corpo da fachada lateral possui janelas de peito em ambos os pisos, elevando-se à direita o portão de ferro que abre para o pátio, onde se ergue uma fachada com janelas de peito e escada de ferro.
No interior, os espaços dispõem-se de forma simétrica em torno da escada e do vestíbulo, elementos centrais da casa que conferem monumentalidade ao edifício. Inclui um sumptuoso programa decorativo, com madeiras exóticas, estuques pintados e dourados, frescos, e um elevador, à época um elemento funcional de luxo.
História
No ano de 1911 José Maria Moreira Marques, capitalista com negócios no Brasil, apresentou à Câmara de Lisboa um pedido para a construção de uma casa no seu terreno na Avenida Fontes Pereira de Melo, apresentando um projeto assinado pelo arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. O conjunto, que incluía sala de ginástica na cave, casa para capoeira e casa de tanques, foi construído entre 1911 e 1915, data da última licença para a edificação da marquise de ferro do jardim. O projeto foi vencedor do Prémio Valmor no ano de 1914 (erradamente esculpido na fachada com a data 1915).
Não sendo o maior palacete projetado por Norte Júnior, é seguramente o que apresenta o programa decorativo mais exuberante, embora a profusão de motivos ornamentais em nada altere o equilíbrio do projeto. A inserção num gaveto retangular, no qual a casa ocupa apenas metade da área, denota a perícia do arquiteto como projetista, apresentando uma planimetria distinta das que nos anos imediatamente anteriores criara para edifícios congéneres nas Avenidas Novas.
Em 1950 a Câmara de Lisboa comprou aos herdeiros de José Marques o edifício, e quatro anos depois alugava o espaço ao Metropolitano de Lisboa, que o ocupa até hoje.
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)
Edital N.º 102/99 de 9-12-1999 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 21-04-1999 da Secretária de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 19-02-1999 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 10-02-1999 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 2-07-1998 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 16-01-1991 do presidente do IPPC
Proposta de 19-10-1990 do IPPC para a abertura da instrução de processo de classificação
Em 28-04-1986 foi solicitado à CM de Lisboa o envio de documentação para a instrução de um processo de classificação
Processo iniciado em 1983 no IPPC
Número do Processo
Não disponível